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Quem tem medo do LHC?

15/09/2008 às 23:48

Na última semana, uma grande expectativa pairou sobre a população em geral e, principalmente, sobre meio científico, quando do acionamento da maior máquina construída pelo homem: o LHC. Mas com a expectativa veio também a dúvida sobre sua utilidade e o medo do que esse fenomenal colisor fosse capaz de produzir. Afinal, para que foram gastos quase 10 bilhões de dólares durante 14 anos de construção? E por que tanta empolgação dos cientistas envolvidos no projeto?

O Grande Colisor de Hádrons (LHC em inglês) é um túnel monumental, de 27 quilômetros de extensão, que se localiza a 100 metros de profundidade de alumas cidadezinhas do interior, há poucos quilômetros de Genebra, na Suíça. Ele trará desafios que devem ser superados pelos 5 mil cientistas, engenheiros e alunos de pós-graduação (inclusive brasileiros) que participam desse esforço colossal.

Hádrons: partículas que são combinações de quarks, têm massa e residem no núcleo. Os dois exemplos mais comuns de hádrons são prótons e nêutrons

Sua missão principal é investigar a física nas distâncias mais curtas (menor que um nanômetro) e as mais altas energias (a tera-escala = 1 trilhão de elétrons volts). Isso será feito com colisões entre as partículas subatômicas, reproduzindo as condições no Cosmo um trilionésimo de segundo após a eclosão do Big Bang. Com essas colisões, os físicos de partículas poderão comprovar a existência, ou não, de algumas partículas, a composição da matéria escura que permeia o Universo, as interações entre as forças básicas da natureza e saberemos pela primeira vez do que somos feitos e como tudo isso se passa no lugar que habitamos temporariamente.

Quando estiver o LHC estiver completamente carregado e com potência máxima, todas as partículas circulantes transportarão energia aproximadamente igual à energia cinética acumulada por cerca de 900 automóveis viajando a 100 km/h, ou o suficiente para aquecer água para quase 2 mil litros de café.

Essa liberação de energia poderá, eventualmente, criar os tão temíveis mini buracos negros (redemoinhos que sugam toda matéria à sua volta). Mas os cientistas do CERN, onde está o LHC, afirmam que eles não teriam energia suficiente para se manter e em frações de segundos se desintegrariam em partículas inofensivas. Vale lembrar que a natureza está continuamente criando colisões quando os raios cósmicos de altíssima energia colidem com a atmosfera terrestre, com o Sol e com outros objetos como as estrelas de nêutron. Se tais colisões (que têm as mesmas energias das que acontecerão no LHC) representassem um perigo, elas já se teriam tornado evidentes para a humanidade.

O novo colisor é uma grande conquista na capacidade de qualquer instrumento na história da física de partículas. Ainda não sabemos o que ele encontrará, mas as descobertas e os novos desafios certamente mudarão a fisionomia da Física e das ciências afins.

No mesmo lugar onde nasceu a internet, foi criada uma rede de supercomputadores espalhados pelo mundo, utilizando computação em grade que será responsável pelo processamento dos dados. A rede chama-se Grid, com velocidade de até 1 Gigabit por segundo de transferência, sendo capaz de transmitir o conteúdo de um DVD a cada 5 segundos. Com o tempo, essa tecnologia se tornará disponível comercialmente, como hoje acontece com a Internet.

Esses benefícios certamente chegarão ao nosso cotidiano, assim como as energias em Tera elétrons-Volts poderão ser usadas, futuramente, na medicina e engenharia. Mas é provável que nós não os vejamos, assim como o físico Richard Feynman não vivenciou as maravilhas que hoje a nanotecnologia produz.

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