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Review: um mês com o Tectoy Veloce

Acompanhe o review do Veloce, o primeiro tablet Android da Tectoy a contar com um processador Intel Atom

6 anos atrás

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Há uma verdade que muita gente que é fã de tecnologia (imprensa inclusa) ignora vez ou outra: nem todo mundo possui grana sobrando para adquirir tudo que há de mais moderno - e caro - no mercado, ou até mesmo não tem vontade de gastar seu rico dinheirinho com gadgets. Os tablets Android pequenos são os principais representantes dessa categoria, principalmente por atenderem dois quesitos importantes: portabilidade e preço baixo. Entretanto, é importante manter um mínimo de qualidade para não decepcionar o consumidor.

A Tectoy, que não tem tradição alguma nesse mercado resolveu arriscar com o Veloce, o primeiro fruto de uma promissora parceria com a Intel, a fornecedora do chip Atom que equipa o bichinho. Mas será que ele é bom o bastante para justificar a compra?

O Tablet

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O Veloce é um tablet de 7 polegadas simples ao extremo. Ele não possui nada que se destaque logo de cara, a não ser se você o virar de costas: o logo Intel Inside lembra o consumidor que ele conta com um chip Clover Trail+, no caso o Atom Z2520, um dual core com clock de 1,2 GHz. Pesando 266 gramas e com 0,93 cm de espessura, ele é confortável e possui excelente pegada, porém as bordas muito largas poderiam permitir um display maior ou não fosse o caso, um dispositivo levemente menor. Seguindo o padrão de dispositivos recentes ele só possui três botões físicos, o Power e os controles de volume.

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Tudo o mais é feito via display, que possui uma resolução de apenas 1024 × 600 pixels, além de ser muito reflexivo e ter baixa luminosidade. Para um tablet é o mínimo aceitável mas poderia ser pior: a Tectoy preferiu IPS ao TFT, que é mais comum em aparelhos dessa categoria. Aliás, interessante notar que além dos comandos padrão do Android, a Tectoy inseriu dois botões virtuais para controle de volume e um dedicado a screenshots, que para essa resenha foi algo bem útil mas não é algo que o usuário final vá usar o tempo todo. Ainda assim a automação do comando é bem vinda.

Com apenas 1 GB de RAM, em teoria o Veloce seria um tablet devagar quase parando, mas o fato de contar com um Android quase puro salva sua barra. Ainda assim, ele deu umas leves engasgadas quando se exigiu muito dele.

SO e Apps

Falando do Android em si, aqui vai a primeira reclamação: 4.2 Jelly Bean. Em pleno 2014 fabricantes brasileiros (a Tectoy não é a única) ainda preferem trabalhar com versões defasadas do robozinho, sendo que o 4.4 KitKat foi desenvolvido com o Google pensando em dispositivos de entrada. No evento de lançamento foi dito que “não haviam planos” de atualização ao menos até o fim do ano, entretanto eu acredito que um update dificilmente ocorrerá. Como se não bastasse, o SO come quase metade da capacidade de armazenamento, que já não é muita: apenas 8 GB. Por sorte ele possui um slot para cartões micro-SD, suportando modelos de até 32 GB.

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Na hora de instalar os apps de uso, um probleminha: ao menos dois se recusaram justamente por não rodarem no 4.2: um, de menor impacto foi a câmera do Google dedicada ao KitKat, já o outro foi um pouco mais sentido:

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Apps instalados (ou não), hora de testar o brinquedo como se deve.

Performance

É preciso deixar uma coisa bem claro aqui: com preço sugerido de R$ 349 (embora já seja possível adquiri-lo por menos... ou mais, bem mais), o Veloce é um caso clássico de "você leva o que você paga". Não dá para esperar uma performance de iPad nele, nem de Nexus 7. Ainda assim, guardadas as devidas proporções ele não faz tão feio assim.

Se você pretende comprá-lo como uma ferramenta de trabalho, eu sugiro que procure outro tablet, de preferência um de proporção 4:3 e não 16:9. A tela estreita não é ideal para digitar textos, embora seja plenamente possível. Entretanto…

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Como dá para ver, o espaço hábil para digitar um texto não é dos melhores. Claro, é possível escrever com ele em pé, mas a melhor opção para se usar o Veloce ou qualquer outro tablet pequeno com tela widescreen nessa situação é com um teclado Bluetooth a tiracolo. A experiência é outra, mas dependendo da situação nem todo mundo vai querer andar com um teclado na mochila ou bolsa.

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Na hora da leitura uma tela 4:3 como a do iPad seria o ideal, mas depois de um tempo você acaba se acostumando com a falta de espaço. Apps como o Flipboard ficaram um tanto espremidos, já outros como o Feedly conseguiram se adequar bem ao formato.

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Já na hora de consumir vídeos ele se destaca, principalmente porque com uma tela de baixa resolução era de se esperar que ele não aguentasse o tranco, mas ele se vira bem. O Veloce suporta vídeos de até 720p, adequando-os à sua realidade particular. YouTube, Netflix, Crunchyroll… ele se safa com certa desenvoltura. E claro, ele dá conta do Chromecast facilmente.

Um ponto curioso é que a bateria do Veloce é de apenas 2.800 mAh. Sim, ele conta com a mesma capacidade energética do Galaxy S5, sendo por conta disso um tablet com bateria de smartphone. Surpreendentemente, sua autonomia de cinco horas de uso contínuo e 20 horas em standby se provou verdadeira, só que era preciso forçar o bichinho um pouco mais. Por isso recorri ao meu velho amigo e comilão por natureza VLC. Primeiro dois vídeos curtos (25% da bateria em 55 minutos), depois um filme em HD partindo de carga total.

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Aí vem a surpresa: a bateria chorou, o Veloce esquentou mas ao final do filme o consumo de energia foi de 100% a 49%. OK, era de se esperar que a autonomia fosse pro brejo, mas para um tablet com uma bateria tão fraca a Tectoy fez mágica (o Android quase puro com certeza ajuda). Só para constar, o Slate 7 que o Cardoso testou em 2013 possuía bateria de 3.500 mAh e a autonomia era exatamente a mesma.

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Games? O Veloce também aguenta, ele executou vários títulos com boa desenvoltura. Essa performance se deve principalmente ao chip Atom Clover Trail+, que foi projetado pela Intel exatamente para prover uma experiência aceitável mesmo em hardwares mais modestos. Porém nem tudo são flores: independentemente de estar jogando, assistindo filmes ou ouvindo música o som do Veloce é terrível, mesmo no talo ele é baixo e ainda por cima com muito ruído. Por isso prefira fones de ouvido.

Câmera

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Sendo sincero: nem tente usar o Veloce para tirar fotos. Videoconferência? Forget about it. Equipado com uma câmera principal de apenas 2 megapixels e uma frontal VGA, o que em outros aparelhos é até aceitável aqui a performance é sofrível. Parece que a Tectoy escolheu o pior conjunto possível, as fotos ficam muito pouco nítidas mesmo nas melhores condições de luz. Clique na foto acima, tirada de dia com o Sol a pino e você vai entender.

Extras

Como a Tectoy lançou um tablet bem barato, algumas coisas foram deixadas de fora: o Veloce não possui GPS, NFC e nem conexão 3G (um modelo com conectividade mobile foi mencionado para breve, sem datas), apenas Wi-Fi e Bluetooth. Ele é bem basicão, e qualquer coisa considerada mais supérflua foi cortado.

Conclusão

Após ficar um mês brincando com ele, é possível afirmar o seguinte: como ferramenta de trabalho ele é razoável para problemático, como câmera ele é um desastre completo. Porém, ao testá-lo como um dispositivo de consumo de mídia eu digo que ele é satisfatório, até pelo baixo preço. Ler livros e gibis nele chega a ser confortável, assistir vídeos é até prático porque é uma tela maior que um smartphone mas ainda é extremamente portátil, mais do que o iPad por exemplo. Acessar suas redes sociais e comentar aquele vídeo do YouTube ou o filme que está assistindo em tempo real, é bem confortável, não importando onde você estiver.

O Veloce se assemelha muito aos tablets xing-ling de R$ 199 que se encontra em qualquer lugar, e até na mesma faixa de preço ele se encontra — com a vantagem que por ser fabricado aqui ele possui suporte e assistência técnica. A única coisa que falta é um update para versões mais novas do Android, e embora improvável seria interessante se ele realmente puder rodar o robozinho de chocolate.

Por fim: como ferramenta principal o Veloce não se sustenta, porém se você quer um tablet exclusivamente para consumir mídia e redes sociais, usando-o em conjunto com o seu principal ele é uma opção interessante, até pelo preço.

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