Meio Bit » Baú » Games » Por que os games no exterior são tão caros?

Por que os games no exterior são tão caros?

01/12/2007 às 12:17

Não, este post não é para falar dos impostos dos games aqui no Brasil ou porquê um game original custa uma fortuna aqui. Estou falando dos games lá nos EUA. Há cerca de 2 meses, o site GamePro fez uma reportagem que tenta responder o título deste post:

Are $60 games here to stay?

E como os games são caros lá fora, acabam caros aqui também. Mas estamos falando dos lançamentos, já que depois de algum tempo os games ficam mais baratos.

Sobre a reportagem, um ponto me chamou a atenção: porquê os games para PC são mais baratos do que os games para consoles? Lá a diferença de preço de um mesmo game (que saiu para PC e para consoles) é de 20 dólares, e eles perguntam: o custo de desenvolvimento do game pra console (PS3 e Xbox 360) é maior? Acredito que não tenha tanta diferença... Taí algo que eles nunca explicaram!

Pelo que eu sei os games são caros para desenvolver, e parte dos custos acaba sendo refletido no produto final. Gears of War, por exemplo, custou cerca de 10 milhões de dólares. Já Halo 3 custou 60 milhões de dólares (mas faturou mais de 170 milhões no primeiro dia. Com certeza a Microsoft já recuperou o investimento do game). Ryan Payton, produtor-assistente de Metal Gear Solid 4, disse que o console precisa vender 1 milhão de unidades logo no primeiro dia para cobrir os gastos de desenvolvimento.

O mais interessante é o gráfico que eles colocaram (que é na verdade da revista Forbes, e você pode ver abaixo), onde mostra cada tipo de gasto que o game tem ao ser desenvolvido. Por exemplo, num game que custe 60 dólares, 32 são gastos com o desenvolvimento, 12 com o varejo e 7 com marketing. Tem outros gastos também:

Agora fico pensando: esse modelo tradicional está tendo problemas. O primeiro deles é a pirataria desenfreada. Mesmo com toda tecnologia existente, alguém conseguirá burlar o mais sofisticado sistema de travas de um game para PC. Em consoles, é mais fácil copiar um jogo, e mesmo com iniciativas da Microsoft de banir quem usa console destravado não diminui a pirataria. E dificilmente vai diminuir.

O mercado está precisando de outros modelos de vendas de jogos. Eu mesmo já decidi que os meus games, se forem comerciais, serão bem baratos, custando no máximo uns 30 reais (ou mesmo free, mas com propaganda na página de download ou dentro do jogo, o que é mais provável), mas ainda assim é muito para a parcela mais pobre da população, que mesmo tendo um computador em casa não teria dinheiro para comprar um jogo (acredite. Existem pessoas assim). Outro problema é cultural: o brasileiro quer as coisas de graça e de mão beijada, e se for pagando, que seja pagando pouco.

Mas ainda assim a maioria dos gamers não lê revista, não acessa a internet para ver notícias relacionadas e na maioria das vezes compra game pirata. Bom, eu também compro, mas eu acesso a net, pago pra ter conexão e pago pra comprar alguma revista que me interesse. E só não pago games originais por causa dos impostos, mas já comprei games originais (é aqueles que vem em revistas, mas...).

Mas não posso me considerar uma pessoa elitista, mesmo tendo acesso a mais informações que um gamer da esquina que acha que o Playstation 2 é o videogame mais avançado que tem e que só o Wining Eleven presta. Eu também passo dificuldades financeiras, ralo pra pagar as contas com o meu salário, e tento, algumas vezes por mês, jogar de vez em quando.

Só não sou um consumidor voraz de games já que:

  1. Eu não tenho tanto tempo pra jogar.
  2. Os games que comprei ainda não terminei, só terminei os dois primeiros God of War.
  3. Ainda não tenho um console desta geração.
  4. Eu gasto o meu pouco dinheiro com outras coisas.

Felizmente, estão surgindo outros modelos diferentes de rentabilidade em jogos eletrônicos, como por exemplo o Steam (que ainda tem de pagar, mas elimina o meio físico e o jogador pode conseguir o game mais rapidamente) ou mesmo os anúncios dentro de jogos eletrônicos, mas que devem ser feitos de forma correta (como colar a logo da empresa num outdoor numa das fases do jogo), o que pode eliminar o preço de um jogo. Sei que muitos não gostariam de ver anúncios dentro dos jogos, mas o que vocês preferem? Gastar 150 reais num jogo ou adquirir de graça, com download legalizado, mas com anúncios? Eu ficaria com a segunda opção, desde que o jogo não tivesse nenhum extra que justifique a compra da caixinha, do manual e da mídia (como um livro de artworks, por exemplo).

Fora isso, tem as redes normais dos consoles, como a Xbox Live, que oferecem games antigos a preços atrativos, para que jogadores saudosistas possam voltar a jogar aquele clássico no seu console atual.

Acredito que a indústria deve mudar um pouco os modelos de comercialização de jogos e de desenvolvimento (considerando os games hardcore). Hoje os games são muito caros e a pirataria acaba atrapalhando as produtoras, e com o passar do tempo os games vão ficar cada vez mais caros para se desenvolver. Por isso que o chefão da EA quer uma plataforma comum aberta. Só o futuro dirá.

relacionados


Comentários