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Microsoft patenteia censura de áudio em tempo real

24/10/2008 às 6:52

Uma das melhores performances do incomparável George Carlin envolve as Sete Palavras Proibidas, que não podem ser usadas em televisão aberta ou rádio nos EUA. Caracterizadas de “indecentes”, qualquer menção a shit, piss, fuck, cunt, cocksucker, motherfucker ou tits implica em uma multa pesada. Tão pesada que a rádio WBAI, de Nova York veiculou um show de George Carlin em 1973, foi multada pelo FCC e até os anos 90 ainda estava envolvida em disputas judiciais para tentar fugir da multa. Não conseguiu.

Imagine uma transmissão ao vivo, onde você não tem controle do que está passando. Para evitar problemas como o Problema de Guarda-Roupa da Janet Jackson no Superbowl as emissoras passam as transmissões ao vivo com 9 segundos de atraso; diretores ficam vigiando o que é mostrado e o que é dito, colocando “bips” ao vivo, se necessário.

Agora uma patente da Microsoft parece ser a solução do problema; usando técnicas de inteligência artificial e reconhecimento de voz a idéia é automatizar o processo, colocando “biips” automaticamente e acabando com o atraso de 9 segundos. Isso claro se as emissoras se interessarem, pois não é o foco da Microsoft.

Muito melhor para ela é aplicar essa tecnologia no Xbox Live. No exterior é muito comum o uso de microfones e comunicação de voz entre os jogadores, mas nós sabemos como são os adolescentes. A maioria das mães não vai achar muito interessante se descobrir o quanto esse pessoal fala palavrão, e provavelmente culparão a Microsoft por não dar educação a seus jogadores.

Isso, nós sabemos é impossível, mas com a tecnologia descrita na patente, é possível oferecer aos pais um chat (teoricamente) limpo de profanidades.

Vai dar certo? Acho que não, adolescentes sempre acharão um jeito de burlar o sistema, nem que seja usando palavras-código. Muito melhor é pensar nas aplicações, como varrer toda a sua coleção de MP3 e achar músicas que falam de “pagode” por exemplo. (e apagá-las). Um sistema baseado nessa tecnologia poderia monitorar todas as rádios online de um país atrás de temas e notícias específicos.

Uma idéia mais sinistra seria um conjunto de microfones monitorando um restaurante ou um cinema e recolhendo todas as referências às marcas dos clientes, recolhendo assim opiniões espontâneas sobre os produtos e serviços.

Fonte: Ars Technica

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