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Marinha dos EUA usando tecnologia de navegação do Século XVIII

E a Marinha do Tio Sam se tocou de uma grande besteira, e correu para corrigir: em 2008 pararam de ensinar astronavegação para os alunos da Academia Naval. Agora perceberam que se a rede GPS cair ficarão todos perdidos. Correram atrás e os alunos voltaram a aprender como se navegava antes da bússola a vapor.

25/02/2016 às 20:31

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Nos primórdios da navegação, como todo mundo que jogou Civilization sabe, os navios seguiam as costas, mas com o tempo fomos nos aventurando para o mar alto, o que complicou muito a situação. Uma bússola só não resolve quando precisamos saber nossa posição no mapa, e sem pontos de referência, continuamos perdidos.

Uma forma de achar sua posição era usando as estrelas, e com o advento de relógios precisos se tornou possível calcular latitude e longitude com precisão. O Mar não era mais morte certa, mas um lugar a ser explorado.

Mesmo hoje usamos as estrelas. Na Terra navegamos por corpos celestes artificiais, nossas constelações de GPS, GLONASS, GALILEU e o sistema chinês. Em breve, o Indiano também. No espaço, as sondas determinam sua posição usando estrelas.

A ferramenta fundamental para isso é o sextante.

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Com ele você determina o ângulo de um corpo celeste em relação ao horizonte. Sabendo a hora em um ponto fixo (no caso Greenwich) você consegue determinar sua latitude, e com a invenção dos relógios precisos, longitude também. Há bastante trigonometria envolvida, além de cartas e tabelas, então o uso de navegação celeste foi sendo descontinuado em situações onde não se pode perder tempo.

A Marinha dos EUA não viu sentido em ensinar navegação celeste quando um simples GPS resolve, e em 2008 pararam de ensinar a técnica na Academia Naval, mas agora se tocaram que fizeram uma grande bobagem.

Sistemas de navegação eletrônicos ficam sem baterias, são sujeitos a interferência e se um hacker da Melhor Coréia criar uma GUI em Visual Basic para determinar os IPs dos satélites GPS e desligar todos, a única forma com que o USS Nimitz terá para se localizar é um Guia Rex.

Ensinar teoria e prática de navegação celeste é essencial: é um backup que nenhuma tecnologia inimiga consegue afetar, nenhuma falha de energia ou pane geral consegue impedir que um sextante seja usado. A própria NASA sabe disso, e as naves Apollo levavam isto:

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É um sextante para astronavegação, usado como backup e para confirmar e regular o sistema de navegação principal.

A Academia Naval voltou a ensinar navegação celeste, para desespero dos alunos e alegria dos velhos lobos do mar, que não precisam se preocupar com as crianças, perguntando se estão lembrando de levar pilhas pro GPS antes de embarcarem em missões.

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Só porque existe uma tecnologia mais prática não quer dizer que você não deve aprender o básico. Esquecer disso gera uma cultura de caixas-pretas onde alguns iluminados detêm o conhecimento e o populacho é mero usuário. Isso infelizmente se tornou a regra, a ponto de uma vez eu ter visto uma analista de suporte de uma grande estatal brasileira na área de petróleo olhar um PC aberto, apontar para os chips e perguntar:

O que são esses quadrados pretinhos?

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