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Três sensores defeituosos = US$1.4 Bilhões de prejuízo

07/06/2008 às 13:08

Em Fevereiro o bombardeiro Stealth B2 AV-12 Spirit of Kansas caiu ao decolar na base aérea de Guam, no Pacífico. Os dois pilotos ejetaram, um não sofreu nada, o outro sofreu compressão da espinha mas está bem. Agradeçam aos aSSentos ejetáveis 0/0 (0 altitude, 0 velocidade) da Martin Maker.

A origem do acidente foi descoberta, depois de uma investigação detalhada da Força Aérea:

Sensores defeituosos.

Um avião no formato de Asa Voadora como o B2 é a forma mais eficiente aerodinamicamente, e foi primeiramente concebido por Jack Northrop, em 1929. Vários protótipos intermediários depois, o XB-35, com oito hélices contra-rotativas voou em 1946:

xb35

O XB-35 de Jack Northrop

O problema desse tipo de design é que ele é instável. Uma tripulação inteira morreu em um dos vôos de teste, e a Força Aérea acabou desistindo da idéia, só voltando a ela nos anos 70, quando já havia tecnologia de computadores rápida o suficiente para lidar com o controle de vôo.

Com projeto iniciado no final dos anos 70 e primeiro vôo em 1989 o Northrop-Grumman B2 foi o ápice de todo esse desenvolvimento.

Jack Northrop já estava aposentado, velhinho, morreria no ano seguinte. Funcionários de sua antiga empresa conseguiram uma autorização de segurança do Ministério da Defesa, e mostraram a ele os planos e uma maquete do avião. O trabalho de uma vida estava realizado.

No B2 os computadores liam as condições de vôo milhares de vezes por segundo e faziam micro-ajustes nos controles, passando para o piloto a idéia de que o avião era estável, quando não era.

Essa tecnologia é usada em TODOS os aviões de alta performance faz tempo, e sem computadores caças como o F16 não sairiam do chão.

Só que de vez em quando algo dá errado (Murphy era da Força Aérea, lembrem-se). No caso do Spirit of Kansas, 3 sensores do conjunto de 24 estavam contaminados com umidade, o que afetou o fluxo de ar, gerando dados falsos, indicando uma velocidade e um ângulo de ataque diferente dos reais.

Achando que estava em um ângulo negativo, e mais rápido do que deveria, o computador puxou uma subida de 30 graus e corte de potência.

Nessas horas não há o que fazer. Não existe "modo manual" em um avião totalmente fly-by-wire. "sarta fora" é o comando.

O mais incrível? O acidente foi devidamente documentado em vídeo. Na primeira parte, uma decolagem normal. Logo em seguida, a decolagem que não deu certo. É impressionante!

Fontes: Wired, Century of Flight

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