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Um Pendrive Espacial. Sério.

Acha que é simples escolher um pendrive para usar no espaço? Não, não é. Há procedimentos, muitos procedimentos…

4 anos atrás

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Como Elon Musk foi relembrado anteontem, no espaço nada é fácil, nada é simples. Até dormir é complicado. Aqui você está com sono, vira pro lado e dorme. No Espaço, se o sistema de circulação de ar parar de funcionar o CO2 que você exala irá se acumular e você morrerá sufocado.

As atmosferas das naves em si podem ser perigosas. O pessoal da Apollo 1 morreu por causa de um incêndio descontrolado, causado pela atmosfera de oxigênio puro. Essa decisão de projeto permitia que a pressão fosse de 1/3 de atmosfera. Isso permite naves mais leves, pois resistir a uma atmosfera não é fácil. Lembre-se daquele vagão-tanque ligado a uma bomba de vácuo:

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Uma nave espacial é isso, mas ao contrário. Essa mesma força de dentro pra fora, a única resistência é a estrutura da nave. Por isso americanos preferiam menos pressão e mais oxigênio. Russos, que eram mais adeptos da tecnologia pé de boi, usavam pressão e atmosfera normal, 20% de oxigênio 80% de nitrogênio. Hoje a ISS usa essa composição.

Mesmo assim as coisas mais simples precisam ser preparadas para o ambiente espacial. Lápis, apesar da velha anedota, não são uma boa: grafite flutuando entra no olho, entra no pulmão e pior, entra pelas frestas dos equipamentos eletrônicos. Qualquer coisa que pegue fogo é vista com muitos maus olhos.

Isso ficou exemplificado com o pendrive da foto acima, é o disco recuperação do SODI-DCMIX, um equipamento que fará experiências químicas por 3 anos. A rigor não há porque dar defeito, mas ninguém confia na sorte, e a Agência Espacial européia preparou um disco de emergência.

SODI-DCMIX 3

SODI-DCMIX 3

É um pendrive de 8 GB, comprado em loja (ou mais provavelmente achado em uma gaveta) mas teve que ser preparado.

Furos foram feitos para evitar diferenças de pressão. Desmontado, removeram todas as etiquetas de papel, para evitar incêndios. As partes de borracha e os selantes de silicone também foram removidos, pois são inflamáveis e/ou soltam fragmentos.

Foi adicionado um suporte para que mesmo com luvas seja fácil manipular o pendrive, ganhou um número de série e, para terminar, o LED foi coberto para evitar distrações, afinal só em ficção as pessoas gostam de naves que parecem penteadeiras de damas que trocam favores por dinheiro.

Depois disso o pendrive passou por uma penca de testes e certificações, e só então foi para a unidade de transporte, para muito provavelmente nunca chegar a ser usado.

Pode parecer extremo preciosismo, mas pousamos na Lua graças ao Falha não é uma opção e não graças ao pra quem é tá bom, Zé, esse foguete só sobe no fim do mês mesmo…”.

Fonte: ESA.

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