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Uber caprichou no cigarrinho de artista e agora sonha com carros voadores

Uber quer revolucionar o transporte com carros voadores, ou quase. Quais as chances de isso acontecer? Bem, talvez depois de 90 anos que os futuristas preveem isso, seja chegada a hora. Ou, como é mais provável, talvez só em mais outros 90 anos.

30/10/2016 às 14:00

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É um processo que se repete. Empresas que ganham dinheiro demais acabam cedendo aos desejos de diretores que não sabem dizer não, e investem em tecnologias que simplesmente não funcionam, não são viáveis e nunca (ao menos em um período de uns 250 anos) serão.

É o caso do Uber e seus carros voadores.

Ok teeecnicamente não são carros, mas quase. São aeronaves VTOL semi-automatizadas.

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A idéia do Uber é que você vai morar nos subúrbios (nos EUA isso é chique) e uma viagem de carro de 100 minutos entre seu trabalho e o condomínio de luxo onde mora será feita em apenas 18 minutos, com um AeroUber pousando no telhado.

São ousados até no preço. A corrida no Uber X custaria US$ 111,00. No AeroUber, US$ 129,00.

Um futuro lindo, Jetsons, 5º Elemento, Back to the Future, com o céu cheio de carros voadores.

Bastante dinheiro foi gasta nessa pesquisa, explicada neste post do Medium e publicada como um trabalho completo, de 98 páginas.

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Como nem eu nem você temos uma semana, vamos apenas aos pontos principais que inviabilizam essa bagaça:

Carros voadores são um sonho antigo. Todos os protótipos construídos até hoje falharam, por um motivo simples: você está acrescentando complexidade. Ao criar algo que não é nem um carro nem um avião, está criando algo com os problemas dos dois.

Eu sei, todo mundo sonha com carros voadores de decolagem vertical, até os turbofans chuparem o cachorro do vizinho. O mundo aqui fora é cheio de detritos, lixo nas ruas, pardais e coisas que entram em motores.

As cidades por sua vez são péssimo lugar para voar. Ruas cheias de fios, postes e outdoors. Estacionar “na rua” não será possível.

Alto de prédios também não é uma possibilidade, a imensa maioria já está ocupada, nem possui infraestrutura para um heliponto.

Esse avião do Uber representará um aumento no tráfego aéreo das cidades, afetando as rotas dos aeroportos. Também temos o problema da confiabilidade. Se um Uber dá defeito ele encosta no acostamento. Se um Aero Uber dá defeito, ele cai.

No paper questionam o motivo dos motores de aviação custarem tão caro. Esse é um dos motivos, precisam ser muito mais confiáveis, e mesmo assim, como vimos esta semana, de vez em quando falham. Traduza isso para centenas de Aero Ubers pela cidade.

Há outro problema: custo de manutenção. Aviação não é bagunça. Você precisa fazer revisões e certificações regulares, o desgaste dos componentes é muito maior. Há um motivo para hora de vôo ser tão cara. O Uber usa como exemplo de aeronave o V-22 Osprey.

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Péssimo exemplo, a hora de vôo do Osprey custa US$ 83.256. Ele é uma aeronave que levou quase 20 anos para ser aperfeiçoado e matou muita gente no processo. O Uber quer esperar tanto tempo?

Também não será possível pegar um pedagogo desempregado para dirigir o Aero Uber. As autoridades de aviação não gostam da idéia de gente não-qualificada pilotando. Você terá uma aeronave nova, não-testada, o que exigirá pilotos experientes, e isso custa beeem caro.

Ruído é um problema. O Uber diz que resolverá isso com motores elétricos. Errr… não. O grande ruído de um helicóptero não é do motor, mas das hélices gerando ruído aerodinâmico.

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Carros voadores e transportes futuristas urbanos sempre frequentaram a capa das revistas de divulgação científica, mas nunca saíram delas. Máquinas voadoras tendem a cair se não forem muito bem pilotadas e cuidadas. Pessoas que não se lembram de trocar o óleo do carro com a luz apitando no painel nunca serão capazes de manter um jetpack em condições de uso.

Uma dica: helicópteros existem faz tempo, cumprem as mesmas funções desses aviões do Uber, e nunca se tornaram baratos confiáveis e práticos o bastante para transporte de massa.

Claro, você pode dizer que o Uber está certo pois fatura bilhões, e que desta vez vai dar certo. Quem sabe eles não investem também em cidades submarinas, já que adoram projetos historicamente inviáveis?

Fonte: Popular Science.

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