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Parente é serpente

30/05/2008 às 18:09

Gamer é um bicho estranho mas, pelo que sei, não é filho de chocadeira. Então vocês todos devem ter família e sabem como as relações familiares são complicadas. São pais que não conseguem ultrapassar o abismo de gerações e se comunicar com os filhos, netos que não têm convivência de qualidade com seus avós, irmãos que competem o tempo todo, tios e primos que se intrometem demais na sua vida. Isso sem contar cunhados intrometidos, primos pentelhos e coisas assim.

Mas os tempos estão mudando e coisas que pareciam impensáveis uns anos atrás agora são possíveis. Por exemplo, jogar cartas online com sua mãe a 400km de distância ou um MMORPG com seus irmãos. E o melhor: sem começar a Terceira Guerra Mundial nem tratar ninguém como café-com-leite.

Conta pra tia: dá pra jogar em família sem matar todo mundo?

Eu sou bem otimista quanto a esta relação entre games e família. Meu caso pessoal, por exemplo. Depois de 15 anos de conflito, eu fiz as pazes com a minha irmã, em parte, jogando. Claro que tem outros fatores envolvidos, mas uma parte desse período de paz se deve a termos uma atividade que empolga ambas da mesma forma. Isso não acontecia desde que tínhamos 12 anos e começamos a sair à noite. Começamos no Ragnarok, mas no World of Warcraft eu consegui fazer um pouco do que tentei a adolescência toda: cuidar dela, ensinar, mostrar coisas, pegar pela mão. Ela foi boazinha e deixou. Hoje ela é uma das pessoas mais bem colocadas nos rankings da nossa guilda (bem acima de mim, por sinal), tem montaria épica, outros amigos e admiradores. E eu fico muito feliz de ter feito parte disso tudo.

Não contente em viciar minha irmã num jogo, ainda sonho com o dia em que jogarei Age of Conan com meu irmão (só pra ser mais forte que ele em algum lugar no universo), farei um blog com meu pai (pra deixar ele falar mais do que eu) e jogarei Frogger com a minha mãe (pra tentar ter alguma interação com ela, o que anda difícil ultimamente).

Nos últimos meses li também algumas histórias interessantes e até comoventes. Um filho que conta como jogar Battlefield 1942 com seu pai melhorou o relacionamento entre os dois, uma mãe que deixou de ver os filhos como crianças para vê-los como "adultos em desenvolvimento" por causa do WoW e uma declaração quase apaixonada de um genro sobre sua sogra que "queria poder se transformar em um urso". E tem o post do Dori falando de como ele sente falta do pai quando lembra de um jogo do Mega Drive.

Alguns de vocês estão naquela fase de odiar qualquer pessoa com mais de 30 anos. Outros ainda devem considerar que seus irmãos são seus piores inimigos e são só um bando de pentelhos. Eu não acredito em família com laços puramente de sangue ou de obrigação e entendo as fases de conflito. Faz parte do processo de amadurecimento e afirmação de qualquer pessoa. Mas aprender a lidar com as pessoas que você chama de família – jogando ou não – é algo que recomendo. Muito.

Eu e minha irmã, Lindadmorrer e Lulux, respectivamente. Eu posso ser mais feia, mas sou muito mais SIMPÁTICA /wave

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