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Quem diria: o grande problema de aeronaves não-tripuladas é falta de piloto

Quem diria: o grande problema de aeronaves não-tripuladas é falta de piloto. A posição de piloto de drone não agrada em NADA aos candidatos em potencial, o que está gerando problemas para as forças armadas dos EUA.

23/08/2013 às 18:30

drone-pilots

Você acaba de assumir seu posto, em uma estação de combate na base aérea de Nellis, no Estado de Nevada. Na sua frente gigabytes de informação atravessam metade do mundo, por uma complexa rede de satélites e cabos ópticos, ligando suas telas e comandos a um drone Global Hawk fortemente armado, daqueles que a Imprensa não sabe que existem.

Um sinal de prioridade começa a piscar. Em algum lugar nas montanhas do Afeganistão uma equipe da Força Delta está encurralada por mais de 50 talibãs. Os reforços mais próximos estão (virtualmente) a milhares de quilômetros de distância: você.

Câmeras multiespectrais rapidamente montam um mapa da situação. Os soldados com marcadores infravermelhos são designados como amigos, os outros, inimigos. Bem-treinados, os talibãs se preparam para um ataque de pinça, amaciando os alvos com ataque de morteiros. Um radar de artilharia calcula rapidamente a posição das bases de lançamento. Você comanda dois Hellfires, em segundos os morteiros se calam.

Desorientados os talibãs começam a subir em um ataque final. Você avisa aos Deltas para concentrar fogo no grupo vindo do Leste. Mesmo sem o ensurdecedor barulho das M60, seu GlobalHawk está alto demais. Ninguém ouviria quando a bomba de fragmentação se desprendeu da asa e seguiu com precisão o laser apontado para o grupo em movimento de inimigos.

15 metros sobre o alvo ela explodiu, lançando mais de 250 sub-munições, do tamanho de granadas de mão, chovendo morte e destruição naquele lado da montanha. No infravermelho nada mais se movia. Conferindo o outro flanco, você percebe que os Deltas foram igualmente eficientes.

“Mais alguma coisa, Delta-Prime?”

“Negativo, Anjo-1. Quer dizer, você consegue entregar cervejas?”

“Ainda estamos trabalhando nisso. Anjo-1 desliga”

Claro, seria assim se guerra fosse igual videogame. Na vida real 99% do trabalho de um piloto de drones é olhar areia passar. E tirar fotos de mais areia. Nas raras situações de combate o sujeito está armado com munição inadequada, ou nem está armado. Atirar em um inimigo sabendo que ele não pode te ferir de volta é seguro mas nem um pouco gratificante, e ao contrário do que a mídia liberal gosta de passar, a maioria dos pilotos de drones não são assassinos sanguinários, e não gostam da idéia de matar crianças sem-querer.

Junte a isso a ausência de um plano de carreira, o desdém geral que sofrem dos soldados “de verdade”, e você tem um dos piores postos para um militar.

Com isso a rotatividade de pilotos de drone na USAF chega a ser 3 vezes maior que a de pilotos de verdade. Não ajuda exigirem que o sujeito tenha curso superior e seja piloto. No final acaba sendo mais estressante o trabalho num container refrigerado em Nevada do que na cabine de um A10 Thunderbolt voando rasante a 700 km/h no Afeganistão.

Se a Força Aérea já era chamada pelas outras forças de Chair Force, com os drones então, lá se foi sua reputação.

Talvez a solução seja mais automação e baixar requisitos. No Exército não é preciso ser piloto de verdade para voar drones, basta ter Segundo Grau. Talvez quem nunca tenha tipo condição de ser um piloto de caça não fique tão frustrado de pilotar videogames.

Fonte: PS.

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