Meio Bit » Arquivos » Hardware » US$250 mil por um processador de 33MHz. E vale.

US$250 mil por um processador de 33MHz. E vale.

17/05/2008 às 17:49

Em tempos de GigaHertz custando merrecas, é quase surreal um processador RISC de 33MHz e 35 MIPs custar entre US$200 mil e US$300 mil, mas estamos falando do IBM RAD6000, módulo-processador colocado no mercado em 1996 e ainda sendo usado por pelo menos 77 satélites e um monte de naves e sondas planetárias, como a Deep Space 1, Mars Pathfinder, os robôs Spirit e Opportunity e a sonda Phoenix.

O que torna um processador desses tão caro é a proteção contra radiação. Ele precisa suportar por anos um bombardeio constante de raios cósmicos que fritariam componentes eletrônicos normais, uma dose tão alta de radiação que após alguns minutos você teria filhos esquisitos.


rad6000

O RAD6000 vem com 128MB de RAM, e nas sondas da NASA em geral ele sofre um underclock para frequências entre 2 e 20MHz. Economia é tudo.

Em 1996 128MB de RAM era uma senhora quantidade de memória, ainda mais levando-se em conta que não há interfaces gráficas nem outras frescuras comendo o processamento. Sem contar a habilidade da NASA em espremer código de qualidade em espaços pequenos. Afinal, o computador de bordo da Apollo tinha 1MHz de clock e 4KB de RAM, e mesmo assim conseguiu pousar uma nave na Lua e voltar.

Um dos usos do RAD6000 é na sonda Phoenix Mars Lander, que irá pousar em Marte (d´oh) em um ponto de alta latitude, próximo ao polo norte, para pesquisar a existência de água e vestígios de vida no planeta vermelho.

O vídeo abaixo, corretamente batizado de "Se7e Minutos de Terror" documenta como será (se tudo der certo) a entrada na atmosfera marciana, a manobra de desaceleração e o pouso final. Isso tudo ocorrerá semana que vem, dia 25, será transmitido pela NASA TV.

Um monte de cientistas estará roendo as unhas, mesmo sabendo que o que quer que aconteça com a sonda, já será passado. Marte estará a 15 minutos/luz de distância, quando o sinal vier (se vier) tudo que veremos serão velhas fotos. Não me culpe, reclame com Einstein.

Fonte: JPL, Bad Astronomy

relacionados


Comentários