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Projeto Pink: A Microsoft vai lançar um celular?

26/11/2008 às 19:21

Em Homens de Preto o personagem de Tommy lee Jones ensina a um desnorteado Will Smith que a Verdade está nos tablóides. Eles publicam as notícias em primeira-mão, ainda distorcidas, enquanto a mídia "séria" sanitiza, limpa, edita e atende aos desígnios dos "Poderosos".

Pode parecer uma visão simplista, teoria da conspiração rasteira, mas há um fundo de verdade. Vejam por exemplo o Projeto Pink, da Microsoft. Em uma matéria do Inquirer, um tablóide de reputação duvidosa (mesmo entre tablóides) foi relevado que a Microsoft estaria produzindo um celular utilizando a tecnologia Tegra, da nVidia.

Um monte de gente deixou pra lá, afinal de contas o vídeo de exemplo da matéria foi uma paródia feita pela própria Microsoft, do O-Phone.

Só que alguns dias depois a notícia começou a aparecer em outros sites, de gente com mais credibilidade, como o Microsoft Watch.

A princípio a idéia é suicida. A Microsoft depende de seus parceiros, como HTC e Palm para lançarem aparelhos com Windows Mobile. Mas... será mesmo?

Se por um lado a parceria com mercado de hardware rendeu a posição invejável da empresa hoje, também rendeu muitos problemas.

Vejamos:

* Bloatware via Drivers - Windows tem que suportar todo mundo. São literalmente milhões de combinações de hardware, a maior parte do desenvolvimento de qualquer coisa na Microsoft é teste. Imagine quantas placas de vídeo de fabricantes diferentes existem. Agora imagine testar a combinação delas com N placas-mãe, só para ter certeza de que seu software vai funcionar. A Apple não tem esse problema. Precisa testar em UMA plataforma.

* Pressões dos parceiros - O Bill Gates pode ser poderoso o bastante para mandar ninjas atrás do Stallman, mas quando o papo é com Intel, HP, etc, o bicho pega. Já foi relevado que a Microsoft foi pressionada pelos fabricantes para liberar a certificação Vista-Ready para máquinas de desempenho rasteiro, para não afetar as vendas. No mercado mobile então, a coisa mais difícil do mundo é conseguir atualizações e correções do Windows Mobile. Os fabricantes não se interessam e a Microsoft não pode disponibilizar diretamente os programas, dada a customização exigida para cada aparelho

* Depreciação da marca - Quando o pessoal baba em um SonyEricsson Xperia X1 ninguém lembra que é um aparelho Windows Mobile. A Microsoft só vai aparecer quando alguém photoshopar uma tela azul no telefone. Exemplo: No último trimestre as vendas de aparelhos Windows Mobile cresceram 43%. Mas só se fala de iPhone.

A lição aprendida com o iPhone é que é possível para um player novo no mercado ocupar uma posição respeitável em pouco tempo. O pessoal do mimimi "odeio Apple" chora, resmunga mas foram 6,9 milhões de iPhones vendidos no 3o trimestre de 2008 e há uma previsão de 40 milhões de aparelhos para 2009. Claro, tem gente que ainda insiste que iPhone é moda passageira, bla bla bla mas diante dos números só dá pra apontar pra eles e sentir pena. Provavelmente votam no PSTU também.

Uma outra consideração estratégica: A Microsoft está investindo tudo na Nuvem, o futuro para ela será online, mas para acessar esse futuro, enquanto não sai a Interface Neural Matrix ou supositório RFID WIMAX, terá que ser acessado via dispositivos convencionais.

Controlar o dispositivo de acesso é meio-caminho andado. Vide o Google, que pretende distribuir o Chrome pré-instalado em computadores novos. A mesma "coisa feia" que a Microsoft faz com o Internet Explorer e rendeu tanta aporrinhação na Justiça.

Quando seu SdruvsPhone ligar e mostrar páginas iniciais, serviços-padrão, lojas e recursos, que mostre por padrão os meus serviços, as minhas páginas. A Apple sabe disso. Experimente criar uma aplicação para o iPhone oferecendo uma loja concorrente da AppStore. Aposto a virgindade retrofuricular do Marcellus que nem do formulário de envio essa aplicação passa.

É esse controle que a Microsoft quer. A Google tem, com o Android. A Apple tem, com o iPhone. A HTC não tem, por causa da diversidade de aparelhos que produz.

Quem controla o meio de acesso, controla a nuvem, e por enquanto há uma grande sombra de uma maçã por lá.

A Microsoft vai conseguir morder essa fruta? Não sei. Tenho minhas dúvidas.

Eles conseguem produzir coisas muito legais, o Windows 7 me fará comprar um monitor multitouch com certeza, mas no geral, como disse o Steve Jobs, eles têm muito mau gosto. O Zune por exemplo é um excelente player, com bem mais recursos que o iPod, mas mesmo que a interface seja bonita (e é) o aparelho em si é feio. Eu perdôo o marrom-cocô do Ubuntu, afinal todos os designers bom bom-gosto e simpatia por Software Livre são atirados do alto da mesma montanha que usavam para matar crianças aleijadas em Esparta, mas a Microsoft NÃO poderia cometer um aparelho tão sem tesão.

Lançar um iPhone-killer não é fácil. Ninguém conseguiu ainda. A Microsoft lançar algo que vença o iPhone em termos de efeito-UAU, facilidade de uso e funcionalidade é algo mais complicado ainda. É contra a filosofia da empresa. Eles não sabem fazer coisas simples, não sabem chegar em um momento e dizer "chega, não vamos colocar tal funcionalidade, não vamos colocar tal compatibilidade".

Se se reinventarem, se pegarem as idéias da Microsoft Research e as adotarem em produto, se jogarem gasolina e incendiarem o prédio do marketing, podem conseguir.

Senão teremos mais um Origami, Bob ou Newton por aí. (é, a Apple também erra)

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