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Estivemos lá — Inauguração do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil

Estivemos lá! A General Electric inaugurou seu Centro de Pesquisas Global no Brasil, o primeiro da América Latina. São US$ 500 milhões investidos em pesquisa e desenvolvimento. Leia e saiba mais detalhes de como e onde a Ciência acontece.

17/11/2014 às 15:07

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Imagem devidamente kibada do Instagram da GE.

Sejamos realistas. O Brasil não tem vocação para ciência. Nossos programas de TV estão cheios de videntes, todo ano dão espaço para previsões que não se concretizam e não são cobradas. Crianças não são estimuladas a questionar o mundo à sua volta. Neil DeGrasse Tyson diz que toda criança nasce cientista, os adultos é que tiram isso dela. É verdade. Por isso mesmo iniciativas de fomento a Ciência e Tecnologia por aqui são sempre muito bem-vindas.

Por isso mesmo ficamos muito felizes com o convite para acompanhar a inauguração do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil.

Para dar uma idéia, parecia que estava andando pelo Projeto Manhattan. Altas regras de segurança, equipamentos eletrônicos cadastrados, áreas proibidas. Tenho certeza que o Richard Schiff estava em uma daquelas salas interrogando gente que abusou da curiosidade. Esse sigilo todo tem razão de ser, afinal estamos falando de milhões, e não poucos. Com foco em óleo e gás, o Centro pretende desenvolver tecnologia que será usada no Pré-Sal e em projetos por todo o mundo.

O Bicho É Grande

Não estamos falando de um escritório na Rio Branco. O Centro de Pesquisas ocupa 47 mil metros quadrados. 24 mil de área construída. Há espaço para 400 pesquisadores, que vão trabalhar com tecnologia de águas profundas, eletricidade, biocombustíveis (mas não coisa de ecochato, turbinas a álcool, essas coisas), software, aviação… nós conhecemos algumas partes, infelizmente não deixaram tirar fotos. Vocês adorariam a câmara de testes de tubulações, capaz de atingir 500 atmosferas, equivalente a 5.000 metros de profundidade no mar, mas contente-se com a GE destruindo coisas por diversão:


General Electric Advanced Materials Testing - Everyday Objects Compilation - #SpringBreakIt

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Parte do Centro de Pesquisa, e o Chevy Suburban da Embaixadora dos EUA. AH sim, e Nick garantindo uma passagem pra Guantânamo.

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Papa can you hear me? - gaiola com hidrofones usada para monitorar hardware submarino.

O projeto inicial, já por 2010 previa um investimento de US$ 150 milhões, mas a GE viu potencial, a grana alocada foi aumentando e agora avisaram que o projeto envolverá US$ 500 milhões. Dá pra brincar.

Um dos projetos envolve uma área chamada “inovação reversa”, que a princípio parece algo que o Brasil faria mas é coisa séria. Envolve adaptar tecnologias existentes. Em um desses projetos a GE pegou uma turbina usada em 747s, projetada para queimar querosene de aviação e a adaptou para usar álcool, ou como os ecochatos chamam, biocombustíveis renováveis e fofinhos. Isso é estrategicamente importante, diminui nossa dependência e petróleo e coloca a fonte do combustível, principalmente Nordeste, bem mais próxima das regiões de maior consumo.

Há um projeto também para construção de uma locomotiva movida à álcool, mas não é nem a mais avançada. Vejam essa belezinha aqui:

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Essa locomotiva, como você pode ver, é verde. Em tese é um híbrido como um Prius. Tecnicamente toda locomotiva diesel-elétrica é, pois o motor a combustão aciona um gerador que por sua vez energiza os motores elétricos que movem as rodas, mas aqui há uma grande diferença: um conjunto de baterias armazena energia que normalmente seria desperdiçada quando a locomotiva freia.

Uma única locomotiva durante um ano transforma em calor energia suficiente para alimentar 8.900 casas. Ao converter essa energia em eletricidade temos uma senhora economia.

A nossa malha ferroviária passa por grandes variações de relevo, uma locomotiva dessas aqui seria muito bem-vinda.

O Networking

Um dos segredos bem-guardados de todo laboratório de pesquisas é que as grandes descobertas acontecem mesmo é no bar, e o Centro de Pesquisa da GE tem excelentes lanchonetes e máquinas da café. Neles pesquisadores e visitantes do mundo todo irão interagir, conversar, trocar experiências e o conhecimento será compartilhado. Principalmente os brasileiros terão um ambiente amistoso para pesquisa e desenvolvimento, ao contrário do que estão acostumados na Academia, onde qualquer menção à Indústria que não seja Petrobrás é mal-vista.

A GE

Fundada em 1892 a empresa teve como sua gênese a Edison General Electric Company, de um tal de Thomas Edison, apenas. Estão envolvidos com tudo que tem a ver com tecnologia, de trens a aviões, de lâmpadas a armas nucleares. É seguro dizer que dificilmente irão ajudar o Brasil a se tornar referência mundial em Sandália de Pneu, mas se fosse o caso, conseguiriam. A GE tem uma certa experiência com calçados. Uma vez uma agência do Governo precisou criar um solado resistente. A GE inventou uma borracha de silicone capaz de resistir a temperaturas entre – 150 ºC e + 250 ºC. Você com certeza já viu uma pegada feita com essa borracha:

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O visor do capacete dos astronautas do projeto Apollo? Lexan. um policoarbonato ultraresistente. Adivinha quem fez.

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USS Missouri, 7.800 toleladas de pura diplomacia, Classe Virgínia. Lançado em 2009, carrega 12 mísseis Tomahawk convencionais (juram). Autonomia? Ilimitado. Enquanto houver comida a bordo ele segue. Velocidade máxima? Secreto, mas é acima de 50 km/h. Propulsão cortesia de um reator nuclear S9G da GE, Potência estimada em 30 MW. Milhagem? Lançado em 2009, o Missouri só precisará parar em um posto de Urânio e pedir “completa aí” em por volta de 2042.

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Devem usar para produzir super-soldados ou algo assim.

A GE também atua e forte na área de saúde, quem assiste seriados médicos cansou de ver tomógrafos e similares com o logotipo familiar. O mais legal é que há uma sinergia, pesquisas da área de saúde são usadas por outros setores da empresa, e vice-versa. É uma forma ótima de aproveitar os recursos. Não que sejam poucos. Com presença em 170 países (EXISTEM 170 países?), a GE investe anualmente em pesquisa e desenvolvimento US$ 5 bilhões. O orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia INTEIRO é de R$ 5,99 bilhões.

Sim, crianças, a GE investe em pesquisa e tecnologia o DOBRO que o Brasil.

Por isso o MeioBit bate palmas para esse Centro de Pesquisa Global da GE no Rio de Janeiro. Se é para ajudar a formar mão-de-obra altamente qualificada, melhorar e inovar nossos processos industriais, otimizar nossa tecnologia e descobrir novas formas de aproveitar nossos recursos, o datilógrafo que nos perdoe mas confiamos mais em quem deixou a marca de seu trabalho estampada na superfície da Lua.

Para saber mais:

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