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Só faltava essa: Cybercondria

19/12/2008 às 18:50

A Internet pode ser uma ferramenta maravilhosa para os médicos. Outro dia acompanhei minha médica pesquisando para achar o melhor tratamento para uma rinite/alergia/ziquezira que tenho. Em minutos ela estava lendo simplesmente o mais recente tratado sobre aquela condição.

Logo depois pesquisou a medicação indicada, localizando os anti-histamíninicos de 4a (ou 3a?) Geração, buscou estudos detalhados sobre o remédio, etc, etc. Eu saí com um remédio ideal para o caso, e atulhado de informações (o negócio é tão bom que não apresenta interação com álcool!)

Foi um excelente exemplo de como a Internet pode ser útil para profissionais de medicina. Por outro lado se fosse EU pesquisando não saberia por onde começar. Sairia buscando por sintomas, e o Google não tem semancol. Para ele dor de cabeça associada a uma desidratação é a mesma dor de cabeça associada a um tumor no cérebro.

simpsonshouse

Infelizmente uma grande quantidade de pacientes não tem esse discernimento, acha que o Google substitúi o profissional de saúde, e que medicina é apenas marcar sintomas em um quadro e sair riscando os que não encaixam no paciente.

Os pacientes por sua vez sempre escolhem as doenças mais graves. Dor de cabeça? Tumor no cérebro. Dor no peito? Infarto iminente. Falta de Ar? Sarcoidose, com certeza. Menos Lupus. Nunca é Lupus.

Parte da culpa é dos chamados “Leitores de Títulos”. O sujeito nunca se dá ao trabalho de ler o texto inteiro, onde são explicados os quadros exatos da doença, sintomas correlatos, estatística dentro da faixa etária, etc.

Outro efeito desagradável é que mesmo quando vão aos médicos, os pacientes chegam armados não de perguntas (o que é justo) mas de respostas (o que é um saco). Desfilam uma lista de doenças encontradas na Internet, e ficam decepcionados quando estão apenas com uma gripe. Assim os médicos precisam convencer o paciente do que ele tem, e do que não tem.

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Quem passa pelo triste ritual de dar manutenção em computador de parentes sabe o quão danoso pode ser uma pessoa com acesso a Internet e pouco conhecimento do que está fazendo.

Agora imagine essa experimentação toda, informação sem conhecimento, voltada para a própria saúde. Isso com certeza não faz bem. E a tendência é piorar, diz um estudo da Microsoft Research, que analisou o resultado de milhões de buscas no Live Search, 550 casos detalhados e detectou a tendência dos pacientes em procurar as explicações mais complicadas para seus problemas de saúde.

Isso no Brasil, onde a maior parte das indicações de medicamentos vem do balconista da farmácia, só tende a piorar. Ainda bem que inclusão digital aqui quer dizer Orkut e MSN, e ninguém pensa em procurar “pobrema de estombo” ou “mal do figo” no Cadê. Ainda bem.

Fonte: MDR

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