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Vint Cerf recomenda que você imprima suas fotos

Mesmo com o grande avanço da tecnologia digital na fotografia, a melhor forma de guardar suas imagens ainda é a boa e velha impressão em papel.

13/02/2015 às 14:06

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Tudo bem, o alerta não foi somente sobre fotos, mas sobre tudo o que temos armazenado hoje de forma digital, porém a relação com a fotografia é muito importante. Vint Cerf, um dos pais da internet, alardeou sua preocupação com a perda das informações que temos hoje armazenadas, principalmente se não temos uma forma de guardar as tecnologias que são utilizadas para reproduzi-las. Isso me lembra dos arquivos RAW das empresas que são completamente diferentes entre si, até mesmo entre câmeras da mesma empresa. A cada novo lançamento é preciso atualizações de software para os arquivos possam ser editados. Em meio à essa preocupação de Vint temos o aviso “Se há fotos com as quais você realmente se importa, imprima-as”. Você pode ver a notícia completa no site da Folha de São Paulo, mas o que interessa para nós, amantes da fotografia, é que esse senhor está completamente certo.

Alguns anos atrás eu estava olhando as fotos que minha avó guardava em seu armário. Encontrei em uma caixa uma pequena quantidade de fotos grandes, tamanho 20 × 25 cm, que estavam acomodadas em molduras de papel cartão ricamente decoradas e com folhas de papel algodão para proteção da imagem. O produto, que não deve ter custado barato, poderia ser a recordação de um casamento, uma sessão de retratos familiar ou uma foto de formatura, Mas, na verdade, eram fotos de velórios. Era costume contratar um fotógrafo profissional para registrar a última foto do parente morto. Era guardado de recordação ou para mostrar para os parentes que não puderam comparecer ao funeral. O caixão, antes do enterro, era levado para o terreiro, colocado em pé, aberto, e a família posava para o retrato ao lado do morto. Hoje esse é um costume estranho, mas essa história não serve para julgar o que nossos antepassados fizeram, mas para lembrar que cada uma dessas fotos possui mais de 70 anos de idade. Estão impressas em papel e perfeitamente conservadas. E você que está lendo esse texto, possui as primeiras fotos digitais que fez em sua vida?

Quando a fotografia digital chegou com força no Brasil (no começo da década de 2000) as pessoas viram aquilo como uma possibilidade de fugir dos altos custos da revelação das fotos. Tudo bem que as câmeras custavam os olhos da cara, mas o consumidor compensava o custo a longo prazo, já que nunca mais iria ter que imprimir uma foto. E foi assim que as pessoas começaram a fotografar como se não houvesse amanhã, guardando suas milhares de imagens em seus computadores, mandando por e-mail para os parentes, ou simplesmente colocando no Fotolog. Nessa época, centenas de laboratórios fotográficos pelo Brasil fecharam suas portas, pois tinham apenas a revelação de fotos e venda de filmes fotográficos como fonte de renda. Quem sobreviveu foi o pequeno grupo que conseguiu diversificar os produtos oferecidos. Porém, com o tempo (e nem foi muito tempo assim) as pessoas começaram a perceber que o digital não era o mais seguro meio de guardar suas lembranças familiares.

Querendo ou não, a fotografia que fazemos em nossos lares, com nossa família, com nossas experiências, é o relato perfeito daquilo que somos. É nossa memória familiar, ponto de registro para evolução de nosso grupo social. A fotografia, quando chegou ao cidadão comum, permitiu que cada indivíduo registrasse sua própria história. Todos agora, e não somente as pessoas famosas, teriam o direito de terem seus feitos e imagens registradas para a posteridade. Quando esses arquivos digitais começaram a se perder em HDs defeituosos, formatações feitas sem backup, ou simplesmente deletados acidentalmente, as pessoas começaram a perceber que parte importante de suas vidas estava indo para o ralo.

E qual é o resultado de tudo isso? Depois de anos de quebradeira e laboratórios fechando, nos últimos 3 anos o número de fotos impressas no Brasil vem crescendo de forma contínua. Isso mesmo, as pessoas voltaram a imprimir suas fotos. Os laboratórios já perceberam isso e estão apostando em novos papeis, tecnologias e até a venda de foto-presentes estão subindo. No estúdio percebemos que os clientes preferem comprar os pacotes onde a impressão de fotos está acoplada. Queremos o digital para compartilhar nas redes sociais, mas queremos também a foto impressa para guardarmos para sempre. É nesse ponto que o papel é imbatível. Sem falar também que uma foto impressa em um equipamento de qualidade supera em cor, brilho e nitidez qualquer monitor de computador ou TV.

Se você vê a memória familiar como uma coisa importante e quer guardar suas imagens, independente se serem feitas com câmeras ou celulares, eu indico que procure um laboratório de qualidade e comece a imprimir uma seleção de fotos por mês. Ao final do ano faça um álbum com os melhores momentos de sua história. Seus filhos, netos e bisnetos vão agradecer esse esforço. E utilizando a velha máxima da fotografia: foto boa é foto no papel.

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