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Cicarelli é OpenSource e free

Ei, sossegue. Free as beer, mas só pro namorado. O que está se evidenciando, tanto nas notícias na Internet quanto nos comentários do post do MeioBit sobre o affair "vídeo da Cicarelli" é que a estratégia

25/09/2006 às 13:03

Ei, sossegue. Free as beer, mas só pro namorado. O que está se evidenciando, tanto nas notícias na Internet quanto nos comentários do post do Meio Bit sobre o affair “vídeo da Cicarelli” é que a estratégia de mercado do movimento Open Source / Free Software é muito, muito funcional.

Ao contrário do modelo tradicional, onde é vendido/alugado o direito de uso do software, no modelo FOSS (Free, Open Source Software) abre-se mão do faturamento da venda, e ganha-se por meio de serviços. Logicamente o desenvolvedor de um software é a pessoa mais indicada para prestar consultoria sobre o mesmo, e se ele detém controle sobre a versão oficial, ninguém melhor do que ele para incluir novas características, solicitadas por seus clientes.

De modo algum há qualquer restrição para quem quiser seguir o próprio caminho, mas apelar para o desenvolvedor (ou gente indicada por ele) é o procedimento natural. A empresa que usa o software ganha, o desenvolvedor ganha, todo mundo ganha, inclusive em termos de imagem.

O que temos é, ainda, uma venda, mas ao invés de um produto, compra-se a expertise, o conhecimento.

No caso Cicarelli temos gente vendendo no MercadoLivre, o vídeo. A princípio pensa-se que é um absurdo, mas será que é mesmo?

Meu ex-cunhado viajou o Brasil todo a serviço, para entre outras coisas instalar o IIS. Antes que alguém fale, eu também achei dificil de acreditar, pois é muito simples instalar e configurar o IIS. Só que, assim como achar o vídeo da Cicarelli, instalar o IIS é simples, para quem sabe o que está fazendo. A quantidade de conhecimento necessário é bem maior do que clique-clique e acabou.

Ao comprar o vídeo por R$5,00 o usuário está apenas pagando por um serviço, que é a aplicação de um conhecimento que ele não tem. Muita, muita gente não tem a menor idéia de como achar músicas na Internet, a maioria sequer imagina que exista tal coisa. Programas como o Bit Torrent, eMule e outros são desconhecidos da maioria das pessoas que usam computador.

O vídeo está disponível em um monte de lugares, é preciso saber procurar. Da mesma forma um programa Open Source está disponível para download, mas para modificá-lo de forma correta é preciso saber como ele funciona. A quantidade de homens-hora, dependendo da complexidade da modificação, não justifica o investimento necessário para entender seu funcionamento, é melhor pagar para quem detém o conhecimento.

“Li no site da Folha sobre esse tal vídeo, mas eu só uso o Cadê e o hotmail, como eu baixo?” Um usuário assim, você acha que ele vai querer aprender sobre P2P, configurações, portas, firewalls, NAT, servidores, links EDK (ou E2K?), CODECs, etc, ou vai preferir pagar R$5,00 por um VCD que tocará direto no DVD-Player dele?

E se você acha que estou exagerando, veja o post original do vídeo da Cicarelli, os visitantes sequer lêem os comentários, onde há várias dicas de onde baixar o tal vídeo. Só sabem pedir “manda pro meu email”, ignorantes de que nem o BOL nem o Hotmail vão aceitar um anexo de mais de 25MB.

Dizem que Conhecimento é Poder, mas é mentira. Se fosse verdade os bibliotecários dominariam o mundo. O que é poder (além de Pai-Mei) é a aplicação do Conhecimento. É saber onde e como ele deve ser usado. É o chamado “pensamento lateral”. Você pode ter todos os manuais e todas as fontes de um programa, mas se não tiver familiaridade, vai ajudar tanto quanto o google ajuda ao pessoal que chega nos posts da Cicarelli via Google e não consegue usar o Rapidshare.

Isso funciona para a IBM, para o RedHat, para o pessoal do mySQL e até para o cidadão que se deu ao trabalho de fazer um VCD ou DVD com o vídeo da semana, e anunciar.

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