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Os 3 caminhos da Nokia

9 anos atrás

C2-06: 2 chips, touchscreen e browser capado

Conversamos com o pessoal de produto e marketing da Nokia nesta semana e levantamos a estratégica da companhia para os próximos anos e descobrimos, entre outras coisas, que a função "lanterna" é altamente apreciada em alguns lugares do mundo.

Falando sério, a empresa finlandesa não está parada e continua investindo para manter-se a líder do mercado. Seja por bem, ou por mal.

A ascensão do smartphone light

A popularidade do C3, o celular Nokia mais vendido no Brasil, mostra que há um espaço grande para telefone celulares que fazem mais do que apenas ligar. Eles servem para apurrinhar seus amigos no Facebook, enviar emails com piadas velhas para a família e até achar o caminho do bar.

Segundo a empresa, a diferenciação entre um smartphone light e um full é basicamente o sistema operacional. Os lights rodam em Symbian S40, já os full rodam em S60, o Anna, o Belle ou qualquer OS obscuro prestes a ser descontinuado, como o Maemo e o MeeGo.

Os novos aparelhos do segmento, cujo líder é o C3, não têm GPS, mas têm Nokia Maps localizado via rede de celular. O seu browser canaliza todo o conteúdo por um proxy que diminui o consumo de dados. E algumas versões ainda são touch e outras dual SIM.

Voltando ao mercado light, aparelhos baratos e funcionais como C3 e o C2 estão ajudando a Nokia a manter-se bem no mercado brasileiro, já focado em reposição e é uma boa aposta para outros segmentos menos exigentes.

O casamento da Nokia com o Windows Phone muda tudo de novo

Perdendo terreno por todos os lados e ficando cada vez mais atrás na corrida dos smartphones, a maior fabricante de telefones celulares do mundo, a Nokia, está em vias de se reposicionar no mercado novamente.

Quer dizer, reposicionar-se em termos, pois o objetivo declarado da empresa é estar em todos os segmentos. Todos. E este posicionamento esquizóide, típico de um líder de segmento, continua.

Este é o Nokia 701, que roda Symbian Belle

A primeira grande alteração será o lançamento do primeiro Nokia com Windows Phone, a ser talvez chamado de N800. Pela primeira vez os finlandeses irão se focar na sua especialidade, que é fabricação, e usarão um padrão de mercado em seus produtos de primeira linha.

Por primeira linha entenda-se "concorrente daquele aparelho de uma empresa com nome de fruta".

Não estamos falando de experiência, como foi com o Maemo e o MeeGo. Isto é algo que eles estão tratando muito sério e apostando alto. Tão alto que algumas análises apontam que em 2015 o Windows Phone pode ser o 2º sistema mais popular, à frente do iOS.

Há vantagens e desvantagens para a Nokia nesse casamento. O maior ponto positivo é terceirizar o suporte ao sistema operacional. Com o WP7, tudo passa a ser responsabilidade da galera de Seattle. Isso sem falar que a marca "Windows" é mais bem vista pelos usuários do que a marca "Symbian".

Marca mais bem vista no mercado [HAHAHAHAHAHAH - Cardoso]

Por outro lado, a empresa irá perder o controle sobre os programas que rodam em seus aparelhos. Com isso, algumas funções especiais de aparelhos da Nokia irão deixar de existir por falta de suporte por parte do sistema operacional. Entre os condenados à morte está a função Transmissor FM.

Sem falar na desistência de investir em seu próprio iTunes e lucrar com serviços, como a Apple. Não que a loja Ovi esteja com os dias contados, mas sua razão de existir é bastante limitada a partir do momento em que os principais aparelhos da companhia venham com Windows.

A estratégia do novo bilhão da Nokia

O foco em mercados emergentes e aparelhos feitos para "apenas ligar" revelam que o maior fabricante mundial de telefones celulares aposta em um modelo fordista em pleno século XXI. Se vai colar mesmo, são outros quinhentos milhões.

Este é o futuro da Nokia

Não é como se fosse uma novidade. Há tempos que os finlandenses se destacam com seus aparelhos simples e duráveis. A novidade é que com o abandono do Symbian S30, o mais basicão, a linha de entrada da empresa terá investimentos para continuar crescendo e, se tudo der certo, ampliar sua liderança.

Entre mortos e feridos, a Nokia está dizendo que não se importa tanto assim com os smartphones. Para eles, é mais importante manter o mercado de entrada e aqueles eletrodomésticos que só servem para fazer ligação, os chamados "telefones celulares".

Este Nokia X1-01 tem rádio. Conclusão: é melhor que um iPhone para levar ao estádio de futebol

A ideia é que há pouco mais de 1 bilhão e usuários de telefones hoje, ao passo que o mundo tem 7 bilhões de pessoas. Assim, a Nokia quer pelo menos 1 bilhão desses 6 bilhões de desatendidos.

São pessoas que nunca ouviram falar em sistema operacional e só querem um aparelho para receber chamadas, fazer pagamentos e iluminar o chão quando falta luz na aldeia. Ou seja, a Nokia ainda quer ser a Ford do século XXI.

Só não sabemos se isso é bom ou ruim.

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