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Dev de Hotline Miami 2 diz a australianos: "pirateiem o game"

Após Hotline Miami 2 ser censurado na Austrália, desenvolvedor recomenda a locais que pirateiem o game para que não fiquem sem jogá-lo

16/01/2015 às 16:01

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A Devolver Digital gosta de se meter em polêmica. Primeiro foi o ocorrido com Luftrausers, o game da Vlambeer que ela distribuiu que fazia claras referências à Alemanha nazista e colocava os aliados como os vilões do jogo. Não muito depois foi a vez de Hotline Miami 2: Wrong Number ser alvo de pesadas críticas devido não só à violência exagerada, mas também devido uma cena que sugere estupro (a abertura do game; há um contexto, mas mesmo assim é algo desagradável e já aviso: se você se ofende, nem veja).

Não é de se estranhar portanto que a Austrália tenha chutado o game de seu país, justamente por essa cena. Só que o desenvolvedor chefe da Devolver Jonatan Söderström quer que todos joguem, o que o levou a recomendar os australianos a apelarem para a Locadora.

A gente sabe que o comitê de classificação australiano é extremamente rígido, banindo todo e qualquer game minimamente mais violento que Super Mario. A readequação da classificação etária, que permite games para até 18 anos (antes o limite era PG15) só existe no papel, na prática nada mudou. Hotline Miami 2 foi recusado, o que efetivamente o impede de ser comercializado na terra do Crocodillo Dundee, mas normalmente estúdios reprogramam seus títulos, removem as partes ofensivas e lançam uma versão dedicada, mais leve. Isso rendeu uma boa piada com South Park: The Stick of Truth por exemplo.

A Devolver Digital decidiu que não vai fazê-lo. E mais: ao ser questionado sobre como os australianos fariam para jogar Hotline Miami 2, Jonatan Söderström foi categórico: “podem piratear”.

Em uma conversa mais esclarecedora, Söderström disse que “dinheiro nunca foi minha prioridade” e que prefere que as pessoas curtam seus games, logo...

Se não há nenhuma outra forma de meu game ser apreciado na Austrália, é óbvio que não vou me importar que eles o pirateiem.

É fato que a cena que levou ao banimento da Austrália seja desagradável e desnecessária (o que me faz pensar se dessa vez o comitê não está com a razão), e tudo poderia ser resolvido se ela fosse simplesmente deletada, o que na minha opinião seria a melhor opção. Só que Söderstrom, que já havia incentivado jogadores a baixar torrentes do primeiro Hotline Miami quando os mesmos tiveram problemas com a distribuição oficial acha melhor perder dinheiro do que deixar os jogadores sem um título que gostam.

Embora aprove esse ponto em não implicar com quem apela para a distribuição ilegal (algo que não encorajamos por aqui), questiono se não seria melhor simplesmente remover uma cena que não acrescenta em nada e mais uma vez reacende a discussão sobre o tratamento dado às mulheres nos games.

Fonte: E.

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