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Mercado Fotográfico: para onde isso tudo está indo?

15/11/2008 às 13:09

No principio havia a luz, e muitos viram que ela era boa. Mas, alguns queriam ir mais longe. Como o próprio nome diz, fotografia significa “escrever com a luz” e sua descoberta, ou invenção, não pode ser creditada a apenas uma pessoa. Tudo foi uma enorme junção de pequenas descobertas que passou por Aristóteles, que já descrevia o processo da Câmara Escura, e terminou com diversos químicos que descobriram e empregaram a sensibilidade do sal de prata em relação a luz. Toda essa cascata de pequenas descobertas culminou com Joseph Nicéphore Niépce, no longínquo ano de 1826, apresentando ao mundo o primeiro exemplar do que viríamos a chamar de fotografia. Mas, aqui cabe fazer uma pequena justiça histórica. O primeiro indivíduo do mundo a usar o termo fotografia foi o brasileiro Hercule Florence, na vila rural de São Carlos, hoje conhecida como Campinas. Embora tenha feito experimentos na mesma linha de Niépce, o brasileiro acabou desistindo de sua procura e teve o nome esquecido pela história oficial, pelo menos até recentemente.

De Niépce até as primeiras câmeras fotográficas foi um pulinho, mas eram geringonças grandes, pesadas e complicadas de serem usadas. Foi preciso a engenhosidade de um bancário chamado George Eastman, em 1880, para transformar a fotografia em um produto de massa. Durante as noites, em seu laboratório, ele passava horas planejando e idealizando o que chamamos hoje de filme fotográfico. Eastman foi o primeiro a colocar no mercado um fotograma em rolo com todos os produtos químicos necessários para se realizar uma fotografia. Sua empresa começou a vender pequenas câmeras fotográficas com rolos de filme com 100 poses. Após fazer as fotos, o feliz comprador do equipamento tinha que enviar a câmera até a empresa, onde as fotos seriam reveladas e reenviadas pelo correio impressas em papel juntamente com a câmera com um novo rolo de 100 poses. O lema da empresa era “Você aperta um botão e nós fazemos o resto”. A empresa, que adotou o nome de Kodak, proporcionou a primeira grande revolução dentro da fotografia. De um dia para o outro, todos se transformaram em fotógrafos e passaram a registrar o cotidiano, construir seu próprio sítio de memórias em forma de álbuns fotográficos de família.

Agora, em pleno ano de 2008, estamos passando por mais uma revolução, iniciada há poucos anos atrás. A fotografia digital veio para transformar mais uma vez os hábitos dos consumidores. Fotografar se tornou, novamente, um prazer e quase uma conseqüência em vista da modernidade que nos cerca. A aparente falta de custos da fotografia digital faz com que mais e mais pessoas se lancem nesse novo mundo de registro de todos os momentos do cotidiano. Que o registro da imagem sempre fascinou o ser humano é uma realidade que conhecemos desde os tempos das pinturas rupestres, e hoje podemos ver o poder dessa nova fase de popularidade da fotografia nas cavernas virtuais de Flickers, Picasas, Fotologues e Orkuts espalhados pela internet. A tecnologia digital evoluiu rapidamente desde as primeiras câmeras apresentadas. Hoje, já se assemelham a qualidade existente no filme fotográfico, mas a evolução não para. Mais e mais novidades nos são apresentadas a cada ano. Se me perguntarem como a fotografia digital vai se comportar daqui a quatro anos, vou ter que responder com um sonoro “não sei”, mas existem alguns indicativos que nos mostram para onde a coisa toda está indo.

Mais e mais megapixels

Uma das tendências do mercado fotográfico digital é o poder máximo de definição dos sensores. Há poucos anos atrás, o padrão dos sensores era de 4 megapixels, suficientes para fazer uma boa impressão de 20x30cm. Hoje o padrão dos sensores está por volta de 8 a 10 megapixels. Essa corrida dos megapixels se mostra meramente uma questão mercadológica. A tecnologia digital avança muito rapidamente e as empresas precisam encontrar maneiras de convencer o consumidor a trocar seu equipamento fotográfico, mesmo que ainda funcionando perfeitamente, por outro mais novo. O que poucos entendem é que a quantidade de megapixels não tem nada a ver com a qualidade da imagem. Ela apenas indica o tamanho máximo em que a imagem vai poder ser impressa mantendo certos padrões de qualidade. Ao contrário, a quantidade exagerada de megapixels até piora a qualidade da imagem.

Cada vez mais perto

O zoom ótico com grandes distâncias focais é outra tendência que se mostra cada vez mais presente na fotografia. Até uma categoria de câmeras ultrazoom. Grandes empresas vem brigando pelo posto de fabricante da câmera com zoom mais potente. Embora a maior parte dos equipamentos tenha ultrapassado a barreira dos 400mm, é sempre bom fazer algumas advertências quanto a isso. A quantidade elevada de elementos óticos nas lentes tende a levar a uma pequena queda na nitidez da imagem. Outra característica é que as ultrazooms são câmeras que trazem, geralmente, um sensor pequeno e com muitos megapixels e uma lente escura. São câmeras para se usar em situações com muita iluminação, tendo um desempenho bem abaixo da média em situações com pouca luz.

Menores e mais caras

Depois que a Leica lançou sua pequena rangefinder, a M8, por um preço exorbitante, muitos fabricantes perceberam que existe um mercado de consumidores que está disposto a pagar caro por câmeras pequenas, com grande qualidade de imagem e fartos recursos técnicos. Geralmente são câmeras que se assemelham a compactas no tamanho, mas possuem uma lente com boa qualidade (com pouco zoom ótico), um sensor maior que o normal e recursos operacionais totalmente manuais, além de capturar imagens em RAW (arquivo cru que tem que ser editado posteriormente em programa específico). Dentro dessa perspectiva também estão surgindo as compactas feitas para públicos e atividades específicas. Câmeras a prova d’água para quem gosta de desbravar rios ou dar mergulhos rasos em lugares paradisíacos, câmeras vedadas contra poeira para quem gosta de montanhas ou áreas desertas, câmeras equipadas com GPS para os aventureiros e adeptos de trilhas, câmeras resistentes ao frio extremo para quem não dispensa férias nas montanhas, câmeras praticamente blindadas para uso em obras e projetos de engenharia, e a coisa fica cada vez mais específica. Provavelmente teremos câmeras para todas as atividades humanas.

Várias perfumarias

Deixando de lado um pouco a corrida dos megapixels, alguns fabricantes começaram a notar que existem alguns recursos mágicos para atrair o usuário doméstico. Tudo começou com o Face Detection, que tem como função encontrar a face das pessoas nas fotos e fazer o foco nessa região. Depois tivemos o Smile Detection (sorrisos) e o Blink Detection (olhos piscando). Essas perfumarias, que não influenciam a qualidade da imagem, visam atrair o usuário comum que quer apenas apertar o botão de sua câmera e ter uma imagem para colocar em seu álbum virtual. Ele não quer se preocupar com velocidade do obturador, abertura do diafragma ou velocidade ISO (em vários casos ele nem sabe que isso existe), o que importa é a imagem. Ao procurar no mercado encontramos muitas outras funcionalidades acopladas aos equipamentos para tornar o usuário mais feliz. Em alguns casos elas se encontram em câmeras de péssima qualidade, mas alguns funcionam perfeitamente e realmente tornam a vida das pessoas mais simples.

E a tal da convergência?

Ao que parece, o futuro também pertence à convergência das mídias para aparelhos únicos. Já temos os celulares com câmeras de vários megapixels, embora nenhum ainda tenha sido suficiente para substituir a qualidade até de câmeras mais simples, mas são perfeitos para os anseios de grande parte dos usuários. Mas, até nos equipamentos fotográficos, vemos alguns indícios de que a convergência está chegando. Já existem câmeras com GPS, como citado acima, e algumas com MP3 Player e acesso Wi-Fi a rede de computadores. Mais funcionalidades podem vir a ser acopladas às câmeras e, talvez, daqui a 5 anos teremos um aparelho que traga todas essas características com qualidade e bom desempenho. Por enquanto ainda não existe isso e se você quer fotos com qualidade procure uma câmera e não um celular.

De um modo geral, o que o mercado fotográfico nos mostra é que existem duas vertentes se separando. Uma está focando no usuário exigente, mostrando equipamentos com mais qualidade e funcionalidades. Eles são mais caros que a média, mas a tendência é de queda de preços à medida que a indústria está se equiparando. Antes, apenas algumas empresas tinham o pleno conhecimento de como produzir bons equipamentos. Hoje quase todas se encontram no mesmo patamar tecnológico e a conseqüência são bons equipamentos com preços mais baixos. Quem ganha é o consumidor. A segunda vertente foca no usuário mais comum, chamado também de usuário doméstico. Ele só quer uma câmera que produza imagens para abastecer seu álbum familiar. Esse usuário é atraído pelas câmeras com dezenas de funcionalidades que visam facilitar sua vida e transformar o ato fotográfico no simples apertar de um botão.

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