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Google One Pass e a volta da cobrança por conteúdo

Google lança One Pass, sistema de assinatura para sites de notícias. Seria esse o marco do retorno da cobrança por conteúdo na Web?

17/02/2011 às 8:41

Você já deve ter ouvido alguém comentar que cobrança de conteúdo na Web não funciona. Os maiores sites de notícias do mundo corroboram essa afirmativa, oferecendo conteúdo gratuito para seus leitores em troca de entupir a tela com anúncios, o que, afinal, paga as contas dos jornalistas e despesas estruturais.

Mas como tudo na vida, essa afirmação também é cíclica. Dois movimentos recentes de grandes players da informática mostram que, afinal, conteúdo pago pode ter espaço. Primeiro, a Apple lançou seu sistema de assinaturas na App Store. Cobrando 30% de todos os pagamentos realizados, o lançou num evento de pompa, via The Daily, o jornal feito e exclusivo para o iPad da News Corporation.

Agora, algumas horas após a Apple liberar esse sistema para todos os desenvolvedores, a Google surge com o One Pass, cuja proposta é semelhante, porém tem duas vantagens consideráveis sobre a solução de Steve Jobs: é agnóstica do ponto de vista do hardware (funciona em smartphones, tablets e Web), e morde só 10% dos valores cobrados.

O mais curioso é que a Google é, talvez, a empresa que mais lucra no mundo com o sistema de serviço gratuito bancado por anúncios. O One Pass vai na direção contrária dessa filosofia, embora não afete o núcleo de serviços da empresa. Dado o (até o momento, hipotético) potencial de vendas de revistas e jornais em tablets, não seria exagero pensar que o One Pass é uma medida estratégica-defensiva. Se a coisa deslanchar, pensam as mentes por trás do One Pass, já temos uma solução pronta e eficiente para lidar com a prática.

O toque Google de facilidades e recursos está presente no One Pass. As críticas da própria empresa ao modelo de cobrança por conteúdo foram consideradas na concepção do serviço, de modo que:

  • A compra é feita com poucos cliques, via Google Checkout;
  • O acesso é universal (compre num dispositivo, leia em qualquer outro);
  • Editoras têm acesso aos dados dos assinantes;
  • Todo o processo de compra (usuário) e a implementação da tecnologia em sites que já existem (dev/editora) é simples;
  • O modelo é flexível. Permite assinaturas por períodos, por quantidade de artigos, dentre outras modalidades.

Rumores indicam que o primeiro grande site a usar o One Pass será o The New York Times, que há tempos ensaia a estreia do seu sistema de cobrança inteligente, que afeta quem mais lê seus artigos e notícias e, pela lógica, estaria mais propenso a pagar para ter acesso a esse conteúdo.

Fonte: Tiago Dória.

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