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Equipamento Profissional

27/11/2008 às 16:11

No último sábado fui fazer uma cobertura fotográfica de um casamento no cartório da cidade. Uma tendência da fotografia social de casamento é que essa parte do cartório seja descartada, mas esse era um caso especial em que não haveria cerimônia religiosa, apenas o cartório e uma pequena recepção. Então, por conta de minha ansiedade com compromissos marcados, cheguei uma hora antes do combinado. Embora saiba que casamentos não diminuíram, apenas o índice de natalidade, fiquei assustado com a quantidade de casamentos que presenciei em apenas uma hora. Também fiquei assustado com a quantidade de profissionais de fotografia que estão atuando em uma cidade tão pequena quanto a minha. Outra coisa interessante que notei é a diversidade de equipamentos que o pessoal está usando ultimamente. Colocar um monte de fotógrafos na mesma sala tem o mesmo efeito de um monte de homens em um banheiro público. Ninguém admite, mas todos ficam comparando o tamanho do equipamento.

Isso me lembra uma velho debate que sempre permeia os fóruns e grupos de discussão voltados a fotografia. Fotógrafos profissionais são as pessoas mais preconceituosas que conheço. Para a maioria deles se você não tiver o equipamento mais moderno e caro produzido, você não merece respeito e nem pode ser chamado de profissional. Mas, quem faz a foto? O equipamento ou o fotógrafo?? É inegável que com o equipamento correto é possível se valer de todos os seus recursos e qualidade na geração das imagens, mas saber o que se está fazendo e conhecer e respeitar a capacidade e limitações de sua câmera é muito importante. Já vi muito fotógrafo com câmera compacta fazer imagens muito melhores que os profissionais e já vi muita gente que se diz profissional usar câmeras caríssimas e só saber operar no modo automático.

Mas, de certa maneira, entendo o que vem acontecendo. A fotografia digital barateou muito o processo de produção fotográfica. Câmeras DSLRs mais simples estão se tornando muito baratas e seus recursos automáticos criam a falsa ilusão de que fotografar é fácil. O que temos com a junção desses fatos são fotógrafos inexperientes oferecendo serviços abaixo do preço de mercado e entregando fotos horríveis para o consumidor. Por isso os verdadeiros profissionais olham com desconfiança para quem chega com uma Fuji S9100 e um flash Vivitar 258HV para fotografar um evento. Provavelmente esse indivíduo é um iniciante atrás de alguns trocados, mas também pode ser um fotógrafo experiente que sabe usar o equipamento e produzir imagens espetaculares. No fim, tudo depende do conhecimento do fotógrafo e compreender que seu melhor equipamento é seu cérebro e não a câmera. O que faz um equipamento ser profissional é o fotógrafo, por conta do uso que vai fazer dele, e não o contrário.

Mas, se você está pretendendo entrar no mercado profissional posso dar alguns conselhos. Primeiramente estude muito. Leia sobre fotografia e como produzir fotografia. Cursos são muito instrutivos, mas é possível aprender por meio de livros e textos na internet. Em segundo, estude a obra de fotógrafos que atuam na mesma área que você está tentando se iniciar. Não é vergonha copiar algumas poses enquanto você desenvolve o seu estilo próprio. Em terceiro, escolha um equipamento que lhe ofereça recursos mínimos e estude todas as funções e limitações de sua câmera. Isso vai ser o diferencial entre fotografar e apertar um botão. Em quarto lugar, pesquise o mercado fotográfico de sua região. Saiba o quanto está sendo cobrado pelos serviços mais comuns, como casamentos e festas de aniversário. Você não vai cobrar o mesmo que os profissionais mais experientes, mas também não pode cobrar muito barato, pois não vai conseguir subir o preço depois. Conheça seus custos reais e faça um preço justo. E por último, um bom caminho para aprender é se oferecer como assistente de um fotógrafo. Ele não vai pagar muito, mas o aprendizado que você vai ter não tem preço.

Começar não é fácil, mas com perseverança, treinamento e experiência é possível se manter com a fotografia.

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