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Steve Ballmer diz que jornais vão acabar. Jornais anunciam que Microsoft vai acabar

10/06/2008 às 13:23

Em um debate com editores do Washington Post Steve Ballmer fez várias declarações interessantes, mas a mais polêmica, que deixou os jornalistas pra morrer foi dizer que:

"Em dez anos nenhuma mídia consumida será entregue em papel. Tudo será transmitido eletronicamente, via rede IP"

BALLMERasDrEvil

Fazendo uma retrospectiva rápida, meu consumo de mídia impressa caiu MUITO. Se houvesse um leitor de ebooks colorido, de alta resolução, com boa bateria, eu nunca mais compraria uma revista na banca.

Com o RSS, mais filtros inteligentes, temos muito mais informação, sem ter que ficar chafurdando por páginas e páginas. E se você acha o AdSense ruim, compare com os anúncios em uma Veja da vida. Algumas edições possuem mais publicidade que conteúdo.

Ele prevê uma revolução no consumo de mídia e no campo do entretenimento, em 10 anos.

"Me filho vai ficar a noite toda jogando Xbox Live com amigos em várias partes do mundo, mas eu não posso sentar em frente à TV e ter o mesmo tipo de interação social com meu jogo de basquete ou partida de golfe. É porque uma dessas coisas é entregue via IP, a outra não."

É verdade. Em termos de interação a Televisão é coisa do século passado. Quando isso mudar teremos o equivalente a blogs, ou Orkut (valei-me piedoso Crom!) associados à mídia tradicional. Essa separação tende a desaparecer, e rápido.

Ele também falou sobre seu programa favorito, "Lost", e de como não grava, apenas assista da Internet (ele deve ter um link bom, sabe como é). O repórter perguntou se não seria melhor comprar no iTunes e fugir dos comerciais da versão online gratuita. Ballmer disse que não, preferia a versão do site da emissora.

"Por quê? Porque é de graça. Tenho que admitir que fico incomodado com os 20 segundos de propaganda, mas não incomodado o bastante para gastar um Dólar... Eu acho que no final a mairoai das pessoas diz: Droga, se eu posso conseguir algo que é bem legal, financiado via publicidade, e a propaganda não é horrorosa, prefiro assim do que ter que pagar pelo produto"

Esse modelo é mais que comprovado. Vide jornais online.

Se bem que os jornais offline é que não gostaram muito das declarações. Bill Virgin, do Seattlepi escreveu um artigo de título: "Você verá o obituário da Microsoft aqui?" Ele basicamente reconhece que todas as estatísticas de venda de mídia impressa apontam declínio acentuado, além da migração das verbas de publicidade para outra área.

Mesmo assim, Ballmer é um outsider, ele não poderia (na visão deles) anunciar a morte da mídia impressa. Tenta justificar a persistência da mídia impressa dizendo que ela está aí a muito tempo. O que não é um argumento muito bom. Usamos cavalos por uns 6000 anos pelo menos, mas assim que surgiu o automóvel em escala industrial, alegremente abrimos mão dos bichinhos.

Virgin compara a Internet com Rádio e TV, que seriam competidores que deveriam ter acabado com os jornais. Errado, Mr Virgil. Eram mídias diferentes com formatos diferentes. Uma é vista, outra é falada, a sua é lida. A Internet é lida. Só que ela é dinâmica.

Se eu escrevo um artigo com uma informação errada em um jornal, só poderei publicar uma errata no dia seguinte, mesmo assim em OUTRO jornal. Nada garante que o leitor do dia anterior lerá a correção. Já na mídia digital, bem... eu publiquei uma foto da Emma Watson vestindo uma calça-cachorra. Em menos de 1 minutos o Borbs, do Judão mandou um Twitter alertando que era Photoshop, com o link da imagem original. Tempo no ar da notícia errada? 2 Minutos.

Imagine se sai na Veja.

Eu não sei se o prazo de 10 anos é muito curto ou muito longo, só sei que será uma época negra para Mr Virgin e todos os profissionais de imprensa que se agarram demais a seus órgãos (sem trocadilhos) e esquecem que eles são geradores de conteúdo e opinião, independente do veículo.

Mr Virgin não precisa se preocupar. Mesmo que o jornal impresso dele feche (muito mais fácil do que a Microsoft falir), sempre poderá trabalhar em um blog (mas não aqui, temos critérios).

Fonte: Engadget, SeattlePI

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