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Windows 10: gratuito para usuários antigos, pero no mucho

O Windows 10 pode ser gratuito para usuários do 7, 8 e 8.1, mas estratégia da Microsoft para monetizar o sistema pode ser percebida em vários pontos

09/06/2016 às 15:01

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O Windows 10 vem sendo promovido pela Microsoft de forma bastante agressiva, isso já está mais do que comprovado. Embora ele represente uma grande evolução do sistema operacional a forçada de barra da empresa, ao empurrar a atualização de todo jeito a usuários dos Windows 7, 8 e 8.1 está incomodando muita gente (de novo, sistema de produção é diferente de SO mobile, há n motivos para muita gente não desejar o update). Entretanto, há de se convir que o fato de ter sido distribuído como uma atualização gratuita a esse mesmo público foi uma boa jogada para incentivar a adoção do 10.

Evidentemente que embora tenha aberto mão do dinheiro, isso não quer dizer que Redmond não lucre com o novo SO nesses casos.

Vamos admitir o óbvio em primeiro lugar: não existe almoço grátis. Se a Microsoft não está vendendo o Windows 10 para usuários das versões mais recentes é claro que ela irá trabalhar para ganhar dinheiro de outras formas, e ao menos em quatro frentes isso é bem evidente. A primeira é a Windows Store, a loja de aplicativos. Quando você compra um app x86 na Amazon ou um game no Steam Redmond não ganha um tostão sequer, e isso não é interessante em seu modelo de negócios. É por isso que ela blindou o cross-platform play e o restringiu somente ao Windows 10 e Xbox One, o que lhe custou um ou outro game grande (embora as coisas possam mudar no futuro).

Se a Microsoft não pode impedir você de comprar programas e games em outras fontes, a solução é promover a Windows Store e seus apps universais massivamente. Além do ícone ser um dos poucos fixos por padrão na Barra de Tarefas e estar destacado no Menu Iniciar, ao abrir o Microsoft Edge o navegador exibe banners da lojinha constantemente, sem falar que a própria lock screen do Windows 10 se transforma em uma vitrine da Windows Store (o que pode ser desabilitado, é bom informar). Por fim, muitos resultados da Cortana o tentarão direcioná-lo para um app universal. Se houver uma opção a algum aplicativo x86, que você pretenda usar, ele lhe será sugerido inevitavelmente. Se houvesse uma boa oferta de apps isso nem seria um problema, mas…

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Créditos: YukiCosplay.com

Outro ponto é justamente a Cortana, a assistente pessoal do Windows 10. Ela é muito prática e possui um senso de humor apurado, já fala português e tudo mais, mas é preciso entender que ela está permanentemente atrelada ao Bing e ao Microsoft Edge. Toda vez que você perguntar à intrépida IA que possui um spartan como sidekick (que ironicamente é o próprio Edge, outrora Project Spartan) e ela não souber a resposta, ela irá abrir uma pesquisa no motor da Microsoft no browser nativo. Sua opção de escolha para buscas e navegação não será considerada, mas isso era esperado; ainda assim não deixa de ser uma estratégia para manter o usuário sempre utilizando os produtos da Microsoft.

O mesmo pode-se dizer do OneDrive e do Office. Ambos são oferecidos em suas modalidades gratuitas mas no caso do primeiro, o Windows 10 se oferece o tempo todo para cuidar dos arquivos do usuário pela conveniência. Salvou um documento ou uma foto nova? Lá vem o OneDrive. Muita gente acha a oferta tentadora e embarcam sem saber que o limite gratuito é de apenas 5 GB, e tão logo ele se esgote o sistema passa a oferecer os planos pagos. O Office é igual: ele possui uma versão livre na Windows Store que é oferecida inicialmente mas ela é muito limitada, e o sistema lembra o usuário o tempo todo das vantagens do Office 365. Não obstante, a pasta padrão da suite de aplicativos não é mais a Documentos, e sim a do OneDrive. Claro que tudo pode ser mudado, mas lembre-se que muitos usuários serão a turma que ainda chamará o Edge de “ezinho da internet”.

No fim das contas a Microsoft precisa de dinheiro, como toda empresa. É esperado que o Windows 10 seja monetizado de maneiras agressivas e bem espertas, o que sempre nos lembra de que nada é de graça. Mesmo que não seja dinheiro há sempre uma forma que pagaremos pelo uso de produtos e serviços.

Fonte: PC World.

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