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Steven Spielberg prevê o declínio dos filmes de super-heróis

Polêmica! Steven Spielberg faz uma previsão sobre o futuro dos heróis no cinema: gênero vai se desgastar e sumir, como ocorreu com os de faroeste

04/09/2015 às 13:31

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Alguns anos atrás o diretor Steven Spielberg deu uma declaração um tanto amarga: por conta dos problemas que teve com Lincoln, ele disse que no futuro a indústria do cinema iria passar por uma mudança de paradigma, causada pelo fracasso de novas películas de grande orçamento principalmente por competirem com os grandes blockbusters. De lá para cá isso realmente aconteceu, vide os resultados fracos de Transendence, entre outros.

Isso não é de hoje, Spielberg é raposa velha da sétima arte e quando ele fala, todo mundo para e escuta. Sua nova declaração, entretanto, deixou os nerds mundo afora fulos: em entrevista ele afirmou que a onda dos filmes de heróis vai passar, tal como aconteceu com os de faroeste no passado.

Spielberg, que está divulgando o filme Ponte dos Espiões — estrelado por Tom Hanks e que estreia no Brasil no dia 15/10; a história gira em torno de um advogado recrutado pela CIA para recuperar um piloto americano preso na URSS, em plena Guerra Fria — deu uma entrevista à rede AP falando sobre sua nova empreitada. Só que lá pelas tantas o diretor foi questionado sobre o que ele acha do mercado hoje, lembrando-o da declaração de 2013. Ele disse o seguinte:

Eu ainda me sinto da mesma forma (em relação à 2013). Nós estávamos aqui quando os filmes de faroeste morreram e vai chegar um momento em que os de super-heróis seguirão pelo mesmo caminho. Isso não quer dizer, entretanto que não haverá oportunidades para um revival do gênero.

No momento filmes de heróis estão muito bem, obrigado. Só estou dizendo que esses ciclos da cultura popular duram por um tempo. Vai chegar um momento em que esse tipo de narrativa mitológica será substituído por um novo gênero que muito provavelmente algum jovem cineasta está descobrindo neste momento.

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Capitão América: Guerra Civil — um dos mais aguardados pelo público

Vamos avaliar a declaração. Primeiro, Spielberg não chegou ontem no cinema e sabe do que está falando. Ele próprio é mestre em absorver o imaginário popular e entregar filmes que atraiam o espectador de acordo com o que ele quer ver. Nos anos 1970, com o boom de filmes catástrofe e de monstros tivemos Tubarão; E.T. e Contatos Imediatos chegaram para alimentar o desejo daqueles que queriam material sobre alienígenas; quando dinossauros estavam em alta ele se aliou a Michael Crichton e cometeu Jurassic Park; e foi um dos responsáveis pela ascensão dos filmes de guerra com O Resgate do Soldado Ryan. Spielberg é inclusive um dos culpados pela introdução de material nonsense em animações, algo que foi pincelado em Tiny Toon e levado aos extremos com Animaniacs e principalmente, Freakazoid.

Mesmo o gênero super-heróis não foi de todo ignorado por Spielberg. Embora seja ideia de George Lucas, Indiana Jones nada mais é do que um anti-herói como muitos que vieram depois, e sua mão é notável em todo canto. Portanto Spielberg sabe do que está falando porque já viu isso acontecer antes, estando ele do lado de dentro da indústria.

Não é como se não soubéssemos que algo assim vai de fato ocorrer no futuro, só que não agora. O interesse do público é de fato cíclico, o assunto que bomba hoje pode ser insuportável daqui a alguns meses. Saindo um pouco do cinema e indo para a música, é só lembrar do cenário Pop-Rock no Brasil nos anos 1980, substituído pelo crescimento da música sertaneja. De uma hora para outro todo mundo enjoou.

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Batman v Superman também gera altas expectativas

Assim, é errado as produtoras como Marvel e DC (ou mais corretamente, Disney e Warner) capitalizarem até a última gota? Não, porque fatalmente chegará o dia em que o espectador vai dizer “pô, de novo?” e não vai mais pagar pela atração, indo assistir outra coisa. Portanto a ordem é aproveitar enquanto der, não há nada de novidade na indústria quanto a isso.

O problema é que muita gente está doida com Spielberg e sem razão. Ele não falou nenhuma mentira, o cinema funciona assim queiram ou não. E além disso ele deixou claro que “possibilidades de um revival” sempre acontecem. O próprio gênero de faroeste tem sido revisitado de tempos em tempos, e um dos responsáveis é o preferido de muita gente Quentin Tarantino. Ele, que brinca com filmes de bangue-bangue desde sempre entrou com os dois pés no filão com a revisão de Django, e agora promete entregar um épico na forma de The Hateful Eight.

http://www.youtube.com/watch?v=gnRbXn4-Yis

THE HATEFUL EIGHT - Official Teaser Trailer - The Weinstein Company

Enfim, é algo a se pensar. Se os filmes de super-heróis vão durar ou não, cabe ao futuro. Enquanto isso a agente aproveita e se diverte, e se o público de fato rejeitar em massa tanto quanto consome hoje paciência, restará esperar pela retomada por alguém pequeno e interessado que diga "olha só, podemos ganhar dinheiro com isso". Exatamente como fez a New Line Cinema em 1998, que distribuiu um filme escrito por David S. Goyer (hoje mais conhecido pelos roteiros da trilogia do Nolan) e produzido pela Marvel, sobre um caçador de vampiros…

Fonte: Associated Press.

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