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Android e eu

Mais uma história de vida móvel. Qual a sua?

10 anos atrás

"Há muito tentei acompanhar a evolução dos smartphones, mas nunca tive dinheiro suficiente para comprar um celular sofisticado, que acessava a internet e tudo mais. Quando o iPhone foi lançado, morri de inveja, principalmente porque é bonito, útil e faz de tudo. Mas o que mais me interessava era a instalação de aplicativos.

Nokia N73.

Nokia N73. (Clique para ampliar)

Então, como não tinha recursos suficientes para ir de iPhone, comprei um Nokia N73. Foi um sonho, sinceramente. Primeiro celular que tive que dava pra tirar uma foto e já postar direto no Flickr, fiquei maravilhado. O que mais me encantava naquele aparelho era o Symbian. Foi meu primeiro contato com ele. Me apaixonei. Mas como nem tudo são flores, fui assaltado e levaram meu aparelho embora.

Na ânsia de ter um aparelho bom novamente, comprei um LG Renoir (KC910). Hoje considero essa uma das piores opções que poderia ter feito. Como sou um heavy user, gosto de fazer de tudo no aparelho, logo, o Renoir me segurou bastante nesse ponto. O máximo que podia fazer era instalar aplicativos Java, que muitas vezes nem tinham suporte à touchscreen e, quando tinham, era horrível. Pelo menos a câmera era boa — e bota boa nisso.

LG Renoir.

LG Renoir. (Clique para ampliar)

Passei meses desencantado com o Renoir (mas ainda assim podendo tirar ótimas fotos), mas como paguei caro por ele, o usei até a bateria parar de funcionar, o que não demorou muito, para falar a verdade.

Então, passeando pelo Shopping Dom Pedro, em Campinas, vi em uma loja desvinculada de qualquer operadora um Nokia 5800 por um preço menor que a concorrência. Eu quis, juro que quis resistir. Mas a lembrança que tinha do Symbian com meu N73 era ótima, eu queria ter aquela sensação de volta. Me apertei e comprei o celular.

Outra decepção. O Symbian não foi feito para ser usado e apreciado numa tela sensível a toques. Ele foi criado para celulares com teclado de celular "normal". Usando o celular, querendo ter aquela resposta legal de um iPhone, me decepcionava a cada momento. A gota d'água veio quando resolvi usar o celular para fazer tudo o que queria online. Então baixei o Gravity e testei pelo tempo de trial, baixei o Opera e um cliente de Messenger. Todos eles funcionavam bem. O problema era que tinha que usar um por vez. Quando tentava abrir dois aplicativos ao mesmo tempo (ou até mesmo mais que duas abas no Opera), recebia uma mensagem: "Ow, fecha essa coisa que estou sem memória", ou algo parecido com isso. Cada vez que via essa mensagem minha vontade era de jogar o celular na parede e ver em quantos pedaços ele se transformava.

Nokia 5800.

Nokia 5800. (Clique para ampliar)

Nessa altura do campeonato eu já tinha usado e jogado bastante no iPod touch da minha namorada. Eu queria aquilo no meu celular, então voltava para meu Nokia e minha decepção aumentava ainda mais. Mas eu também não queria pagar pelo iPhone (o que eu acho absurdamente caro e sem motivo para tal), apesar de morrer de vontade de ter um.

Até que entrei na empresa onde trabalho hoje. Aqui conheci um evangelista (praticamente) que tem um Motorola Milestone com Android 2.1. Curioso para ver como era essa joça, pedi para usar. Confesso que não me impressionei de princípio, achei a resposta lenta, o touch não tão legal. Na real eu queria um iPhone, mas isso é difícil.

Passado um tempo, depois de muito ouvir sobre Android do meu vizinho de estação de trabalho, achei o Samsung Galaxy 5. E lá veio a coceira na mão de volta. Um celular mais barato do que tinha atualmente (pelo menos levando em consideração valor no dia da compra), mas que aparentemente me traria muito mais. Comecei a correr atrás de informações, principalmente comparando-o com o 5800 da Nokia. Sabia que o hardware do Galaxy 5 era inferior, então julguei que teria uma resposta pior que o meu Nokia atual, algo bastante lógico: hardware pior, software roda pior. Mas essa lógica não leva em consideração quando o software é mal feito (desculpe Symbian, mas algumas verdades têm que ser ditas).

Ainda com a mão coçando, fui até a loja Colombo do Shopping Estação, aqui em Curitiba, com a intenção de testar o aparelho e, se gostar, comprá-lo. Tive o desprazer de encontrar um vendedor péssimo que deu a entender que só me mostraria o celular (buscar a bateria para me mostrar ligado) se eu fosse comprar. Falei então que não precisava e sai da loja. Indignado. Mas com vontade de comprar.

Não satisfeito fui até a loja Colombo do Shopping Palladium, sendo então atendido pelo gerente. Agora a história mudou de rumo, o cara foi muito atencioso e fez questão de demonstrar o aparelho ligado para que eu tivesse certeza antes de comprar. Testei, testei... Algo me dizia para não comprar, mas meu instinto consumista e nerd falou mais alto e comprei a belezinha.

Samsung Galaxy 5.

Samsung Galaxy 5. (Clique para ampliar)

Cheguei em casa e já comecei a desembrulhar a caixa, liguei a bateria, coloquei o cartão de memória de 8 GB do celular antigo (que veio no meu Renoir), botei o cartão da operadora e liguei. Brilho nos olhos, meia hora de boot. Tensão... Até que veio a home screen. Ele reconheceu a rede da Claro sozinho, conectou no 3G sozinho, não precisei configurar nada. Tudo que precisava. Abri o gerenciador de contas, mandei sincronizar com Twitter, Gmail, Facebook, etc. E esperei sincronizar. Em questão de minutos eu tinha todos os meus contatos no celular, COM FOTO! Cara, que maravilha, não precisava mais tirar foto para cada contato isoladamente, ele já vem com a foto da rede social. Genial.

Alguns primeiros momentos de uso, mandei pastar todas as pessoas que falaram que eu não deveria trocar de celular, e me sentindo com O Anel na mão, proferindo "my precious" a cada minuto.

Confesso que a primeira impressão foi maior do que realmente é. O Android me deu tudo que sempre quis ter em um celular. Mas com isso também vieram algumas necessidades que não são supridas por ele. Como, por exemplo, o print screen. COMO PODE UM S.O. NÃO TER ISSO?! É um saco tirar um print screen da tela. Mas fazer o quê, nada é perfeito.

Agora, após alguns meses usando ele e depois de ter comprado vários apps e jogos, confesso que ainda tenho vontade de ter um iPhone, ou pelo menos um iPod touch. Mas agora essa vontade não passa de curiosidade e um pouco de vontade de usar aplicativos que só existem para eles. Mas não mais como antes. Acredito que consegui achar um substituto a minha vontade e por um preço bem menor. BEM menor...

Só espero que meus instintos não tenham me traido... De novo."

Nota do editor: acima, a "história mobile" do Naftali. O Cardoso já contou a dele, e eu, a minha. E a sua, como é?

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