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Análise: Netgear SPH101 (vulgo "Skypephone")

24/04/2008 às 13:56

Vamos começar pelo básico: este é um review do Netgear SPH101, vulgo "Skypephone WiFi", um brinquedinho que fez brilha os olhos (e tremer os bolsos) de muita gente quando foi lançado. Também pudera, custando mais de 1500 trocados não esta dentro da realidade do "público". A história começa quando me mudo de estado, alugo um apartamento e inicio a montagem do "lar, doce lar".

No início apenas com o básico (refrigerador, máquina de lavar roupa e TV LCD de 21' para o PS2), eventualmente eu precisava ter alguns itens supérfluos, como telefone fixo. O que mais me incomodava era a necessidade de vender minha alma para alguma operadora e pagar a infeliz franquia, coisa que me deixa doente só de pensar. O tempo se passou e como eu estava na agulha para levar uma C.R. (termo técnico) do boss por usar o celular da empresa para comprar pizza delivery, resolvi de uma hora para outra (literalmente) enfiar o pé na jaca: fui na FNAC (eu amo essa loja) e comprei o Skypephone acima mencionado por 800 paus. Caro, sim, mas bem mais em conta que na época do lançamento. Dois meses depois já tenho subsídios suficientes para falar do aparelho.

Netgear SPH101

Primeiramente vamos às especificações. O SPH101 não é um aparelho telefônico, em nenhuma definição clássica da coisa, nem mesmo se pensarmos em termos de celular. Ele não tem uma linha, não aceita cartões GSM e nem tem um número para o qual ligar. Na prática ele não é diferente de um computador com placa WiFi cujo único programa que você pode rodar é o Skype. E como tal ele deve ter uma conta do Skype para funcionar, o que pode ser criado pelo aparelho ou simplesmente logando-se numa conta já existente.

Com isso você já é capaz de ligar de graça para qualquer contato utilizando o Skype e, da mesma forma, receber ligações de qualquer um que ligue para seu contatofone. Claro, isso não é bem como se espera que um aparelho telefônico funcione, além do que não conheço muitas pizzarias delivery que atendam por Skype. O próximo passo foi adquirir créditos para a conta (eu optei por fazer uma conta adicional exclusivamente para ele, assim posso usar meu Skype do note como anteriormente, evitando ligações "por engano" entre um e outro. Dessa forma já estava resolvido o primeiro problema: pedir pizza sem sair de casa e sem dar motivo para levar uma chamada do patrão.

Mas resolvi ir ainda mais longe: eu queria que pessoas ligassem para mim num número fixo, o que foi prontamente resolvido com a aquisição de um número SkypeIn na cidade onde moro. O número não pertence a nenhuma operadora (na teoria), e é fornecido pelo próprio Skype (há uma inverdade aqui, eu sei, mas vamos nos ater à idéia geral) de uma lista que você pode escolher entre os ainda disponíveis. Fiz o "aluguel" durante o período de um ano, renovável, pois seria mais prático e barato que o aluguel de 3 meses. Acompanha o Voicemail, uma secretária eletrônica como outra qualquer.

Bingo! Para todos os efeitos, tenho um telefone fixo que faz e recebe chamadas.

Infelizmente não foi possível fazer o que eu tinha em mente, de alugar um segundo número (sim, mais de um, por que não?), mas dessa vez em outro estado, para que meus amigos e familiares pudessem me ligar pagando uma tarifa local. Isso funciona porque a chamada ao número discado é recebida pela central de conexão Skype através da rede de telefonia convencional e convertido para VoIP até seu aparelho. Porém não havia o serviço (números disponíveis) para a minha cidade natal. Por outro lado, eu posso viajar para qualquer canto do planeta e qualquer amigo que quiser me ligar pode chamar o número de sempre e a ligação cai no aparelho, bastando estar conectado em uma rede sem fio.

Quanto ao aparelho em si, ele é muito confortável. Não é maior que um celular convencional e as teclas são rigorosamente as mesmas, até para entrada de texto. A bateria deixa a desejar: 24h é o máximo possível de duração, em standby. A Netgear afirma que ele consegue 2h de conversação, mas eu acho um exagero. Diria uns 40 minutos, 1 hora no máximo. Está bom para meus fins, telefone fixo.

O aparelho suporta redes criptografadas, com WEP e WPA. WAP2 não é suportado no SPH101, mas já é no SPH202 (que também parece ter uma autonomia maior). Estranhamente para quem já usou o VoIP, ele parece não ter o atraso que é tão comum na tecnologia. Não sei se é a separação do fone e do microfone, mas o fluxo do áudio é perfeito em ambos os sentidos.

No final das contas o aparelho está funcionando exatamente como esperado, ou seja, exatamente como um telefone sem fio (e sem base), além de fazer ou receber ocasionalmente uma ou outra chamada de graça. O próximo passo, que já está em avaliação, é o pagamento de mensalidades ao Skype por pacotes de ligação de 400 minutos a ilimitados. R$ 15,00 por mês é bom demais para se ignorar.

Conclusão: é um investimento caro, ninguém nega. São 800 paus na lata, e o fator de retorno é bem incerto, dependendo da forma como você irá usá-lo. Mas eu penso que o valor do aparelho é um custo fixo e único, e depois dele a única coisa que eu preciso manter para ter as funcionalidades básicas são... Nada.

P.S.: Enquanto revisava o artigo recebi uma ligação, e percebi algo que até agora não tinha notado: ele tem identificador de chamadas, e funciona mesmo internacionalmente.

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