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O nome é Xiaomi, mas pode chamar de Chacal

Com o Mi4, Xiaomi mais uma vez copia design de terceiros aos invés de desenvolver ideias próprias; empresa é vista como uma mera kibadora dos concorrentes

25/07/2014 às 13:30

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Antes de mais nada uma pequena aula de quadrinhos: o Chacal, um vilão do segundo escalão da Marvel foi o responsável pela maior dor de cabeça da vida do Homem-Aranha (e por tabela, por uma das piores sagas dos anos 90): alter-ego do doutor Miles Warren, cientista e professor de bioquímica de Peter Parker, ele é o criador de todos os clones que atazanaram o cabeça de teia por mais de duas décadas. Um deles, que assumiu o nome de Ben Reilly (o primeiro Aranha Escarlate; o atual é o primeiro clone imperfeito de Parker, conhecido antes como o serial killer Kaine) chegou a atuar como o Aranha por um tempo, depois do Chacal dar a entender que Parker era o clone e ele, o original. Isso sem contar que ele também clonou Gwen Stacy (duas vezes), o primeiro grande amor de Parker.

Dado esse background não é difícil fazer uma associação com a Xiaomi, fabricante chinesa de dispositivos mobile que quer se posicionar no mercado como uma concorrente grande e séria, mas se limita apenas a lançar cópias de seus adversários.

Eu não tenho nada contra empresas chinesas. Embora o país seja a terra do kibe, onde copiam desde celulares a trens-bala e aviões (só para constar, o E-195 da Embraer também foi clonado), fabricantes de dispositivos mobile vêm buscando sair do lugar comum e apresentam produtos interessantes, como o Oppo N1 e sua câmera giratória e o Vivo XPlay 3S, o primeiro smartphone com display Quad HD (ao contrário do que a LG diz o G3 foi o terceiro, ficando atrás inclusive do Oppo Find 7).

Só que a Xiaomi, a atual empresa do ex-Google Hugo Barra não esconde que vive de vender kibes. O mais engraçado é que essa política de clonagem é recente e curiosamente, teve início depois que o brasileiro aportou em Pequim. A empresa planeja se expandir para diversos mercados ainda em 2014, sendo que México e Brasil são cruciais para a introdução de seus produtos na América Latina. Na China os produtos da marca são um fenômeno, vendendo como água em pouco tempo.

Só que em abril começaram os problemas. O primeiro kibe foi bem flagrante, o projeto de um botão inteligente para automatizar funções básicas do smartphone. Só que o item á havia aparecido meses antes na forma do Pressy, um projeto de crowdfunding.

Este é o Pressy, apresentado em agosto de 2013:

E este é o botão da Xiaomi, de abril de 2014:

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Qualquer semelhança é clonagem mesmo.

Só que a empresa não parou por aí. Tempos depois ela lançou o tablet MiPad, um dos primeiros equipado com o chip Tegra K1, mas isso não abona o fato dele ser a cara do iPad. Em sua defesa, até mesmo a HP já aprontou das suas e lançou aparelhos Android idênticos aos da concorrência. E sim, há coisas presentes na interface MIUI há anos que recentemente apareceram no iOS 7, mas o hardware é um copy-paste evidente. E é uma queda de braço que os chineses não tem como ganhar: ninguém vai defender a empresa e seu esforço em emular dispositivos de outrem também não ajuda.

A última foi oMi4, seu novo smartphone de ponta. O hardware dele é muito bom, contando com SoC Snapdragon 801, quad-core Krait 400 com clock de 2,5 GHz, 3GB de RAM, display Full HD de 5 polegadas (441 ppi), câmera principal de 13 megapixels e frontal de 8 MP, bateria de 3.080 mAh e Android 4.4 KitKat. Tudo muito bom e segundo a Xiaomi, "o smartphone mais rápido do mundo". Porém...

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O Mi4 possui o mesmo design do iPhone, com frisos nas bordas e tudo.

Novamente: eu não tenho nada contra a Xiaomi, inclusive defendo que seus dispositivos são muito bons e têm tudo para entrar no mercado brasileiro com preços bem competitivos. O que incomoda é a sanha da empresa chinesa em copiar descaradamente a concorrência (o caso do Pressy foi golpe baixo). Tudo bem que a Apple também foi ridícula com a famigerada patente do "retângulo com cantos arredondados" mas se a companhia de Hugo Barra quer ser vista como uma player séria e não apenas uma copy-paste de sucessos dos outros, ela terá que voltar ao que fazia antes: investir em design e ideias próprias.

Até porque clonar os outros nunca fez do Chacal um vilão de primeira.

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