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Resident Evil: The Umbrella Chronicles

Análise enviada pelo leitor Marcelo Colonia, o marcblack. Foi com um misto de ansiedade e desconfiança que recebi a notícia de que seria lançado um novo capítulo da série. Sabe como é, depois de um tempo a gente fica receoso com relação às continuações, que vez por outra

17/12/2007 às 22:17

Análise enviada pelo leitor Marcelo Colonia, o marcblack.

Foi com um misto de ansiedade e desconfiança que recebi a notícia de que seria lançado um novo capítulo da série. Sabe como é, depois de um tempo a gente fica receoso com relação às continuações, que vez por outra acabam se saindo nada mais que belos caça-níqueis. Afinal, o que esperar depois do excelente Resident Evil 4, que trouxera inovações ainda hoje criticada por alguns? Sequer li as notícias do game, deixei para conhecer por inteiro a partir do momento em que o DVD estivesse rodando no meu wii.

Após alguns minutos de jogo bateu uma certa decepção, quando descobri se tratar de um shooter. Pois é, esperava a jogabilidade do 4 ou mesmo a do original - como disse, eu não sabia NADA sobre o game. Mas tudo bem, questão de adaptação, afinal a experiência em primeira pessoa se mostra bastante instigante, ainda mais com o controle preciso do wii. Confesso que até experimentar o wiimote eu fugia de jogos do estilo, pois ao menos para mim controlar um cursor na tela com um joypad é uma tarefa sofrida, quase um parto de cócoras (não que eu tenha passado pela experiência, que fique claro).

Resident Evil: The Umbrella Chronicles é um apanhado de toda a saga (excetuando-se RE4, logicamente), contando toda a história envolvendo a ascensão e queda da maligna corporação, desde os primeiros experimentos com o T-Virus até sua derrocada final. Excelente para os jogadores que, assim como eu, estavam meio desatualizados, afinal, são pelo menos 15 títulos diferentes, distribuídos em plataformas diversas! Haja espaço na estante (e no bolso) pra tanto console.

De cara acompanhamos Rebecca Chambers e Billy Coen tentando escapar de um trem infestado de zumbis, quando o jogador é apresentado aos controles, bastante funcionais por sinal. É apontar a tela e puxar o gatilho, simples assim. Um botão para trocar de arma e uma ligeira sacudida no wiimote para recarregar. Tudo visando a imersão na envolvente história que se desenrola em quatro capítulos, divididos em cerca de quatro fases cada, com direito à fases bônus, que são abertas conforme o jogador encontra os segredos espalhados pelas fases principais. Dessa forma, por exemplo, descobrimos o que Albert Wesker (na pele do próprio) apronta pela mansão enquanto os inocentes Jill e Chris investigam o desaparecimento dos membros do S.T.A.R.S. Aliás, o capítulo da mansão é um deleite à parte para quem curtiu o primeiro game da série, isso no longínquo ano de 1996. Todos os cenários foram perfeitamente recriados, o que é visível em cada detalhe dos cômodos e mobília. E o que dizer do contato da dupla com o primeiro zumbi de toda saga, pego em flagrante enquanto fazia uma "boquinha". Lembra? Pois é, nostalgia pura...

Obviamente o game herda a jogabilidade de títulos como Virtua Cop e House of the Dead. Mas arrisco dizer que vai além de um shooter tradicional, por incorporar alguns elementos próprios, como a vasta gama de armas típicas da série (da tradicional shotgun à sutil rocket launcher), bem como as respostas à comandos na tela, cuja correta execução pode livrar da morte imediata. Os gráficos estão excelentes, tanto dos cenários quanto dos inimigos, muitos e variados - até os zumbis mais ralé são diferentes visualmente entre si. E os chefes de fase... ah, os chefes. No começo são simples de matar, mas com o decorrer das fases começam a requerer estratégias diferentes para serem destruídos, e descobrir a forma de fazê-lo é uma tarefa à parte. Ok, não chega ao nível de Shadow of the Colossus (PS2), mas é bem desafiador. Se prepare para perder um bom tempo para derrotar alguns deles. O som também está muito bom, com as músicas dando o clima ideal enquanto os personagens conversam e dão dicas de como proceder. Não há como não citar os (ótimos) comentários do sarcástico Wesker, ao enfrentar um dos mais chatos chefes do jogo: "not so bad for a human model"...

Como disse antes, existem as fases bônus, que dão o gosto de jogar novamente uma mesma fase para tentar descobrir mais da aventura. Também existe o ranking em cada fase, dividido em categorias como inimigos mortos, segredos descobertos, precisão... não que eu considere um bom motivo para jogar novamente, mas sempre pode haver alguma surpresa para quem conseguir as melhores pontuações.

Como aspectos negativos, há (felizmente) pouco a ser dito. Cada fase leva de 10 a 15 minutos para ser concluída, e com isso eu calculo menos de 8 horas para fechar o jogo. À primeira vista parece um game curto, mas por outro lado se fosse maior poderia estragar, pois às vezes as coisas se tornam meio repetitivas. As fases são lineares, vez por outra permitindo-se ao jogador escolher entre dois caminhos possíveis. Eis a receita: algumas dezenas de inimigos a serem mortos, segredos espalhados em caixas, barris e outros lugares óbvios, armas e munições para serem obtidas, culminando com um chefe de fase. Algo como um trem fantasma: bons sustos, mas não é você quem decide o rumo do carrinho.

Enfim, com RE: The Umbrella Chronicles a Capcom reciclou uma velha fórmula e mais uma vez se reinventa, nos brindando com este título que tem tudo para ser um sucesso tanto entre os gamers hardcores quanto os casuais, e ideal para mostrar que nem só de bonequinhos fofos vive o wii.

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