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Como a implosão da Nokia gerou um boom de startups finlandesas

Declínio da Nokia nos últimos anos propiciou o surgimento de inúmeras startups na Finlândia: região já está sendo chamada de Novo Vale do Silício

19/11/2013 às 13:45

slush-2013

Até alguns anos atrás, quando alguém perguntava de uma empresa de tecnologia na região da Escandinávia — precisamente finlandesa — , a resposta natural seria Nokia. Porém desde o declínio da empresa nos últimos anos, culminando com sua aquisição pela Microsoft acabou gerando um cenário em que diversos profissionais deixaram de ambicionar um emprego na empresa e se organizaram como projetos menores.

Em suma, o declínio da Nokia favoreceu uma explosão de startups finlandesas, que já está sendo chamada de Novo Vale do Silício.

A Slush 2013, conferência voltada para startups russas e do norte da Europa realizada neste mês na capital Helsinque foi um grande exemplo de como as coisas mudaram no país em tão pouco tempo. A compra da Nokia pela Microsoft apenas foi o desfecho de um processo que já durava pelo menos 15 anos. Até então, qualquer criança local que perguntada onde gostaria de trabalhar responderiam “Nokia”, sem pestanejar.

Entretanto, decisões erradas ao longo do tempo e uma dilapidação do nome que outrora era — e ainda é — sinônimo de qualidade corroeram a Nokia lentamente. Há quem diga que parte da culpa se deve ao ex-CEO Stephen Elop, que teria sido colocado como um cavalo de tróia pela Microsoft para facilitar sua aquisição, mas este é apenas um dos fatores.

Com tantos sendo demitidos e outros saindo por conta própria, muitos executivos e técnicos começaram a se organizar em projetos pequenos. Em pouco tempo literalmente centenas de startups começaram a pipocar pelo país, aumentando a diversidade econômica e propiciando o surgimento de projetos até então incomuns na região. O mercado de games em especial é um que se expande a olhos vistos, tendo como bons exemplos a Rovio (Angry Birds) e a Supercell (Clash of Clans).

O ministro para Assuntos da Europa e Comério Externo Alexander Stubb acredita que a Nokia desempenhou um papel importante para colocar a Finlândia no Top 3 de países com a melhor educação do mundo, entretanto a reestruturação da empresa foi essencial para o desenvolvimento econômico do país.

Quando a Nokia começou a desmoronar”, diz ele, “de repente tínhamos todos esses engenheiros geniais com verbas e vontade de criar seus próprios negócios. Ao invés de termos apenas uma gigante, ganhamos um cenário diversificado”.

Tão importante quanto a queda da Nokia que abriu terreno para os pequenos são as diferenças culturais. Como todo bom nórdico os finlandeses são obstinados e comemoram um fracasso tanto quanto celebram uma vitória. Para eles uma derrota é um aprendizado. A Rovio é um excelente exemplo: Angry Birds pode ser uma febre agora, mas foi a 53ª tentativa da empresa em lançar um game de sucesso; todas as anteriores naufragaram.

Além disso não é incomum as startups se ajudarem em seus projetos: a desenvolvedora de games GrandCru tem entre seus diretores o CEO da Supercell Ilkka Paananen. Para ele, “se algum de nós fizer sucesso será benéfico para todos”, pois atrairá os olhos do pessoal com grana para a Finlândia. E é o que está acontecendo: além da Microsoft, o Google injetou US$ 450 milhões na região. A Supercell recentemente também recebeu um aporte de investidores japoneses.

É interessante ver que ao contrário do que acontece em muitos lugar, o declínio de uma empresa não só permitiu o surgimento de novas startups como está movimentando toda uma região, atraindo investidores e permitindo que produtos e jogos interessantes cheguem a todos. Para Stubb, “coisas grandes estão acontecendo aqui, e isto é apenas o começo”. Esperamos que seja mesmo.

Fonte: Mashable.

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