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“Robôs vão nos dominar e usar como pets” — Woz

A boa notícia é que não vamos mais ser mortos horrivelmente no inevitável apocalipse robótico. A má notícia é que, ao menos segundo Steve Wozniak, as máquinas nos deixarão viver mas nos usarão como animais de estimação.

29/06/2015 às 14:48

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Nos primórdios da Ficção Científica robôs malvados eram apenas ferramentas, programadas e comandadas por homens malvados. Não tinham vontade própria. Com o tempo foram ganhando mais autonomia, e inteligência artificial vilã se tornou padrão. Filmes como Colossus, séries como Dr Who mostravam máquinas malvadas e implacáveis.

Do outro lado autores como Clarke e Asimov trabalhavam a idéia de robôs neutros, ou malvados com motivo. HAL 9000 estava apenas cumprindo ordens contraditórias. Joshua só queria rodar jogos de guerra, como foi programado pra fazer. 

A verdadeira Inteligência Artificial, ao menos na ficção oscila entre a benevolente e a maligna, na vida real os pólos são opostos mas diferentes. Hoje ela oscila entre a maligna e a não-existente.

De um lado temos gente de peso como Roger Penrose, que defendem que Inteligência não é algo computável (ref: A Mente Nova do Imperador). Agora Miguel Nicolelis se junta ao grupo (ref: O Cérebro Relativístico) afirmando que um cérebro não pode ser reproduzido em uma Máquina de Turing.

Do outro temos Stephen Hawking, Bill Gates, Elon Musk e agora Steve Wozniak, que durante uma apresentação no Freescale Technology Forum 2015 apresentou uma terceira opção no mínimo curiosa.

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Woz diz que a Inteligência Artificial será muito mais inteligente do que nós, e por isso irão preservar a Natureza, e nós somos parte da Natureza. Ele diz que as Máquinas — e aqui está sendo extremamente otimista ou nunca assistiu Battlestar Galactica — cuidarão de nós pois somos seus deuses originais.

Ele termina dizendo que se surpreenderia se as Máquinas se voltassem contra nós, mas que seremos animais de estimação, e elas cuidarão da gente.

Eu adoro o Woz, mas acho que ele está sendo incrivelmente otimista. O cenário apocalíptico mais provável é o proposto por Nicolelis, que fala de uma digitalização do cérebro, com nossas mentes se moldando às máquinas, e não o contrário. Quando começarem a surgir “próteses” cerebrais esse caminho será sem volta. Quem abriria mão de acessar todos os seus filmes, enviados direto pro córtex visual, imersão total?

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A Humanidade abraça sem problemas próteses que melhorem nosso desempenho no dia-a-dia, hoje elas fazem tão parte de nós que não entendemos mais como não-naturais. Quer dois exemplos? Óculos e sapatos.

Isso não tem nada a ver com aquela bobagem de Singularidade do Ray Kurzweil, é mais o contrário do Homem Bicentenário, de Asimov.

As duas hipóteses são assustadoras, mas não gosto da idéia de abrir mão da flexibilidade de meu cérebro analógico. Se for pra escolher, fico com o futuro do Woz, onde vou comer, dormir e ter um robô pra limpar minha caixa de areia.

Fonte: Russia Today.

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