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Windows 8– íntimo e pessoal

28/09/2012 às 13:48

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No come√ßo da semana recebi uma oferta que n√£o poderia recusar: Um encontro em petit comit√© com Robin Goldstein, Gerente de Projeto da Microsoft, com 16 anos de casa. Claro, n√£o foi t√£o VIP quando um encontro com Batman Goldstein, mas o MeioBit n√£o tem tanta moral assim ūüėČ

Foi uma rara oportunidade para sentar e por mais de uma hora ver efetivamente o Windows 8 RTM ser usado por quem o desenvolveu, tirar d√ļvidas e, principalmente, aplacar v√°rios medos. Mesmo assim ainda √© um tudo-ou-nada, a Microsoft est√° apostando em uma mudan√ßa radical na pr√≥pria filosofia do Windows, mesmo tendo um virtual monop√≥lio do mercado desktop E um grau de satisfa√ß√£o de usu√°rios que n√£o se v√™ faz tempo.

Qual o motivo de colocarem rodas na galinha dos ovos de Ouro então? Simples, beibi, assim como Zed, o Desktop is dead. Morreu, kaput, bateu as botas, é um ex-desktop, foi encontrar seu criador.

‚Äúah mas eu tenho um desktop n√£o morreu n√£o‚ÄĚ

Eu tamb√©m tenho, man√©, mas ningu√©m sobrevive nessa ind√ļstria olhando pros pr√≥prios p√©s. Um projeto de sistema operacional leva anos para ficar pronto, quando o Windows 7 saiu o iPad sequer existia. Entre ele come√ßar a ser desenvolvido e chegar nas lojas os netbooks Linux passaram por todo um ciclo de nascimento, popularidade, decad√™ncia e morte.

O que a Microsoft est√° vendo √© o chamado mundo p√≥s-PC, e a forma do Windows sobreviver nele √© deixar de ser um sistema operacional careta de desktop e se tornar parte da vida do usu√°rio. NINGU√ČM fala ‚Äúvou pro ipad‚ÄĚ, ‚Äúvou pro Smartphone‚ÄĚ. Voc√™ vai fazer alguma coisa que por acaso demanda um desses equipamentos. O novo paradigma do Windows 8 √© ser um desses equipamentos.

Vamos a algumas observa√ß√Ķes durante o encontro:

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Interface

Indo direto ao assunto: Meu grande questionamento da interface ex-metro era ela ser essencialmente toque, e mesmo com monitores touch não seria nada bom, esticar a mão eventualmente tudo bem mas todo o tempo é cansativo demais.

O que vi foi um refinamento do mouse, agora tudo que se faz com Touch se faz com mouse, Gestos como deslizar o dedo de fora para dentro da tela, o que invoca o menu, s√£o traduzidos por jogar o mouse pro canto, igual OSX e Windows j√° fazem, quando a taskbar (ou dock, no caso do Mac) est√£o ocultos.

Deslizar a tela se faz com a rodinha do mouse. Sim, o Windows 8 é essencialmente horizontal. Isso aparece inclusive em sites, quando o browser detecta paginação e integra na interface.

A mudan√ßa √© mais profunda que isso, entretanto. A Microsoft est√° oferecendo ao usu√°rio do desktop uma experi√™ncia semelhante √† dos tablets, no quesito foco. Hoje a vida no desktop √© uma eterna distra√ß√£o. Temos milh√Ķes de janelas, popups, widgets e outras formas de distra√ß√£o.

No tablet nos condicionamos a fazer uma coisa de cada vez, mesmo alternando entre aplica√ß√Ķes, nunca tentamos assoviar e chupar cana.

O Windows 8 leva isso para o desktop, e pode ser uma ENORME revolução ou um ENORME fracasso. SE der certo, afetará mais positivamente a produtividade do que se removerem todos os joguinhos do Windows.

O Melhor de Dois Mundos

Uma grande crítica que eu fazia ao Windows 8 era ter que ficar alternando entre a interface ex-metro e a tradicional, mas como Robin demonstrou, é possível manter as duas, ao mesmo tempo, se você usar dois monitores, algo que recomendo MUITO.

Isso resolverá um grande problema: Organizar e achar os programas. Meu menu Iniciar e NADA é a mesma coisa. Encher o desktop de ícones não adianta. Primeiro, fica horrível parece uma penteadeira de dama que troca favores por dinheiro. Segundo, fica sempre em background. Terceiro: procurar ícones é um saco. Usando as telhas do Windows 8, incluindo o mega-zoom-out que mostra todos os seus grupos ao mesmo tempo, vou pela primeira vez saber que tenho alguns programas antes de baixar de novo e descobrir na hora de instalar.

Orientado a Pessoas, n√£o Objetos

humanbeingsO Windows 8, assim como o Windows Phone 8 √© voltado para pessoas, uma esp√©cie de ‚ÄúLinux for Human Beings‚ÄĚ, onde por Linux entenda-se Windows e por Human Beings entenda-se gente que √© feliz sem saber recompilar kernel.

Um bom exemplo foi demonstrado com a integra√ß√£o entre contatos de v√°rias redes sociais. De dentro de qualquer programa Windows 8 voc√™ pode interagir com as pessoas, sem sobreposi√ß√£o e duplica√ß√£o. Ele automagicamente identifica as pessoas nas v√°rias redes, e consolida tudo em um contato √ļnico.

Outra evolução linda de um velho conceito: Nos velhos tempos tínhamos o clipboard, que é excelente mas é uma coisa solta. Agora é possível de dentro de uma aplicação enviar dados (cacófato proposital) para outra. Edito uma imagem e de dentro do editor mando abrir no editor de textos, por exemplo.

Multiusu√°rio? N√£o, Multicomputador

O Windows 8 permite que você mantenha login em 10 máquinas diferentes. Essas máquinas ficarão sincronizadas, através da Nuvem, e até mudanças de avatar e background do desktop são replicadas. Imagine, seu PC em casa e no trabalho, customizados de acordo com suas preferências. Nunca mais aquela frustração de ter esquecido de salvar um documento no pendrive, e ter que começar do zero o relatório, na noite de sexta.

Imagine a facilidade do iPad/iPhone, tudo sincronizado, mas entre desktops. Transparente e invisível (soa estranho, né?) ao usuário. Apenas funciona.

O Hardware

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Robin fez as demonstra√ß√Ķes em um daqueles tablets que a Microsoft distribuiu durante o an√ļncio do Windows 8. Ela repetiu v√°rias vezes que era um hardware Windows 7, mas n√£o fez diferen√ßa. O neg√≥cio √© muito flu√≠do, suave. Naquele hardware teoricamente ultrapassado o Windows 8 Full rodava de forma absolutamente elegante. Ela alternava entre touch e mouse/teclado, colocando o tablet em um dock, e n√£o havia conflito ou janelinha irritante de aviso. De novo, apenas funciona.

Um tablet, rodando um sistema operacional desktop, com performance invej√°vel. (ao menos invej√°vel para meu Athlon II X2)

Aproveitei para perguntar algo óbvio mas que nunca havia visto: Sim, ele funciona na vertical também, e é delicioso acessar sites em um tablet grande com uma tela vertical.

O Surface

A pergunta mais óbvia do mundo era quando sairia o Surface, o ultrabook killer da Microsoft. Robin jura que não sabe, e dada a compartimentalização dentro da Microsoft, não duvido. No Brasil, ninguém sabe também. Com o Windows Phone foi a mesma coisa. Por meses a base instalada se resumia a alguns funcionários da Microsoft Brasil. Do nada, pipocaram aparelhos nas lojas.

No caso do Surface tenho menos esperan√ßas. Algo me diz que ele n√£o sair√° barato, e no Brasil competir√° diretamente com notebooks positivo e tablets xing-ling. Tenho medo ‚Äďe baseio isso apenas em auto-FUD- que ele sequer seja lan√ßado por aqui.

O Incentivo da Migração

Como o Ano do Linux s√≥ ser√° YEAR(NOW())+1, e o Windows 8 ser√° lan√ßado em 2012, o inimigo dele √© outro. √Č o pior inimigo que ele poderia ter; o Windows 7.

Tem muito, muito tempo que a Microsoft não lança nada tão redondo quanto o 7. Tenho um netbook Asus EeePC com 2GB de RAM usando o 7 desde o lançamento. Está emprestado, e funcionando redondinho. Só reformatei minha máquina para enfiar o 7 64Bits, e isso tem 13 meses.

Todos os incentivos cl√°ssicos de migra√ß√£o n√£o me atraem. Nada de ‚Äúmais r√°pido‚ÄĚ, ‚Äúmais seguro‚ÄĚ, essas coisas. At√© a apresenta√ß√£o eu sequer estava cogitando migrar no lan√ßamento. O que me convenceu foi algo muito mais subjetivo: A mudan√ßa de paradigma na forma de interagir com as aplica√ß√Ķes.

Acho que meu jeito dispersivo procrastinador pode se beneficiar enormemente do foco que o Windows 8 dá à tarefa vigente.

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Terminal de checkin da TAM no Santos Dumont. Esse é o inimigo do Windows 8. E do 7.

O problema é que isso é uma visão totalmente pessoal, e a enorme maioria das pessoas não tem esse problema e/ou essa visão. Ainda há gente satisfeita com o XP, que dirá migrar para um sistema completamente novo e com uma interface alienígena e intimidadora, como toda mudança.

Prevejo que no Brasil pode acontecer com o Windows 8 o mesmo que acontece com o Linux: Gente dando ataques de pelanca e chamando o vizinho que entende de computador para tirar ‚Äúaquele tro√ßo‚ÄĚ do PC e instalar um Windows piratex. Microsoft sabotando a Microsoft. Mais Kafka imposs√≠vel.

Por outro lado, pode ser que antes do lançamento surja uma imensa campanha publicitária, mostrando o Windows 8, criando interesse, passando o caminho das pedras. A Apple fez isso com o iPhone, e quando todo mundo pegou um pela primeira vez, já tínhamos visto tantos filme de demonstração que achamos o iPhone natural e intuitivo.

Vale o Risco?

Não é questão nem de perguntar isso, em verdade a Microsoft não tem opção. o plano de Conquista Global dela envolve estar em todas as telas, e se não fizessem nada, o Windows iria simplesmente se tornar algo acessório. Virariam no desktop o que o Linux é no servidor: Dominante, excelente mas sem charme nenhum. As tarefas legais seriam feitas em tablets e smartphones, e a parte chata, no PC.

Com o Windows 8 o usuário terá uma plataforma elegante, onde executará de forma confortável muito do que está habituado a fazer no tablet e no celular. Mantendo boa parte da experiência de uso dessas plataformas móveis. 

Resta saber: Esse usuário é o usuário médio americano, europeu? Brasileiro? Será que a Microsoft vai alienar toda uma base de usuários em prol de um futuro que não chegou para a maior parte deles?

Não sei, realmente não sei. Steve Ballmer diz que o Windows 8 é o lançamento mais arriscado da história da Microsoft. Concordo, assim como concordo que ninguém chega a lugar nenhum sem sair de sua zona de conforto. A Microsoft quer um lugar no futuro, e ao invés de tentar adivinhar qual lugar é esse, seguiu o conselho de Alan Kay:

‚ÄúA melhor forma de prever o futuro √© inventando-o‚ÄĚ

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