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Entrevista: Equipe e-Zone

02/04/2008 às 11:44

Já comentei várias vezes aqui no MB Games o quanto aprecio as revistas digitais, principalmente as que abordam o universo do games. Decidi então convidar o pessoal do e-Zone - um dos poucos projetos neste segmento no Brasil, mas nem por isso de baixa qualidade - para uma entrevista.

Durante o bate-papo fiquei sabendo quais as maiores dificuldades em se manter uma revista digital e outros detalhes muito legais sobre o trabalho deste pessoal que escreve por amor aos games (e aos cinema, aos quadrinhos, a cultura...). Confira!

Meio Bit Games: Como e quando surgiu a idéia da revista?

Equipe e-Zone: A idéia surgiu a 2 anos atrás aproximadamente. Na época conhecíamos a pouco tempo uma revista que saiu na internet chamada Ultimate Player. Fiquei empolgado em tentar algo parecido, ainda mais depois que a UP (como era conhecida) sumiu do mapa depois de 2 edições. Acabei por acaso, achando um dos organizadores do projeto, o Jesiel Lucena, e junto com ele, depois de um brainstorm de mais de 300 nomes, nasceu a idéia "e-Zone", que seria uma revista bimestral e virtual sobre cinema, games, anime, hq, música e tecnologia, mas o foco principal seriam mesmo os games.

MBG: Quantas pessoas participam atualmente do processo?

EeZ: Pessoal fixo temos de 10 a 12. Mas por se tratar de um projeto que não envolve lucros e não paga ninguém, esse número costuma oscilar e já chegamos a ter 15 na equipe. Cada membro cuida de uma parte específica como administração, design, análises, coberturas de eventos, vídeos, podcast, marketing e mais recentemente o Daniel Ferreira que entrou para cuidar exclusivamente do BlogeZ, que é uma alternativa nova e mais interativa da revista virtual.

MBG: Há vagas para novos colaboradores? O que eles precisam ter/fazer para entrar para a equipe?

EeZ: Por ser um projeto que não tem limites de alcance devido a internet e tudo mais, sempre estamos abertos a novos membros, idéias e participações que possam vir a agregar conteúdo e qualidade a e-Zone como um todo. As vezes muita gente na internet vem reclamar comigo que tem várias boas idéias mas não possuem um canal decente para estar divulgando ou colocando em prática, e a e-Zone tem essa facilidade de ser feita de leitores para leitores, gamers para gamers, então é fácil incorporar novas alternativas e opções que sejam bacanas e incentivamos que o pessoal venha até a gente oferecer essas idéias e colaborações.

Para quem quiser participar, basta enviar um e-mail para [email protected] explicando como e porquê quer fazer parte do projeto. Todos e-mails serão lidos e respondidos e se realmente tiver algo interessante para oferecer, retornaremos o contato com uma proposta bacana.

MBG: Qual a periodicidade das edições?

EeZ: Originalmente o planejado para o lançamento entre uma edição e outra era de 2 meses. Como temos mais de 60 páginas com entrevistas, análises, matérias especiais e tudo mais, dá um certo trabalho e tornar mensal seria necessário cortar a quantidade de páginas para média de 30, o que não achamos legal fazer agora. Mas como atualmente toda a equipe se encontra focada na criação e desenvolvimento do novo portal da e-Zone, que será algo ainda não visto na internet brasileira, demos uma parada para focar todas nossas forças físicas (e criativas) para que o site se destaque dos tantos outros que existem no Brasil. Mas assim que o site estrear, com previsão para maio, aproximadamente depois de 1 mês disso uma nova edição da e-Zone deve pintar na rede.

MBG: Qual o maior desafio encontrado por vocês para criar as edições e manter a revista?

EeZ: Os maiores desafios que lidamos a cada planejamento e lançamento de uma edição está em manter a atenção do leitor com novidades e um texto fácil de ler e bastante dinâmico, que tentamos fazer nossa marca registrada. No planejamento é difícil prever qual pauta será boa ou já estará ultrapassada num prazo de 2 meses. Um tema escolhido hoje que seria legal ser falado hoje pode já não interessar a mais ninguém quando a revista for lançada. Pra evitar que isso aconteça, tentamos não escolher pautas e matérias datadas e com "prazos de validade".

Já no lançamento, enfrentamos a dificuldade de que apesar de um bom trabalho que levou 2 meses para ser concluído, ainda não contarmos com nenhum meio de divulgação eficiente. Por umas 3 edições fizemos um bom trabalho mas ele acaba não adiantando nada se ninguém fica sabendo que você fez pela falta de um canal de divulgação ou meio de comunicação eficiente e que apoie iniciativas como a nossa, que não pode pagar pela propaganda.

MBG: O que falta para que outras iniciativas como a da vocês ocorram no Brasil?

EeZ: Acredito que existam 2 fatores principais para projetos como o nosso não nascerem, e quando nascem, simplesmente não passarem de 2 ou 3 meses antes de sumire completamente como aconteceu com a UP. O primeiro é a falta de responsabilidade por parte de quem faz. Muita gente entra para o projeto, assume responsabilidades e acaba achando que apenas porque não é remunerado, trata-se de uma brincadeira e acabam enjoando qual a tal brincadeira exige tempo e por muitas vezes dá dor de cabeça.

O outro fator determinante para o não-sucesso de projetos assim é a falta de investimento, visibilidade e o já falado meio de comunicação que se preocupe em divulgar projetos que buscam levar conteúdo e cultura jovem em geral como a e-Zone, mas não contam com cacife para pagar um banner ou um post patrocinado. Acredito que se projetos como o nosso fossem divulgados e lidos por muitos leitores através desses canais de comunicação com o público em geral, tudo tomaria uma dimensão e um respeito diferente e passariam e ser mais procurados, e em consequência disso, novas iniciativas teriam chances de surgirem.

MBG: Vocês acham que a leitura no computador acaba "assustando" um pouco alguns leitores?

EeZ: Sim e não. A leitura de uma revista ou qualquer outra coisa em um PC pode não ser comum para todo mundo, mas acredito ser uma questão de costume. Se você puder ter conteúdo de qualidade de graça para ler no computador e pagar R$ 15,00 por uma revista com mais propagandas do que conteúdo, qual você escolheria?! Por não ser uma prática ainda disseminada de divulgação de conteúdo o público pode rejeitar, mas isso dura até você ler 1 ou 2 edições e reparar que o cansaço e os problemas de ler uma revista virtual é o mesmo de entrar em um blog ou um site: praticamente zero.

MBG: Vocês já receberam proposta de alguma editora para publicar a revista?

EeZ: Temos contatos com algumas pessoas dentro de editoras como a Conrad e JBC, mas esse ainda não é nosso foco mesmo que houvessem. Vemos que a internet tem tanto espaço e interatividade que uma revista real não teria, que atualmente seria um desperdício deixar a possibilidade de fazer a diferença virtualmente falando para sermos mais uma revista na banca.

Outro fator é que a e-Zone não é uma revista que fala de um assunto específico, e na internet isso funciona porque atinge diversos públicos diferentes, já para uma revista real, uma revista que fala sobre games tem que ser só sobre games e uma de cinema somente sobre cinema, então acredito que não conseguiríamos nos encaixar no perfil de uma mídia impressa ainda. São planos futuros, mas ainda é cedo para pensar em dominar as bancas do Brasil.

MBG: Quais seriam as vantagens das revistas digitais em relação aos blog?

EeZ: O aspecto e apelo visual que uma revista virtual possui está bem longe da capacidade de um blog hoje. Talvez do outro lado da balança, os blogs sejam mais dinâmicos e atualizáveis, mas a sensação de ler uma análise somente de texto, e outra com textos, imagens, legendas e renders que te fazem mergulhar na experiência in-game como a revista proporciona, acho que fazem valer a mídia que ela é e se destacar a ponto de fazer valer a pena a espera de 2 meses por uma nova edição.

MBG: Quais os próximos passo em relação ao e-Zone?

EeZ: Entre os futuros projetos que a e-Zone vai entrar de cabeça, já demos um start com o BlogeZ que é atualizado diariamente, e como dito antes, o novo portal que apesar de não poder falar muito ainda, e muito menos a data exata de lançamento, prometemos mudar muitos conceitos que existem hoje no país quando o assunto é entretenimento digital. Um sistema inovador que foi planejado e está sendo criado pensando no usuário brasileiro que sempre tem acesso a bons sites, mas todos sempre criados fora daqui. E mais pra frente, em uma versão 2.0, integrar totalmente as mídias com uma convergência gigante entre site, revista, blog, fórum, vídeos, podcast e tudo mais que pudermos oferecer até nossa criatividade permitir.

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Gostaria de agradecer ao pessoal do e-Zone pela entrevista e dizer que desejo toda sorte do mundo para eles. Quero também parabenizar todos os integrantes do projeto pelo ótimo conteúdo e elogiar o trabalho realizado no layout da revista que está simplesmente fantástico, deixando muito periódico impresso no chinelo.

Lembrando que para baixar as versões antigas da revista, basta clicar aqui.

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