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China paga de Cicarelli e bloqueia YouTube

26/03/2009 às 12:37

O Governo marketista-leninista de Beijing continua com as ilusões de que é possível controlar a mídia, em uma época em que todo mundo é mídia. Indiferentes ao fato de que mesmo em Burma, país tão fechado que só o Rambo entra, teve protestos públicos filmados por blogueiros e disponibilizados na Internet, os chineses resolveram acabar com protestos pró-Tibet na base da cacetada e do bloqueio de IP.

Acusando a Internet de tentar corromper a moral e bons costumes dos jovens chineses, milhares de sites são censurados, o próprio Google abre as pernas (ok, existe mau sentido) e bloqueia buscas locais para palavras como Tibet e Dalai Lama, e desconhecendo o mundo tecnológico de hoje, comete gafes ridículas como negar publicamente um incêndio no prédio da TV Estatal, enquanto sites, blogs e foruns eram lotados com fotos do evento.

No caso atual, a China não quer que seus cidadãos vejam este vídeo:


[atualização] Os lacaios de Beijing do YouTube China removeram o vídeo, mas tudo bem. No Liveleak há outros, e piores. Chupa, China!

Melhor: A resposta de um Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores Chinês:

"Muitas pessoas têm uma falsa impressão de que o Governo Chinês teme a Internet. De fato é o oposto. (...) a Internet na China é aberta o suficiente, mas também precisa ser regulada por Lei para prevenir a disseminação de informação prejudicial, e por questão se segurança nacional"

Claro, camarada, claro. É a mesma justificativa que o Governo Cubano dá para negar o visto de viagem para Yoani Sánchez, blogueira cubana eleita uma das 100 pessoas mais importantes de 2008 pela revista Time, que publica um blog que não consegue acessar, pois está bloqueado em Cuba, e que ganhou de presente dois agentes do Serviço (não tão) Secreto vigiando seus passos.

Some a isso a notícia de que o Irã aprovou uma Lei que aplica Pena de Morte para blogueiros e webmasters que divulguem em seus sites textos que promovam "Corrupção, Prostituição e Apostasia". Até então apenas tráfico de drogas e insultar o Islã eram punidos da mesma forma.

Agora por dizer que "Deus não existe e o Islã é um bando de maricas" estou sujeito a dupla pena de morte, se colocar os pés em Teerã. (não exatamente meu destino de férias preferido)

A Internet, infelizmente, é muito mais um reflexo da sociedade do que uma proposta de mudança em si. Não há perspectiva da China mudar, o Irã está se armando e só perderá a relevância quando o petróleo acabar, e Cuba então nem se fala. Quer dizer, se fala, mas Raoul Castro censura.

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