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Cientista louco argentino preso ao tentar vender armas nucleares pra Venezuela

Parece coisa de filme. Ok, mais precisamente parece coisa do SyFy: um cientista nuclear argentino, naturalizado americano e que trabalhou em Los Alamos foi preso ao oferecer à Venezuela 40 armas nucleares, incluindo uma para ser lançada em NY.

6 anos atrás

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Nos anos 60 EUA e Canadá resolveram que Julio Verne não era necessariamente ficção científica, e a idéia de usar um canhão para lançar objetos ao espaço tinha seus méritos. Liderado por um sujeito chamado Gerald Bull, o Projeto HARP (não confundir com o HAARP, o dos terremotos, furacões, 11 de setembro, etc).

O High Altitude Research Project montou em uma ilha do Caribe vários canhões, incluindo um monstro naval de 410 mm. Entre vários testes eles conseguiram aperfeiçoar sondas capazes de resistir às acelerações grotescas do disparo do canhão, e em 1966 uma sonda de 180 kg foi lançada a uma altitude de 180 km, um recorde que permanece até hoje (para saber mais).

Infelizmente para Gerald Bull o projeto foi cancelado, ele não aceitou e correu o mundo vendendo seu conhecimento. Acabou no Iraque, onde Saddam Hussein o contratou para desenvolver o Projeto Babilônia, que criaria supercanhões com alcance de mais de 1.000 km, capazes de atingir Teerã e… Israel.

Pra piorar ele também estava trabalhando na melhoria dos mísseis SCUD. Como resultado Bull foi assassinado na porta de casa, em Bruxelas, em 1990. As suspeitas recaem sobre Israel e Irã, e ninguém duvidaria se fosse um trabalho em conjunto.

Não foi a primeira nem a última vez que um cientista vendeu seus conhecimentos para quem pagasse mais, esses traidores (ou patriotas, dependendo de que lado você esteja) são obcecados por seus projetos. Alguns, claro, são apenas doidos, é  caso de um argentino de nome Pedro Leonardo Mascheroni.

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Ele tem 79 anos, é cidadão americano naturalizado e trabalhou no Laboratório Nacional de Los Alamos, berço do programa nuclear norte-americano, entrou em 1979 e foi demitido em 1988. A esposa dele trabalhou lá de 1981 a 2010.

Durante anos ele tentou convencer o Governo dos EUA que um laser de flúor-hidrogênio geraria energia nuclear, mas ninguém deu bola. Irritado ele resolveu vender seus conhecimentos a outro, e procurou os inimigos dos EUA mais próximos, Venezuela.

Em contato com os agentes de Caracas Mascheroni disse que queria dinheiro e poder, e se ofereceu para construir 40 armas nucleares para a Venezuela, junto com uma bomba que alvejaria Nova York, mas “não mataria ninguém”, só destruiria a malha elétrica da cidade.

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Dr Not So Evil

Ninguém sabe se ele conseguiria cumprir a promessa, muito menos a Venezuela, que está completamente limpa na história. Os tais agentes venezuelanos na verdade eram agentes do FBI disfarçados.

Mascheroni caiu certinho no alvo da legislação anti-espionagem, uma das mais sérias dos EUA. Ele se declarou culpado mas usou a Defesa Doc Brown, dizendo que vendeu ficção científica, que jamais seria capaz de produzir as tais bombas, etc.

Não se sabe se foi a Defesa Doc Brown ou a idade avançada, mas Marjorie Roxby Mascheroni, a esposa, pegou 1 ano e 1 dia de cadeia, e Mascheroni pegou 5 anos. Para casos de espionagem é muito pouco.

Fonte: NPR.

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