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Análise: GPS TomTom One

20/02/2008 às 19:14

Reza a geometria que a menor distância entre dois pontos é uma reta. Grandes cidades não respeitam tal lei. Muitas vezes os percursos são definidos não em quilômetros, mas em minutos. O trecho mais curto, por conta de engarrafamentos, acaba se tornando o mais longo. E em São Paulo prevalece certa relatividade entre tempo e espaço.

Dito isso, não pode haver lugar melhor para testar um navegador GPS. E lá fui eu ver o que pode o TomTom One. O aparelho não requer prática e nem tão pouco habilidade. Tirei da caixa, liguei e ele funcionou sem eu ter de ler manual, nada. 01

Na caixa temos ainda os cabos para ligá-lo ao computador e à fonte de alimentação do carro, o popular acendedor de cigarro. Não senti falta de nada. Poderia ter um fone de ouvido, mas a legislação de trânsito não permite, então nem dá para reclamar.

Antes de prosseguir, um detalhe: eu não dirijo. O que é ótimo neste caso. Pude prestar toda atenção ao One. E mais. Sempre fiz o papel de achar rotas e ruas em guias de papel. Ou seja, eu tenho vasta experiência em ser “o navegador”.

Pois bem, entramos no carro e eu me recusei a utilizar o suporte que vem com o One. É daqueles com ventosa para colocar no pára-brisa, sabe? Mas aqui não é a Suíça. E eu não sou besta de sair mostrando pela rua um aparelho de R$ 1.500,00. Pus no colo.

O primeiro destino, que conheço bem, foi o supermercado para animais Cobasi, de onde vem a ração dos gatos. Fica um tanto longe de casa, moro em Higienópolis, e há três ou quatro caminhos para chegar lá. Aí veio o primeiro deslize do One. Ele demorou cerca de dez minutos para achar o sinal do satélite.

Quando finalmente se localizou no mundo, o aparelho se mostrou de fato uma mão na roda. Você escolhe entre o trajeto mais curto ou o mais rápido. E se estiver insatisfeito com o caminho que ele oferece, basta pedir uma rota alternativa. Muito bom para fugir de engarrafamentos. Na tela se pode escolher entre visão 2D ou 3D e se a voz que vai orientá-lo será masculina ou feminina.

Nesses aspectos ele é quase perfeito. O som poderia ser um pouco mais alto. No volume máximo, dependendo da quantidade de malas buzinando perto de você, o som fica devendo um pouco. A sinalização é exata. Minha mulher acha que a ordem para virar poderia ser dada um pouco antes. Mas não é nada que comprometa, afinal se você não sabe o caminho melhor ir devagar.

E devagar se chega longe. E chegamos. E voltamos. E o One mandou bem. Com alguns requintes até. Ao passar por um túnel ele automaticamente alterna para o modo de exibição noturna na tela. Ele permite ainda que você determine um bloqueio na rua. Útil para o caso de passeatas, filas de escola, engarrafamento normal.

Perfeito. Eu iria terminar por aqui, mas foi aí que o One deu a segunda derrapada. Tive de ir visitar uma empresa na Vila Olímpia. Eis que o aparelho não soube achar a rua. Imperdoável. Devolvi o aparelho e fui entrevistar alguém para saber das duas falhas. Fui atendido pelo diretor-geral da e-motion, que distribui o TomTom One no Brasil, Emanuele Farini. Ele ficou mais surpreso que eu com os 10 minutos para achar o satélite. “Normalmente deveria demorar no máximo 1 minuto”, disse ele, que garantiu que isso é incomum e caso ocorra se deve procurar a empresa.

Quanto ao endereço inexistente, Farini, de forma muito transparente – o que deve sempre ser aplaudido – disse que de fato podem ocorrer falhas nos mapas. Como resolver? Bem, de acordo com ele, basta conectar o aparelho ao computador e baixar as atualizações dos mapas do site http://www.tomtom.com.br.

O bacana no caso é que a comunidade de usuários pode modificar e atualizar os mapas incluindo pontos de interesse – como postos de gasolina, lojas, restaurantes... O site é bastante claro e objetivo e qualquer um consegue seguir as instruções ali.

Conclusão de tudo isso. Eu dou nota 9 para a facilidade de uso do TomTom One. Para a comodidade, pela experiência que tive, dou nota 6 – a demora do satélite e as falhas do mapa não deixam opção.

No quesito atualização, nota 8 – o site é excelente, mas para atualizar os mapas é preciso baixar um programa. Nada demais, mas isso complica a situação de quem está na rua ou em uma lan house. Atenção da empresa: nota 10. 03

O pessoal é muito gentil, solícito e entende do que fala. Custo/benefício, nota 7. Ainda está caro. Quando chegar a R$ 500,00 eu compro um de presente para a chefe da casa.

Eu recomendo o aparelho para taxistas e para empresas de entrega e transporte. E acho indispensável para quem está em uma outra cidade e alugou um carro. Sempre lembrando que o aparelho indica caminho, ele não manda em você. Se ele escolher entrar em uma viela estreita, escura e suspeita, não entre...

É isso. Mas eu não poderia encerrar sem dar os parabéns ao pessoal da e-motion pela forma como nos atendeu. Trabalhei em grandes jornais e em empresas menores. Sei que muitas vezes, o entrevistado tem mais paciência e interesse para veículos “consagrados”. No caso da e-motion, o respeito por um blog deve ser destacado. Em breve todos seguirão neste caminho que eles indicam em sua comunicação.

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