Meio Bit » Indústria » BlackBerry 10 terá muitos jogos, e incentivará desenvolvedores

BlackBerry 10 terá muitos jogos, e incentivará desenvolvedores

Entrevista com Anders Jeppson, diretor global de jogos da BlackBerry: “Para nós, o que importa é qualidade, não quantidade.”

7 anos atrás

Ontem, além do Vivek Bhardwaj, eu também pude conversar com Anders Jeppson, diretor global de jogos da BlackBerry. No cargo há pouco menos de um ano, ele veio da empresa de jogos TAT, que foi comprada na mesma época pela BlackBerry.

O trabalho de Jeppson é como o de um evangelista. Ele precisa mostrar aos desenvolvedores de jogos as vantagens da plataforma BB10, e trazer o maior número de títulos para a loja App World.

Segundo ele, a BlackBerry está procurando aprender com os erros vistos no iOS e no Android. E quando se refere a isso, não quer dizer apenas com software, mas também com o atendimento da empresa para com os desenvolvedores.

Anders Jeppson, diretor global de jogos da BlackBerry

Anders Jeppson, diretor global de jogos da BlackBerry

Anders disse que a BlackBerry oferece muitas vantagens para quem quiser publicar jogos na loja. Seu sistema operacional é open-source e open standard, e isso ajuda muito na portabilidade dos jogos, caso o desenvolvedor pense que é complicado fazer o jogo também para BB10.

Para o BB10, os jogos precisam ser feitos em Unity, e isso já é uma boa notícia, já que 50% dos títulos atuais já se encaixam nesse quesito. Grandes empresas como EA, Gameloft, Rovio, Halfbrick e outras trabalham com Unity, e já estão portando diversos de seus títulos para a App World.

A loja e seu processo de aprovação foi outra coisa da qual Anders se gabou. Segundo ele, são apenas três cliques para realizar a portabilidade do jogo e apenas três dias para aprovar o título e começar a ganhar dinheiro na loja. Mesmo assim, ele afirma que a BlackBerry não descuida da segurança, maior destaque da empresa, e todos os jogos são avaliados antes da aprovação.

Entretanto, os pequenos desenvolvedores devem encontrar problemas nesse processo. Por serem menores, trabalham com suas próprias tecnologias, e isso dificulta a portabilidade. Mas Anders está otimista, e acha que também esses verão as vantagens de produzirem jogos para a App World.

Quando questionado sobre uma possível “caça” aos desenvolvedores, Anders disse que isso não está acontecendo: “Eles estão vendo o quanto o BB10 é legal, e estão vindo naturalmente”, diz.

Desenvolvedores de jogos não costumam vir às conferências da BlackBerry, mas isso está mudando, principalmente nos JAMs. Prometemos a nós mesmos estar consistentes em todos os eventos de jogos pelo mundo”, completa Jeppson.

Anders não soube dizer quantos títulos já estão na App World, pois disse que toda semana chegam muitos jogos novos. Da última vez que teve acesso aos números, estava em torno de 20 mil. “Para nós, o que importa é qualidade, não quantidade”, disse. Eu também diria isso se tivesse apenas um terço dos apps em relação à App Store e Play Store.

“São oito milhões de usuários na plataforma, e 50% deles vêm do Android”, afirmou Anders. Levando em consideração que os apps mais baixados da App World são jogos, está em uma boa posição na empresa. Ele afirma que sabe o que dizer para os desenvolvedores para convencê-los, pois já esteve "do mesmo lado da mesa" que eles, e conhece seus problemas e como apresentar soluções.

Essa é uma boa ideia da BlackBerry. Ao invés de colocar um executivo engravatado para cuidar dos jogos, trouxe um desenvolvedor de jogos e o colocou para evangelizar outros a virem para a plataforma. E Anders está feliz, pois com menos títulos, as possibilidades de compra são maiores, e os desenvolvedores estão fazendo dinheiro, trazendo crescimento para a loja.

O Q5, lançado no início do BlackBerry Live, será de grande ajuda nesse crescimento. Por ser um smartphone mid range, terá maior penetração no mercado. Além disso, seu hardware é quase igual ao topo de linha Z10, incluindo a mesma GPU. Anders não se preocupa com tamanho de tela diferente, pois sabe que os desenvolvedores já estão acostumados com a super fragmentação do Android.

Por último, falando sobre o Brasil, Anders afirmou que uma boa empresa de games pode surgir em qualquer lugar, inclusive na América Latina, e principalmente no Brasil. Diferentemente dos desenvolvedores de jogos para console, que precisam comprar kits caríssimos de desenvolvimento, para produzir um jogo mobile basta sentar e fazer.

*Stella Dauer foi enviada ao BlackBerry Live Orlando a convite da empresa, e está feliz porque ganhou US$ 100 em uma competição de Jetpack Joyride. Essa é a primeira vez que os jogos lhe dão dinheiro, ao invés de tirar.

Leia também:

relacionados


Comentários