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Rio 2016 — nossos Jogos Olímpicos serão maiores que os de Londres… no tráfego… de dados

Claro, NET e Embratel, empresas patrocinadoras oficiais de serviços de telecomunicações dos Jogos Olímpicos Rio 2016, prometem uma infraestrutura gigantesca para transmitir ao vivo o evento internacional. A internet carioca vai melhorar com essa infra de telecom?

08/06/2016 às 23:45

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O tio Laguna não consegue ser ufanista o suficiente para apoiar sem qualquer ressalva a escolha do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Verão 2016. Se dependesse de mim, concordaria com o Gizmodo em simplesmente cancelar o evento e transferi-lo para outra cidade de outro país.

Infelizmente é bem tarde para isso, então apenas torço para que o evento não tenha maiores tragédias com sua infraestrutura. Algumas das empresas patrocinadoras do evento prometem garantir a melhor infraestrutura de rede possível para um evento internacional desse grande porte que é a Olimpíada.

Tratam-se das empresas pertencentes ao grupo América Móvil.

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O grupo América Móvil é o dono da Claro, NET e Embratel, empresas patrocinadoras oficiais de serviços de telecomunicações dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Tal grupo pretende cortar investimentos no país e no mundo, por causa da crise, mas o evento é uma oportunidade para brilhar e crescer. Claro, NET e Embratel investiram R$ 30 bilhões nos últimos três anos, boa parte deles na infra de telecom do evento que fará a cidade receber pelo menos 1,5 milhão de visitantes.

Na Olimpíada Rio 2016, espera-se que haja picos de mais de 50 mil dispositivos conectados simultaneamente nas instalações olímpicas, então prepararam o seguinte: o Backbone Olímpico Embratel é constituído de 370 km de fibra óptica conectando 60 mil pontos de acesso em mais de cem instalações a quarenta gigabits por segundo (40 Gb/s). Na parte de conectividade móvel, a Claro diz que instalou 97 novas estações de transmissão 3G e 4G. Tudo isso prevendo um tráfego de mais de 4 vezes o visto nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

É muita coisa: essas empresas desejam evitar os problemas que o público teve na Copa do Mundo em 2014, especialmente na abertura e encerramento do evento… Ah, tá, vamos parar um pouco com essa bobajada típica de press release que os blogs chapa branca replicam, impressionados com os números grandes.

O que isso tudo significa?

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Banco de modems 3G/4G em cima de uma câmera de TV, para tentar garantir link HD ao vivo

Significa que os links ao vivo das emissoras oficiais no IBC — International Broadcast Centre transmitirão ao vivo as 7 mil horas de imagens geradas pela Olympic Broadcasting Services a 5 bilhões de telespectadores de 200 países. Traduzindo: muita internet apenas para inglês ver as atletas bem definidas na TV.

Sério que alguém acha que essa infraestrutura toda vai beneficiar os usuários de internet na região? A Copa do Mundo 2014 impulsionou sim as redes de telefonia 4G nas cidades-sede daquele evento, mas o tio Laguna duvida muito que o serviço de internet carioca melhore de forma significativa com a Olimpíada.

E mesmo que a cobertura da internet fixa e móvel melhore no Rio de Janeiro, o efeito não vai ser replicado no restante do país por motivos óbvios: a Anatel não vai protestar contra limites na internet fixa. As operadoras querem limitar e vão usar qualquer desculpa. E o consumo de dados pelos brasileiros vai aumentar. Muito.

Segundo a Cisco, o consumo médio de banda por cada brasileiro foi de 15,8 GB mensais em 2015. E passará para 32,5 GB por mês para cada cidadão em 2020. A média das residências no país foi de 41,6 GB mensais; e pode passar para 86,9 GB mensais em 2020.

Gostaria de propor aos leitores cariocas um teste: durante as Olimpíadas, só de sacanagem, tentem colocar algo no Netflix ou YouTube.

Se muita, mas muita gente mesmo fizer isso e a conexão não tiver problemas, então a tal infra de telecom carioca foi mesmo melhorada. Caso contrário, esse press release todo era apenas um disfarce: a atual infraestrutura teria sido apenas remanejada para os clientes que realmente importam.

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