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Cientistas convocam Ana Raio para obter a assinatura acústica do Zé Trovão

Relâmpago artificial dá a cientistas uma detalhada imagem da assinatura acústica de um trovão. Estudo foi apresentado ontem (06/05) na União Geofísica da América do Norte, em Montreal, Canadá.

5 anos atrás

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♩♬ “Corre em minhas veias, tempestades! Viajo em nuvens de fogo… por estradas, campos e cidades: sou relâmpago nos olhos do povo!” ♪♫ (crédito: Portal da TV)

A cada dia, o planeta Terra é atingido por no mínimo 4 milhões de relâmpagos. Por ano, só o Brasil leva 50 milhões desses fenômenos atmosféricos. Eles são o casamento entre a luz (raio) e o som (trovão) de uma poderosa descarga elétrica ainda pouco estudada por ser um fenômeno imprevisível.

Exceto se você empinar uma pipa durante uma tempestade. Ou fazer como os pesquisadores na base militar norte-americana em Gainesville, Flórida: amarrar um fio de cobre num foguetinho e “acertar” uma nuvem carregada.

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Como treinar Seu Trovão? Mande o foguete para a Ana Raio (crédito: Nature)

É um raio bonito, mas a ideia aqui é estudar o som do trovão. Na verdade a assinatura acústica dele.

Com o fio de cobre bem esticado, temos um para-raios, um caminho previsível por onde a eletricidade estática da nuvem vai passar e assim cientistas como o Dr. Maher Dayeh, do Southwest Research Institute de San Antonio — SwRI, podem focar seus equipamentos para capturar e analisar algum padrão acústico gerado pelo relâmpago artificial.

Apesar de entendermos como o trovão é gerado, ainda não está suficientemente claro como os processos físicos da descarga do relâmpago contribuem para o som do trovão que ouvimos. Um ouvinte percebe o trovão em grande parte com base na distância de um raio:

  • de perto, o trovão tem um som agudo, afiado;
  • de longe, o estrondo parece durar por mais tempo.”

Ao estudar a energia acústica irradiada por diferentes secções do relâmpago artificial, os pesquisadores podem aprender mais sobre as origens do trovão bem como os processos energéticos associados com os relâmpagos em geral. Considerá-los apenas como arco elétrico, cuja energia se dissipa na forma de luz e calor, não explica totalmente o som dele.

A captura do mapa acústico do trovão foi feita com dezesseis microfones em alinhamento unidimensional, com espaço de 1 m entre um e outro, todos ao nível do solo e a 95 m de distância da plataforma de lançamento do foguetinho com o fio de cobre. O resultado?

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Assinatura acústica do trovão (crédito: Nature)

Notem que próximo ao solo o trovão alcança o pico de 140 decibéis, embora ainda vejamos no mapa mais de 100 dB a 80 m do solo. A imagem acima, do perfil vertical do trovão, foi gerada à partir de técnicas de pós-processamento de sinal com a amplificação direcional dos dados captados pela linha de microfones, que estava ao nível do solo.

Traduzindo: o espetáculo é lindo, mas é melhor ficar bem longe pra não morrer surdo. Confira a seguir o vídeo do foguete chamando o relâmpago.

Snapping images of thunder's clap | Science News

O estudo foi apresentado ontem (06/05) na União Geofísica da América do Norte, em Montreal, Canadá.

Qual a necessidade disso?

Com o aquecimento global, a incidência de relâmpagos está aumentando. Saber como o som do trovão se comporta pode determinar o lugar exato onde um relâmpago caiu e por quais estragos seria responsável. As seguradoras agradecem.

Fontes: EurekAlert e PopSci.

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