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Índia muda as regras do jogo e corre risco de perder a Nokia

Nokia e Índia parecem não estar mais em lua de mel. O governo do país está cortando subsídios e vantagens, tornando os investimentos desinteressantes. A Nokia por sua vez ameaça puxar o carro e ir pra China.

7 anos atrás

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A maior fábrica da Nokia não fica no Japão, nem sequer na China, mas na Índia. A relação da empresa com o país é antiga, e a linha Asha não tem esse nome indiano à toa.

Grande parte desse amor vem de interesse, claro. Como em todo empreendimento desse tamanho, os governos locais oferecem vantagens, em geral fiscais, e em troca as empresas trazem emprego, tecnologia e treinamento de mão de obra.

A fábrica em Chennai, capital do Estado de Tamil Nadu, na Baía de Bengala, onde mora o Fantasma, emprega 8 mil pessoas diretamente e gera mais 30 mil empregos indiretos. Movimenta uma fortuna na economia local, foram impostos.

Só que a Índia quer mais. Um acordo com o governo estadual prevê que o ICMS de 4% pago pela Nokia em cada aparelho vendido localmente seja devolvido. Agora estão enrolando pra liberar a grana.

Na esfera federal também tem gente de olho grande. Do ponto de vista contábil tudo tem custo, inclusive o software usado nos aparelhos. A Nokia Índia “compra” software da Nokia Finlândia, sendo a operação transacionada na matriz. Isso era garantido por um acordo entre os dos países.

Agora a Índia soltou uma Lei taxando o software instalado nos aparelhos fabricados no país, na planta de Sriperumbudur. PIOR, a tributação é retroativa a 2006. O Leão de Shiva quer US$ 542 milhões em impostos.

A planta industrial da Nokia em Chennai custou US$ 285 milhões para ser montada.

Os executivos não gostaram nada, e mandaram um “non-paper”, uma espécie de resposta oficial não-oficial, dizendo que não gostaram nada (sempre bom enfatizar) e que declararam a Índia “o mercado menos favorável” para a Nokia. Estão cogitando fechar as fábricas e importar celulares da China ou do Vietnã.

Parabéns aos indianos, não fizeram o dever de casa, estão agindo com a mesma ganância do Brasil no tempo da Reserva de Mercado, quando rejeitamos fábricas de chips já embarcadas no meio do Atlântico, a caminho de São Paulo.

Pobres, mas orgulhosos.

Fonte: IX.

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