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Um Windows modular: problemas à frente ?

06/04/2008 às 23:10

Li no excelente Ars Technica um artigo sobre a possibilidade da nova versão do Windows (chamada 7 até agora) ser distribuída de forma modular. Apesar de nada oficial por parte da Microsoft, as especulações já começaram. Como a Microsoft poderia utilizar este conceito a seu favor ?

Por exemplo, o usuário poderia comprar uma versão básica, e ir adicionando módulos pra funções específicas, a um custo adicional, obviamente. Exemplos: um módulo de segurança avançada, outro de media center. Para empresas, haveria módulos específicos também, com opções de backup corporativo, suporte a active directory, e por aí vai. Módulos poderiam ser oferecidos com funcionalidade específica, ou então para um perfil de usuário específico: gamers, por exemplo.

Acontece que ao que parece simples na realidade é muito diferente. Dois dos mercados que a Microsoft serve, o de consumidor e o corporativo, são bastante diferentes. Tanto as licenças quanto as aplicações destes sistema são diversas. E dentro do mercado de consumidores, há ainda a grande maioria dos usuários que compra a licença do Windows instalada em um computador novo (OEM), e outros que compram versões retail ou de upgrade. O que eu penso aqui é: como um sistema dito modular é diferente de qualquer outro software ? Se eu quiser alguma opção de segurança, eu vou naturalmente procurar algum software que me ofereça anti-virus, firewall, anti-spyware, etc.... o que não é muito diferente da proposta que a Microsoft ofereceria.

Claro que o contra-ponto da Microsoft vai ser o suposto benefício que seria ter um software intimamente integrado ao sistema operacional, o que não deixa de ser verdade, mas que também traz consigo seus problemas. Quem já instalou um service pack no Windows sabe que é uma instalação que deve ser levada "à sério", e que qualquer coisa que dê errado durante esta instalação pode inutilizar o sistema. Isto porque o service pack mexe diretamente na base do sistema operacional. E um "módulo" destes, teoricamente, também teria bastante integração com o sistema operacional....as implicações são significativas demais para serem ignoradas.

Apesar de tudo, acho a idéia interessante. Eu gostaria da possibilidade de pagar menos por um produto, e se quisesse alguma funcionalidade específica, pagar extra por isto. Basta abrir qualquer sistema operacional (não somente Windows) para se ver que há muita coisa que pouco (ou nunca) é utilizada, porém a situação é que usuários diferentes usam funções diferentes, por isto acabam mandando o pacote completo....que vem com um preço completo.

Enquanto o modelo de negócios do software vai mudando lentamente, com "software como serviço", por exemplo, vemos a Microsoft re-estudando seu próprio ganha-pão. Se vai ser bom para os usuários ou não é difícil dizer.

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