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A questão das fusões, compras, dança das cadeiras, criatividade e tudo mais

26/02/2008 às 1:08

Recentemente, com a tentativa da EA de comprar a Take Two, voltou em cena as fusões de empresas. Isso sempre aconteceu no mercado e sempre vai acontecer, mas vamos tentar nos focar na indústria dos games. Primeiro vamos falar das implicações de uma venda de uma empresa.

Existem vários motivos para uma empresa ser comprada. talvez por ela estar em processo de falência ou mesmo não estar tendo condições financeiras de iniciar ou continuar um projeto (e isso não quer dizer que ela esteja falindo, mas sem recursos). Aí ou ela inicia um processo de demissão voluntária (como a Sega fez recentemente) para diminuir os gastos, ou ela tenta arrumar dinheiro, e aí vem aquela idéia da empresa ser vendida por outra maior, para que pelo menos as franquias se salvem, ou mesmo pedir a ajuda de outra produtora, para distribuir e financiar o jogo.

De qualquer jeito a empresa perde numa compra: alguém vai rodar, e muitos desenvolvedores são demitidos. Mas existe o outro lado: a nova dona vai querer preservar as principais mentes criativas e responsáveis pelas franquias de sucesso. É óbvio, fora que hoje muitos game designers são famosos e conseguem chamar tanta atenção quanto os próprios games.

Ah, mas no contrato de compra a empresa pode colocar uma cláusula impedindo as demissões. Pode, mas até quando? Ela pode prometer isso e dentro de alguns meses mandar gente pra rua, para cortar gastos. Sempre que um game é concluído, acaba tendo algumas demissões, já que não é tão necessário manter certos funcionários, e ela pode investir em mão de obra mais barata, limando alguns profissionais que estão a anos nas empresas e ganham muito bem. É a realidade do mercado: é mais fácil ela conseguir duas pessoas que podem ter criatividade e são novas (e com isso tem salários mais baixos) e demitir uma pessoa mais velha que ganha mais do que as duas pessoas podem ganhar. Mas tudo depende: se o cara é realmente competente, ela não vai querer demitir o cara.

E tem outra: soltar um cara bom no mercado pode ser um milagre para outras empresas. É a tal da dança das cadeiras: um cara muito bom sai e as outras empresas vão querer o cara, que já tem conhecimento estratégico da empresa e a concorrência vai deitar e rolar.

Isso pode muito bem acontecer, e algumas empresas podem até tentar evitar isso, sem sucesso. Um profissional bom sempre será sondado, e como na indústria dos games muitos profissionais ganham uma certa notoriedade, outras empresas podem tentar namorar os caras, oferecendo propostas melhores ou mesmo dar mais liberdade criativa para eles, e isso nem sempre eles tem na empresa atual, já que, como empregado, eles sempre tem que obedecer os chefões e nem sempre as suas idéias são transformadas em jogos, já que as idéias tem de ser pré-aprovadas pelos acionistas ou pela parte financeira de alguma empresa.

Por isso muitos game designers acabam criando empresas próprias, mas ainda ficam na sombra do antigo patrão. O exemplo mais fácil é o do Hideo Kojima (criador de Metal Gear Solid) que ainda está criando games para a Konami, mesmo ele tendo mais liberdade criativa do que ele tinha na empresa japonesa.

Aí, com a possível compra, muitos funcionários perdem, e os chefes deles acabam ficando na nova empresa. Algumas vezes podem acabar tendo mais recursos, mas como fica a liberdade criativa? Será que uma empresa grande pode querer investir numa idéia mirabolante. Só se o cara realmente for um game designer de mão cheia, mas ainda assim os chefes podem ficar com um pé atrás (cautelosos), já que eles prefeririam que o game designer continuasse a franquia de sucesso da empresa antiga.

Quantas idéias o Kojima pode ter na mente, mas o cara ainda está preso ao Metal Gear Solid 4? Nada contra o jogo (quero muito jogá-lo), mas ele pode ter idéias originais de games que podem fazer tanto sucesso ou quem sabe mais do que a própria série (o que é muito difícil).

Eu, como um futuro game designer, ainda fico pensando se vale a pena entrar numa empresa e trabalhar com a criatividade limitada pelo orçamento, ou abro uma empresa e tento deixar a criatividade livre, mas com risco de não ter recursos financeiros para colocar uma idéia em prática. Mesmo se conseguisse tirar a sorte grande e entrasse numa empresa grande, nem sempre conseguiria aprovação de um projeto de minha autoria.

Voltando ao mercado, o jeito é esperar para ver o que pode acontecer. Será que a EA vai continuar tentando a compra da Take Two? Será que outra empresa pode comprá-la? Ou mesmo uma empresa desconhecida acabe ganhando notoriedade com um game criativo e acabe sendo comprada por uma empresa grande, que pode ter recursos financeiros para que as idéias mirabolantes dos game designers venham a tona. Ou não.

[Créditos das imagens: UOL Jogos 1 e 2]

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