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Geração conectada: em vez de castigar os filhos sem TV, agora os pais confiscam o tablet

Tortura em Vídeo? Pesquisa nos EUA sugere que as crianças preferem o smartphone ou tablet à televisão: para castigar os filhos pequenos, os pais da atual geração precisam confiscar o iPad, pois este tem sido o atual sinônimo de entretenimento, a principal tela dos pequenos.

10/07/2015 às 21:48

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O iPad é a nova televisão? (crédito: Graziadio Voice)

O tio Laguna é um sujeito que foi criado pela televisão aberta da década de 1990. Desconheço o rádio. Quando não plugava o Master System ou o Super Nintendo, o CRT da Sharp era ligado em algum canal aberto. Preferencialmente no SBT.

O televisor era o meio mais barato de passar o tempo. Quando eu não conseguia assistir ao filme no cinema nem alugar o VHS na locadora do bairro, o jeito era esperar o longa metragem aparecer na Tela Quente. Seriados? Certas emissoras se davam ao luxo de maltratar o público, deixando de exibir os episódios finais de algum “enlatado”.

Mesmo a TV aberta sempre tendo uma programação de qualidade extremamente questionável, sobretudo nos finais de semana, a década de 1990 deixou ao menos uma saudade para mim: a Rede Manchete e seu conteúdo nipônico. Muitas crianças não saberão o que é tentar adivinhar o horário em que passava excelentes animês como Yu Yu Hakushô, que inclusive não deveriam ter sido assistidos por crianças.

Duas décadas depois, o advento dos smartphones e tablets fez com que o televisor deixasse de ser a tela preferida da atual geração.

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Brigar pelo controle remoto do televisor? Melhor ficar no tablet mesmo (crédito: Huffington Post)

Enquanto boa parte dos pais, de uma geração anterior, usam o smartphone ou tablet para comentar o que está passando na TV nas redes sociais, os filhos vêem a televisão tradicional como castigo. Isso mesmo, os televisores são a segunda ou mesmo terceira tela dos pequenos.

É o que aponta o novo estudo da Miner & Co. Studio, publicado segunda-feira (06/07): mais da metade (57%) dos pais entrevistados afirmam que seus filhos (menores de idade) preferem assistir vídeos no smartphone ou tablet em vez do televisor. Foram 800 famílias entrevistadas nos Estados Unidos.

Quando precisam castigar os filhos, quase metade das famílias entrevistadas confiscam deles o smartphone e/ou tablet. Isso obriga os pequenos a assistirem somente televisão pois basicamente o iPad substituiu o computador pessoal desktop na civilização. TV virou Tortura em Vídeo.

TV2ndScreen 2015 from Miner & Co. Studio

Aliás, 41% desses pais de filhos pequenos dizem que as crianças preferem demorar um pouco mais no smartphone ou tablet a ter sobremesa de imediato. Enquanto o doce pode esperar; os vídeos que as crianças conferem no tablet, não.

A televisão é um lixo”, segundo as crianças entrevistadas.

Ano após ano, canais específicos voltados às crianças como Cartoon Network e Nickelodeon vêm perdendo audiência lá nos Estados Unidos, coisa de 30% na atual década. Particularmente acho que a programação de tais canais era melhor no passado, mas divago.

Com tal queda na audiência infantil, não à toa a Viacom lançou na civilização a versão streaming do Nickelodeon: as crianças hoje querem ter o conteúdo na hora, sem ter que esperar por horários específicos; muitos adultos, também. Essa é a geração do streaming e do binge-watching.

No Brasil, o tio Laguna acha que um fenômeno parecido está ocorrendo.

Embora as conexões à internet oferecidas pelas operadoras ainda sejam muito ruins, os aparelhos usados pelo povo sejam mais simples e a cultura da pirataria graças à Lei de Gérson impeça muitos de assinarem serviços de streaming como o Netflix, é notável que a audiência das telenovelas brasileiras no horário nobre esteja caindo. Elas, as telenovelas, continuarão sendo o principal produto de exportação das emissoras brasileiras, mas estão pouco a pouco deixando de ser o principal assunto das conversas do cotidiano brasileiro.

As emissoras abertas estão se mexendo para se adaptar aos novos tempos, embora o grosso da publicidade ainda esteja voltado para essa velha mídia.

Fonte: Advertising Age.

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