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Exame de sangue determina com 96% de chances se você terá Alzheimer. Isso é bom?

Um estudo da Universidade de Georgetown desenvolveu um teste capaz de detectar Alzheimer até 3 anos antes da doença aparecer, com precisão de 96%. Será que isso é bom? Faz sentido passar 3 anos a mais com um machado no pescoço? Leia e decida-se.

11/03/2014 às 6:19

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Em uma das subtramas de House a personagem de Olivia Wilde vivia com o fantasma de ter herdado da mãe o gene causador da Huntington. É uma doença nerodegenerativa especialmente ruim, que se manifesta em geral depois dos 30, causa problemas cardíacos, pulmonares, neurológicos e psiquiátricos. Ao final de uma vida bem mais curta o portador acaba desenvolvendo demência. Não é nada bonito.

Huntington não tem cura, mas é identificável através de exame genético. Um dos dilemas da personagem era testar ou não, sabendo que tinha 50% de chance de ter o gene defeituoso. Esse dilema é real e pais com Huntington passam por isso todo dia.

Agora um dilema pior ainda surgiu, cortesia da ciência. Envolve Alzheimer, uma doença degenerativa na qual a mente da pessoa vai se esvaindo, pouco a pouco. Talvez seja a mais cruel, pois os pacientes muitas vezes têm momentos de clareza, para em seguida esquecer até da existência dos entes queridos.

Um estudo da Universidade de Georgetown, Washington acompanhou 525 pessoas acima de 70 anos durante 5 anos, coletando e examinando seu sangue. Desses, 28 desenvolveram Alzheimer. De posse dessas dados os cientistas compararam os exames e determinaram alterações na concentração de 10 lipídios no sangue dos doentes.

Voltando no tempo, verificaram os resultados antes do aparecimento dos primeiros sintomas e descobriram que as alterações nos lipídios antecediam em pelo menos 3 anos a doença detectável por meios normais.

Isso com uma precisão de 96%.

Os pesquisadores querem aumentar o estudo, com mais pacientes por mais tempo, esperam produzir um exame que determine com décadas de antecedência se o sujeito terá Alzheimer. Eu, sinceramente, prefiro não saber.

Viver com o conhecimento de que você será alvo de uma doença degenerativa incurável? Sua única esperança ser uma descoberta revolucionária, antes que chegue sua vez? Não quero isso. Minha geração viveu o final da poliomielite. Por muito tempo tive pesadelos vendo crianças da minha idade andando cheias de braçadeiras de metal e muletas, por terem tido o azar de não se vacinar a tempo.

Eu acredito que seja uma questão de tempo. Conquistamos a pólio, erradicamos a varíola, usamos feixes de prótons para matar câncer e consertamos DNA defeituoso em mitocôndrias, literalmente eliminando doenças genéticas de crianças que ainda são um aglomerado de células. Um dia Alzheimer será apenas uma lembrança ruim, mas não quero que isso se torne uma contagem regressiva.

O teste foi muito bem-recebido pela comunidade científica, pois uma das esperanças é que seja possível deter o Alzheimer quando ainda está no começo. Vários estudos começarão a ser feitos ainda em 2014, inclusive com drogas bem promissoras, que podem ser eficazes se administradas em estágios iniciais, até então indetectáveis.

Enquanto isso, só nos resta esperar, e nem a velha piada ajuda muito. Claro que é melhor esquecer de pagar a conta do que derrubar a cerveja, mas qual a vantagem se você não lembrar que a tomou?

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