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Mozilla peita todo mundo e disponibiliza Ogg no Firefox

03/08/2008 às 19:30

Esta semana, quem é desenvolvedor web recebeu uma ótima notícia: a Mozilla Foundation resolveu dar um passo à frente e implementar as tags do HTML5 "vídeo" e "áudio" no Firefox 3.1, que já está disponível para os doidos que usam nightly builds.

Importante (ou não): os 4 fãs do Opera dirão que a versão 9.5 já possui este suporte. Mas, digamos que isso não foi tão impactante quanto o anúncio da Mozilla, por motivos óbvios.

"Pô, que da hora!" diz o fazedor de sites. Vídeo direto em tags, sem necessitar de plugins, nada? Músicas na minha página sem a obrigatoriedade de players em flash ou Windows Media, com controles funcionais e de forma simples? Tais novidades e mais algumas são advindas do HTML5, que ainda é "Working Draft" na W3C. Dá pra comemorar o avanço da web? NÃO.

De início, era explícito nas especificações do HTML5 que o Ogg Vorbis e o Ogg Theora seriam os codecs a serem usados por TODOS os browsers, para garantir que a interoperabilidade e a conversão pelo usuário fossem simples e livres de patentes.

Até aí, ótimo. Eu nunca sequer tive a oportunidade de assistir algo em Theora, mas acho o nome bonito. E Vorbis é um codec de áudio muito bom, posso assegurar.

Só que no quartel general do Coringa certas empresas não ficaram felizes com o anúncio. Foram a Microsoft (surpresa!), Nokia e a Apple que não gostaram da idéia da obrigatoriedade dos codecs e deixaram claro isto aqui e aqui.

A questão toda é que todo mundo rejeitou, mas ninguém sugeriu um padrão para o tal codec. A parte do documento que especificava o Ogg foi substituída por um "It would be helpful for interoperability if all browsers could support the same codecs. However, there are no known codecs that satisfy all the current players." (Tradução livre: seria de grande ajuda para a interoperabilidade se todos os browsers pudessem suportar os mesmos codecs. Contudo, não existe nenhum codec conhecido que satisfaça a todos os tocadores de hoje.)

A posição das empresas citadas contra o Ogg foi devido ao medo de serem processadas. Sim, elas acham que o Vorbis e o Theora podem ser alvos de disputas judiciais no futuro, mesmo sendo completamente Open Source e defendidos até pelo paranóico-mor Stallman.

Quem é desenvolvedor web fã dos padrões (leia-se cansado de css hacks, conditional comments, setenta e cinco folhas de estilo, uma para cada browser) certamente não vai gostar do rumo que a coisa está tomando. Não se trata aqui de fã do Ogg defendendo o codec, mas sim da possibilidade de se converter um vídeo para o HTML5 e saber que ele roda em todos os browsers sem necessidade de codecs extras ou pagamento de alguma coisa. Podia ser WMV, se a MS tornasse Open Source, por exemplo.

Alguém aqui duvida do Safari no Mac cometendo algum codec esquisito relativo ao Quick Time, e o IE tocando WMV? Desse jeito não sai: Vai ser preferível usar Flash, que, mesmo não sendo padrão, pelo menos funciona em todo browser. Exceto em 64 bits, mas isso é outra história.

Esta (in)decisão é um retrocesso. Quando estamos saindo (ou tentando sair) do poço sem fundo que foi a guerra Netscape X IE que nos deu de presente até a tag BLINK, o povo não entra em acordo nem quanto a simples codecs de vídeo e áudio?

Neste ponto, a Mozilla resolveu peitar as grandes. O Firefox 3.1 vem com o dito e polêmico suporte a Theora e Vorbis embutido. E que não pensem que foi pouca coisa, já que eu não consigo imaginar o IE8 ou 9 usando os mesmos para multimídia. É uma decisão arriscada e digna de aplausos da Mozilla, que pelo menos deu um passo a frente.

Pelo menos na Hungria, o povo pode comemorar. Eu, tal qual Regina, tenho muito medo do destino que a web me reserva. Ou a bolha estoura, ou os padrões vão pro espaço. Em todo caso, eu aprendi esta semana a fazer malabarismo e só me falta escolher um semáforo/farol/sinal.

Fontes: Science Media Network, Tableless.com.br, WHATWG community, Wikipedia em inglês e claramente inspirado no Tópico do Fórum do Luiz Claudio. Ele comenta o fato do navegador, eu decidí aprofundar mais sobre as consequências.

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