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Retina Display no iPad? Esqueça!

Por que o iPad não terá uma tela verdadeiramente retina? Clique e entenda nossos motivos.

08/06/2010 às 13:05

Uma das reclamações dos Haters é que a Apple tem mania de renomear para si recursos e produtos externos. É verdade, Wi-Fi virou Airport, Videochamada virou Facetime, Sagan virou Astrônomo Bundão e Alta Resolução virou Retina Display, mas depois que se vê a diferença que uma tela de 329 ppi faz, e como o iPhone 4 saltou deixando a concorrência para trás, percebe-se que ela tem esse direito.

Duvida? Clique aqui e veja. Sério, abra esta foto da tela do iPhone 4 do lado de um iPhone Velho.

Convencido, herege?

A mudança foi drástica, ao dobrar a resolução nas duas dimensões a Apple multiplicou por 4 o número de pixels. De 153 mil o novo iPhone tem que gerenciar 614 mil. Pense bem, não estamos falando de um Palm mostrando bloco de notas e agendas, mas de jogos 3D e exibição de filmes.

O que diferencia o aparelho é a densidade dos gráficos. Mais pontos por polegada, melhor definição, dentro dos limites da visão humana. Por isso não adianta comprar uma TV Full HD de 22 polegadas e assisti-la de 5 m de distância. Seu olho não consegue diferenciar detalhes tão pequenos. Já se for uma Full HD de 72 polegadas, a imagem ficará nitidamente melhor do que uma TV com resolução convencional.

Mesmo assim há limitações de ordem prática pra que essa tecnologia maravilhosa permeie nossa vida de forma mágica, como gosta a Apple.

Vejam a resolução absoluta do iPhone 4 em verde (960×640), do iPad em vermelho (1024×768) e de um MacBook (1280×800) em azul:

clica que amplia

AULINHA

O valor de pontos por polegada é uma relação entre a quantidade de pixels exibida E o espaço físico ocupado por esses pixels. Por isso um jogo não fica tão bom em um monitor de 72 polegadas quanto em um de 42, que por sua vez é melhor do que um de 17, mesmo todos exibindo a mesma resolução. Tudo tem a ver com a quantidade de detalhes que você consegue distinguir.

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Os monitores de vídeo estão limitados por razões técnicas e práticas. não existe como aumentar a quantidade de ppi sem aumentar a resolução OU diminuir o tamanho da tela. Diminuir está fora de questão, já aumentar a resolução mantendo o tamanho da tela exige processadores gráficos dedicados poderosos.

O (excelente) Nokia E71 sofre para tocar vídeo em tela cheia a 320×240. Compare com um iPhone 4 a 960×640. Estamos cobrando de um celular que exiba 60% dos pixels de um notebook inteiro. E ainda faça multitasking enquanto isso.

A definição de tela do MacBook é de meros 113 ppi, culpa da tela grande de 13,3 polegadas. Já o iPad chega a 131 ppi, sua resolução é menor (1024 contra 1280 do MacBook) mas a tela também é menor.

O iPhone velho tem 164 ppi, mais uma vez graças à tela pequena de 3,5 polegadas. Com isso os já então nada impressionantes 480 pontos na horizontal se destacam.

Ok, então vamos brincar: digamos que a Apple queira nos maravilhar com o mágico iPad HD, apresentando os mesmos 329 ppi do iPhone 4, o quê seria preciso?

O mais fácil seria reduzir o tamanho do iPad, renomeando o futuro iPod Touch 4 para iPad 4 mini, mas ninguém compraria. Então a saída é aumentar a resolução gráfica. Mas para quanto?

Usando a boa e velha matemática descobrimos que para um iPad de 9,7 polegadas ter definição de 329 ppi ele precisaria de uma resolução gráfica de 2560 × 1920, gerenciando 4,9 milhões de pixels.

Muito pouca gente usa resolução tão alta no dia-a-dia, 2560×1920 está acima do “muito alta”, está em algum ponto entre o “grosseria” e “boçal”. Só para dar uma idéia o padrão Full HD é 1920 × 1080.

O pobre chip A4 da Apple para exibir vídeo em um hipotético iPad HD teria que ser mais poderoso do que a maioria dos computadores, não é qualquer xingling que toca um Blu-ray em Full HD.

E um Macbook? Que tal um Macbook HD, com 329 ppi e uma tela linda como um livro?

Usando a mesma matemática ele teria que ter resolução de 3712 × 2320, gerenciando 9,6 milhões de pixels. Por alto um screenshot não-comprimido a 24 bits ocuparia 25 MB. Multiplique por 60 e temos o tráfego de dados para exibição de um filme nele.

A tecnologia atual simplesmente não comporta esse tipo de resolução em dispositivos portáteis. Mesmo que comportasse, um filme Blu-ray ocupa mais de 25 GB. Encaixe isso em um iPad de 32 GB. Se for um de 64, você poderá levar DOIS filmes. Ops, a resolucão do iPad é maior que Full HD, esqueça. Um filme ocupará mais de 25 GB. Você pode tentar streaming…

Portanto as limitações agora são de ordem tecnológica, não mercadológica. A Apple já fez mágica para um processador de 1 GHz (dado não oficial) segurar a onda de uma tela como o iPhone 4, mas um equipamento com características físicas do iPad, exibindo o mesmo tipo de definição? É economicamente inviável. Ao menos em um futuro imediato.

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