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Cientistas desenvolvem primeiro órgão funcional com células-tronco

Pesquisadores escoceses conseguiram criar um órgão humano no interior de um animal pela primeira vez. Um grupo de células implantadas em ratos se desenvolveu formando um timo, parte importante do sistema imunológico.

27/08/2014 às 18:01

Células Tronco

Pesquisadores escoceses conseguiram criar um órgão humano no interior de um animal pela primeira vez. Um grupo de células implantadas em ratos se desenvolveu formando um timo, parte importante do sistema imunológico.

A descoberta, publicada na Nature Cell Biology, pode ser o pontapé inicial nas alternativas ao transplante de órgãos.

Especialistas afirmam que a pesquisa foi promissora, mas ainda serão necessários muitos anos para ser aplicada em humanos.

O timo é encontrado próximo ao coração e produz um componente do sistema imunológico, as células T, que atuam contra infecções.

Os cientistas do centro de medicina regenerativa do Conselho de Pesquisa Médica da Universidade de Edimburgo começaram com células do embrião de um rato. Essas células foram reprogramadas geneticamente e começaram a se transformar em um tipo de célula encontrado no timo.

Elas foram então misturadas com outras células de apoio e implantadas em ratos. Uma vez no interior dos roedores, elas se desenvolveram, transformando-se em um timo funcional.

O fato do timo ser um órgão simples facilitou o processo. Ele contém basicamente duas regiões principais, o córtex e a medula, e produz células T.

A professora Clare Blackburn, membro da equipe, disse que foi incrivelmente emocionante quando eles se deram conta do que tinham conseguido fazer.

Ela contou ao site da BBC que “foi uma surpresa completa que conseguimos gerar um órgão completo e plenamente funcional, começando com células reprogramadas”.

Pacientes que precisam de transplante de medula e crianças que nascem sem um timo funcional poderiam todos se beneficiar. Idosos também, já que o timo costuma a encolher com a idade, enfraquecendo o sistema imunológico.

Há alguns obstáculos, no entanto, para levar a técnica para humanos. A técnica atual utiliza embriões. Isso significa que o timo em desenvolvimento não teria um tecido compatível com o paciente.

Os pesquisadores também precisam ter certeza que as células transplantadas não se tornem um risco de câncer, crescendo incontrolavelmente.

Fonte: Nature Cell Biology.

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