Meio Bit » Baú » Engenharia » Como a CIA resolveu o problema do contrabando de armas que ela mesma forneceu

Como a CIA resolveu o problema do contrabando de armas que ela mesma forneceu

Como você faria se seus rebeldes de estimação tivessem tendência a sumir com as armas que você dá para eles, e até usá-las contra você em tempos futuros? A CIA está resolvendo isso com… smartphones.

27/02/2016 às 9:01

darkadarkadarka

Há toda uma tradição entre as superpotências de bancar guerras alheias, quando é do interesse deles. Seja os EUA invadindo vários países da América Central por causa de bananas, seja os russos financiando Cuba e Angola, seja os EUA invadindo Granada para combater os rebeldes financiados pelos russos, seja o americano que foi presidente da Nicarágua por uns dias, seja China e Rússia bancando os Vietcongs enquanto os americanos vão ajudar os franceses, seja os russos invadindo o Afeganistão e os americanos armando os rebeldes, ou os americanos invadindo o Afeganistão e os russos armando os rebeldes… a lista é imensa.

Essas operações têm em comum a preferência para que os dois lados se matem sozinhos, a gente só fornece as armas, mas invariavelmente elas vão parar no mercado negro. E, inevitavelmente, serão usadas contra você quando for sua vez de invadir o país.

Manter controle do inventário era impossível, basta o sujeito dizer que perdeu o míssil Stinger na floresta, ou que derrubou um helicóptero russo, verdade, juro. Era preciso uma solução onde você teria que mostrar que a arma foi usada, e que foi usada de forma correta, não exterminando aldeias inocentes. Essa solução teria que ser simples, barata, adaptada para dezenas de armas diferentes e não exigir treinamento específico complicado.

A member of the 'Ansar Dimachk' Brigade, part of the 'Asood Allah' Brigade which operates under the Free Syrian Army, uses an iPad during preparations to fire a homemade mortar at one of the battlefronts in Jobar, Damascus September 15, 2013. REUTERS/ Mohamed Abdullah

Qual essa solução? Um celular.

A CIA botou ordem no barraco, agora para conseguir munição de reposição, os rebeldes precisam entregar vídeos com as armas sendo usadas, e mostrando bem claro os modelos e os alvos. Isso evita que mísseis anti-tanque sejam usados contra civis ou soldados sem proteção, o que convenhamos é sacanagem (mas acontece).


Sky News — Syrian Rebel Blows Up Russian Helicopter With Anti-Tank Missile

Os vídeos, antecipando algo que Tom Clancy previu no excelente O Urso e o Dragão também servem como propaganda, por isso são disponibilizados no YouTube, o que também evita a necessidade de colocar na mão dos rebeldes links criptografados que valeriam uma grana na mão dos russos.

A estratégia é tão boa que os russos, os sauditas, os turcos e todo mundo que está fornecendo armas copiou a idéia e está exigindo vídeos também.


WW3 — Syria FSA Konkurs ATGM attacks compilation

Não serve de consolo pra quem acaba do lado errado desses mísseis, mas ao menos é uma tentativa de diminuir seu uso indiscriminado. Notem: as palavras-chave são tentativa e diminuir.

Leia mais sobre: , , , , .

relacionados


Comentários