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Japão preparando um canhão espacial. Império Gamilon preocupado.

Normalmente a idéia do Japão construir uma arma espacial seria preocupante, mas tradicionalmente eles sempre fazem isso para defender a Terra. Dessa vez não será diferente, e o canhão irá estudar asteroides.

7 anos atrás

yamato1

Todo mundo está de olho na Planetary Resources e seu plano para mineração de asteróides, mas nem por isso o resto do mundo está parado. Lançada em 2003 a sonda japonesa Hayabusa interceptou um asteroide, recolheu amostras e voltou pra Terra, em 2010. Foi uma missão extremamente bem-sucedida, que inspirou a Hayabusa 2 – A Missão.

A nova sonda, com nada desprezíveis 600 kg, é um esforço internacional, com boa parte construída pelo Japão, e um módulo de pouso feito pelos alemães com colaboração dos franceses, aproveitando a tradição colaborativa desses últimos.

A novidade é que pretendem não só interceptar um asteróide e colher amostras, como vão fazer algo inédito: recolher material abaixo da superfície. Normalmente isso é feito com brocas, mas ancorar a sonda seria muito complicado, então usarão uma tecnologia originalmente criada para mandar tanques inimigos pro inferno: as cargas explosivas moldadas.

Ao contrário de uma bomba comum, que explode para todos os lados, essas cargas são montadas em volta de um cone de cobre ou tungstênio. A força da explosão toda se concentra no cone, vaporizando e cuspindo uma nuvem concentrada de metal gasoso a alguns quilômetros por segundo. O resultado é isto:

Note que a parede de aço acima é bem mais grossa que o casco de um tanque. E a nuvem de metal em expansão tem o bem-vindo (não pra todos os envolvidos) efeito colateral de polpificar os soldados dentro do tanque.

COM SORTE não haverá ninguém dentro do asteróide que o canhão projetado para a Hayabusa 2 atingirá. Se houver, azar, pois estamos falando de 2,5 kg de cobre vaporizado, a 7.200 km/h, resultado da detonação de 4,5 kg de explosivo plástico.

Esperam que com isso uma parte significativa da superfície do asteróide seja removida, e possa recolher as amostras inéditas. Aqui um vídeo do processo:

Note que a sonda deixa vários radiofaróis na superfície do asteroide, em uma quase romântica continuação da tradição náutica de construir faróis em recifes perigosos.

Agora a parte triste: a grana está curta, a NEC começou a projetar os sistemas principais da nave em 2012. Há 3 janelas de lançamento em 2014, e muito provavelmente não dará tempo. Terão que trocar o alvo, SE acharem um asteroide de tamanho apropriado na posição correta. Há milhões deles mas o espaço é grande demais.

Bem, ninguém disse que exploração espacial era fácil, senão o lema não seria Ad Astra Per Aspera e sim Ad Astra per Senta Na Gelatina.

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