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Análise: GPS Mio C310x

01/03/2008 às 14:00

Ops, desculpem, o Jobson já começou seu excelente artigo sobre o GPS TomTom One com essa frase. Esse mesmo review me deu a idéia de compartilhar minha própria experiência com meu aparelho de GPS, o Mio C310x. Talvez seja interessante dizer que o motivo de ter um GPS é o de que eu não natural de São Paulo, só vindo morar no estado há poucos meses, mas isso não quer dizer que o aparelho não tenha sido extensamente testado.

Muito pelo contrário, por motivos de trabalho já precisei rodar 1.500 km em três dias, e acredito que poucos aparelhos dessa natureza são postos tão à prova.

Então, comecemos.

O GPS Mio C310x é bastante popular no mercado: ele é um dos hardwares disponíveis do Navegador Quatro Rodas, uma assumidade nacional em matéria de posicionamento global automotivo. O meu aparelho não é um deles, foi adquirido nos EUA e precisei adquirir e importar os mapas brasileiros manualmente. O software de navegação é o iGo My Way 8, customizado e rebatizado de MioMaps. O mapa em uso é o Brasil 7.0 de 2007.

O Mio tem um display de bom tamanho, sendo a maior parte da interação com o sistema feito através de ícones touchscreen e dos 4 botões laterais e a interface é toda em português do Brasil (entre outros idiomas). A captação do sinal de satélite é muito boa, mesmo em locais cercados de arranha-céus, sendo difícil perder o sinal. O cálculo de rotas é bem rápido: leva cerca de 1 segundo para algum lugar nas vizinhanças e algo em torno de 5-7 segundos traçando rotas de Campinas a São Paulo (cerca de 100 km).

Porém, como o Mio é um aparelho que (a) existe e (b) não é de fabricação da Apple, ele não é perfeito. Mesmo rodando na cidade ele já tinha dado umas derrapadas, pedindo para virar em uma contramão, entrar em uma rua bloqueada por canteiros e, mandando inclusive fazer um retorno em "U" que teria feito o guarda de trânsito mais simpático do planeta gritar por pena de morte por cadeira elétrica se fosse executado. Em geral são erros corrigíveis (o recálculo da rota é automático e, como dito antes, bem rápido) e devem-se em grande parte a mudanças recentes no trânsito.

Rodando no interior e em cidades menos povoadas porém é que se percebe a limitação do aparelho. No caminho até Bauru (~270 km), que nem é tão desolado assim várias vezes "saí da pista", de forma que parece que ou você está num avião ou num veículo que saiu de um cruzamento de um Land Rover Defender e com um Abrams M1. Naturalmente isso não afeta criticamente a viagem, mas você perde as informações de tempo estimado de chegada, distância para a próxima mudança do percurso e limites de velocidade da via enquanto está brincando de rally.

E falando em limites de velocidade da via, outro problema: com exceção da cidade de São Paulo, inúmeras outras vias estão com limites de velocidade incorretos. Quase todas as rodovias com canteiros entre as faixas de sentidos opostos estão marcadas como sendo de limite 120 km/h, enquanto as de faixas simples estão como 90 km/h. Infelizmente o que parece que é a caracterização dos limites de velocidade parece ter sido feita de forma amostral.

O que deve ser observado é que este problema não é do aparelho ou do software, mas dos mapas da localidade. Teoricamente todos os aparelhos de GPS que utilizarem os mapas Brasil 7.0 Data Source [070716] (todos os que eu vi até hoje, com exceção do Navegador Quatro Rodas.) são passíveis de apresentarem os mesmos problemas. Fico na torcida para que melhorem isso na próxima versão dos mapas.

Como dito, o Mio em se tratando de GPS é um ótimo aparelho, possui alguns defeitos e pode ser melhorado. Mas tem um ponto em que o mesmo é realmente imbatível: hacking.

O aparelho de GPS em si não é nada mais nada menos que uma handheld com Windows CE 4.0 e GPS embutido. Existem inúmeros sites na Internet com informações úteis e downloads para "desbloquear" o Mio, isto é, sair do shell principal, que só dá acesso ao GPS e MP3 Player, e cair no WinCE. Depois disso, é usar e abusar, como faria com um PDA comum: é possível assistir filmes, armazenar arquivos, até conectar a Internet, usando a criatividade.

O uso mais interessante que tenho feito dessa característica é meu projeto pessoal de mapeamento de radares da cidade. Utilizando o iGO POI Explorer, capaz de importar e exportar o banco de dados de POI (Points Of Interest - Pontos de Interesse), é possível salvar como arquivos KML do Google Earth/Maps os locais dos radares de velocidade. Qualquer outro proprietário de um Mio (ou de qualquer GPS que utilize o iGo My Way como software de navegação) pode importar os pontos para seu aparelho e marcá-los para ser avisado (discretamente) ao se aproximar de um deles abaixo ou (escandalosamente, com beeps desesperados) acima do limite.

Eu concluo esse artigo não com um elogio ou crítica ao Mio C310x, mas com e feliz constatação de que o Brasil está despertando para a importância desses aparelhinhos que salvam vidas (salvou a minha). Mesmo a precisão dos mapas ainda deixando a desejar, o nível das rodovias ser medíocre em alguns locais isolados e o banco de dados de Pontos De Interesse não abranger nada além da cidade de São Paulo tudo que está disponível hoje era inimaginável cinco anos atrás. Um dia talvez cheguemos ao níveis de detalhamentos dos mapas europeus ou americanos (que têm cerca de 1 GB cada um, enquanto o Brasil 7.0 possui cerca de 70 MB).

Integração com Google Earth, boletins de tráfego online via GPRS, localizador de veículos (o última já existe). Não dá para imaginar onde estaremos daqui a mais cinco anos.

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