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Steve Jobs e iPad 2 mais vivos do que nunca

Steve Jobs lança iPad 2, a segunda versão do tablet da Apple.

9 anos e meio atrás

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Hoje em um evento para a imprensa Steve Jobs e sua entourage apresentaram ao mundo o iPad 2, pouco mais de 13 meses depois do lançamento do iPad Classic, em 27 de janeiro de 2010.

Mais uma vez, como tem feito regularmente desde sempre foi mostrado um produto que é muito mais que uma peça de hardware. É algo que a totalidade dos concorrentes não entende, daí saem aberrações como o iPad Killer da HP, com sua gavetinha para colar etiquetas de licenciamento ou o Motorola Xoom, que está sendo vendido com um slot de cartão não-funcional para uso futuro e um suporte a 4G que demandará uma viagem do aparelho para a manutenção, para ser habilitado.

O iPad não é um PC. Nunca foi, nunca quis ser. Cada vez que alguém instala Windows 7 em um tablet, Crom mata um gatinho. A apresentação bateu forte (de novo) nessa tecla: Vendem experiências. Já passaram inclusive daquela fase de vender soluções, pois soluções implicam problemas e ninguém mais quer saber de tanto problema.

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O Hardware

Ficha técnica:

  • Tamanho: 241,2 × 185,7 × 8,8 mm
  • Peso: 601 g
  • Wi-Fi: 802.11a/b/g/n
  • Versão 3G: UMTS/HSDPA/HSUPA (850, 900, 1.900, 2.100 MHz); GSM/EDGE (850, 900, 1.800, 1.900 MHz)
  • Display: 1024 × 768, 9,7 polegadas
  • Chipset: Apple A5, 1 GHz
  • Câmeras: VGA frontal, 720p 30 fps traseira. Zoom digital 5×

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O iPad 2 roda em cima de um chip A5 dual core. É duas vezes mais rápido que o A4 do iPad original, no processamento convencional. Na parte gráfica a performance foi acelerada em 9 vezes. O consumo é o mesmo do A4.

O display, como eu previ em junho de 2010, continua não sendo Retina. Agora há duas câmeras, a VGA tradicional para videochamada Facetime e a traseira, para filmagens mais elaboradas, gravando em HD. 720p.

O iPad 2 virá, além do pacote de sempre com o mesmo giroscópio do iPhone 4 e do novo iPod Touch. Isso será muito útil em aplicativos de realidade aumentada (no dia que a realidade aumentada for útil) e em mapas.

No formato do aparelho em si, ele está 33% mais fino. De 13,4 mm do anterior o iPad 2 passou para meros 8,8 mm. Mais fino que o iPhone 4, com 9,3 mm. As bordas estão arredondadas, como um iPodão.

Parece que a Apple resolveu o problema na linha de produção, o iPad 2 virá em duas cores, preto e branco, disponíveis desde o lançamento. O fiasco do iPhone Branco não se repetirá (esperamos).

A autonomia continua a mesma. 10 horas. Nada no mercado chega perto.

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Luz, Câmera, Ação!

Além do Facetime, que permite chamadas de vídeo entre iPads, iPhones, iPods e Macs o iPad 2 virá com o Photo Booth, versão iOS do aplicativo de manipulação de vídeo em tempo real no MacBook. Com ela você pode gravar seus videocasts como se estivesse sendo visto pelo Predador, com um fundo falso, em chamas (se for um vídeo terrorista é o ideal) e vários outros brinquedos.

Numa área mais séria, temos o iMovie. No iPad será possível editar vídeos com várias trilhas de áudio, temas, compartilhar em HD em sites de vídeo e transmitir via AirPlay para Apple TVs.

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O iMovie é uma suite de edição de vídeos amadora que resolve 90% dos problemas dos usuários, principalmente se você não quer fazer um Cidadão Kane, mas montar um vídeo com cenas de suas férias ou dos protestos na Líbia, sem ter que abrir um notebook cuja bateria durará menos de 2 h. Sim, estou falando sério e a Apple também, um dos sites suportados é o iReport da CNN.

Dia 11 estará disponível na App Store por… US$ 4,99.

Na parte de áudio a Apple fez muitos músicos felizes. Migrou o maravilhoso Garage Band para o iPad. Isso mesmo. Você poderá tocar pianos, órgãos, guitarras, violões, bateria e baixos, gravar em até oito pistas, adicionar efeitos e ainda por cima trocar arquivos com a versão para Mac.

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O Garage Band tem sutilezas como usar o acelerômetro para determinar a pressão exercida na te(c)la e alterar o som emitido no caso dos pianos e órgãos. Os visuais dos instrumentos correspondem aos de verdade, tornando a aplicação muito, muito elegante.

Pode ser uma forma de criar demos rápidos ou mesmo de viabilizar bandas sem recursos. Acima de tudo, é o Garage Band por meros US$ 4,99.

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Penduricalhos de Responsa

O iPad 2 será compatível com um cabo HDMI de US$ 37,00 com saída até 1080p, suporte a rotação de tela, sem setup ou configuração, funcionando com todas as aplicações. O cabo tem uma entrada extra para um conector de força, assim o iPad ainda é carregado enquanto exibe um filme ou uma apresentação.

Disponibilidade

Simples assim: o iPad 2 estará disponível nos EUA em todas as Apple Stores no dia 11 de março.

No resto do Mundo, ele chega dia 25 de março.

No Brasil não há previsão.

Preço

Steve foi cruel com a concorrência. Enfiou a estaca de madeira enferrujada bem fundo no coração e torceu. O iPad 2 custará o mesmo que o iPad original.

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Depois de ver isso provavelmente a Motorola estendeu a mão e puxou mais pra dentro a estaca.

Conclusão

Assim como os boatos da morte de Steve, os da do iPad também foram um tanto exagerados. Segundo ele mesmo falou no começo da apresentação, 2011 tinha tudo pra ser o Ano da Cópia, com vários fabricantes lançando seus tablets, mas a Apple redefiniu de novo o padrão.

A concorrência levou um ano para produzir equipamentos como o Xoom, e mesmo assim o software recebe comentários como os do Engadget que dizem passar “a sensação de tudo estar em beta”. A Apple está chegando com um hardware excelente em um nicho onde tem pleno domínio, com 90% do Mercado e onde provê o mais importante: o ecossistema.

Não há necessidade de fomentar desenvolvedores, não há necessidade de criar um pool de aplicações. A App Store sozinha rendeu aos desenvolvedores US$ 2 bilhões ano passado. Ninguém precisa usar programas de iPhone esticados no iPad 2.

Principalmente, todo mundo já sabe o que é um iPad. Está na TV, em todo canto. Reza a lenda que qté a Samsung quando fez seu merchã do Galaxy Pad no Big Brother teve que ouvir uma daquelas sumidades comentar “que legal, um iPad”.

Talvez, e aqui estou prevendo só baseado em Feeling, mesmo sabendo que só quem ganhou dinheiro com Feelings no Brasil foi o Morris Albert, que a adoção do iPad2 será bem mais lenta do que a do iPad Classic. Os usuários estão MUITO satisfeitos, percebo que muita gente esperará alguma fatalidade, ou a bateria começar a ficar viciada para trocar.

A verdade é que o iPad atende tão bem que os ganhos não compensam. Foi uma evolução gradual, nenhum dos ganhos seria fator decisivo de compra para os usuários do iPad original.

Portanto prevejo que não teremos uma desova de iPads no Mercado, os números serão grandes pois a Apple não tem estoque e as melhorias não são motivo para ninguém NÃO comprar o iPad.

O efeito será visto, sim se a fatia de 90% do mercado de tablets se mantiver. Isso significará que a Apple sozinha com seu iPad2 é mais poderosa do que todos os outros 102 tablets concorrentes (fonte: CNN), e dentro do chip A5 reside um pequeno Charlie Sheen, com punhos flamejantes e sangue de tigre.

Ou então, o que é mais provável, é Steve Jobs olhar para a concorrência e dizer “é essa a realidade que vocês querem que eu distorça? Precisa?”

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